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Síndrome pós-Covid:
as sequelas são muitas e precisam de atenção e tratamento

A chamada Síndrome pós-Covid reúne uma série de sintomas: cansaço, falta de ar, dor muscular, nas articulações e no peito

Dezembro de 2020 marcou um ano do registro do primeiro caso de infecção do pelo Coronavírus (COVID-19). Além da busca pela vacina, a sociedade científica se volta para conhecer os principais efeitos da ação do vírus no organismo humano.

Estudo realizado em países da Europa, como a Itália (que tiveram lockdown e enfrentam uma segunda onda da doença), mostram que mais de 87% dos pacientes apresentam pelo menos persistência de um dos sintomas da doença.

A chamada Síndrome pós-covid reúne uma série de sintomas: cansaço, falta de ar, dor muscular (mialgia), dores nas articulações e dor no peito. No Brasil, a pandemia entra no décimo mês em janeiro de 2021 e a comunidade médica também começa a registrar em estudos os sintomas apontados pelos pacientes pós fase aguda da doença. Dentre eles, dor de cabeça persistente, perturbação do sono, alteração do olfato e paladar, que também resultaram em perda ponderal e a não recuperação do peso por persistência destas alterações.

A médica Michele Higa Fróes, coordenadora do Departamento de Infectologia no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), aponta que as sequelas podem acontecer em todo tipo de paciente. É mais comum nos pacientes que tiveram quadro grave, com internações prolongadas, mas pacientes com quadros leves ou moderados podem também apresentar sequelas.

A infectologista elenca que a fibrose pulmonar (cicatriz da inflamação pulmonar) é a sequela mais frequente relacionada ao trato respiratório, causando sintomas como uma tosse crônica a uma dificuldade de respirar. “Tosse arrastada, dor no peito e fôlego curto são as principais queixas desses pacientes”, comenta.

Mas há ainda relatos de problemas cardiovasculares como arritmias e insuficiência cardíaca que pode ser uma consequência da inflamação do músculo cardíaco (miocardite) que pode ocorrer durante a infecção.

Essas manifestações ocorrem tanto na fase aguda da doença quanto depois do período crítico. A recomendação médica é de que todos os pacientes após uma infecção pelo vírus façam um check-up cardiológico e pulmonar.

Cérebro também é afetado

Os sintomas de esquecimento, déficit de atenção e de memória estão entre as sequelas da covid-19 no cérebro.

O coronavírus atravessa o sistema nervoso provocando a Síndrome de Guillain-Barré, condição na qual o sistema imunológico atinge os nervos cerebrais e os ataca, acarretando formigamentos, dificuldade motora e perda de força dos membros. Durante o pico da infecção, delírios e até psicose são registrados e, especialmente os idosos, podem evoluir para um declínio cognitivo. A médica adverte que pode haver sequelas psicológicas, como a depressão.

A ciência ainda não mapeou todas as sequelas da covid-19, tampouco determinou o tempo em que estes problemas podem ocorrer. Em alguns pacientes, os sintomas são percebidos de 15 a 20 dias após a fase aguda, principalmente nos casos que precisaram de internação e cuidados intensivos. Em outros casos, até três meses depois as intercorrências podem persistir e estão relacionadas ao impacto do coronavírus no organismo.

Vale ressaltar que, por ora, essas ocorrências são relatadas nos pacientes que testaram positivo e tiveram sintomas de covid-19. Contudo, não se descarta que, no futuro, os estudos demonstrem que os pacientes assintomáticos também possam apresentar sequelas.

Estudos e tratamento

Idosos, atletas, obesos, gestantes e até crianças não estão livres de apresentarem sequelas e complicações da infecção. Ainda não há uma regra, mas já existe uma prevalência nas pessoas com doenças preexistentes, como diabetes, obesidade, imunodeficiência ou condições como tabagismo que podem agravar quadros pulmonares e nas pessoas de mais idade.

Falta de ar, cansaço, dores musculares, perda de olfato e paladar e distúrbios de ansiedade, esse conjunto de sintomas ligados às sequelas da covid-19 precisam ser combatidos de forma multidisciplinar.

O paciente deve fazer um check-up cardíaco e procurar um pneumologista. A fisioterapia é indicada para reabilitação e tratamento dos problemas musculares e respiratórios. Em alguns casos, há intervenção medicamentosa.

Nessa linha de cuidados, também são importantes as avaliações de psicólogos, psiquiatras e de um geriatra para os pacientes idosos.


*Com informações do site da Prefeitura Municipal de São Paulo e do Departamento de Infectologia no Hospital do Servidor Público Municipal 

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