Cuidados do trabalhador na exposição ao sol
Riscos da exposição solar no trabalho e a importância da proteção

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 23/02/2026

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O Brasil, por seu clima predominantemente tropical e altos índices de radiação solar ao longo de todo o ano, possui uma ampla parcela de trabalhadores que executam atividades ao ar livre e, consequentemente, enfrentam exposição contínua à radiação ultravioleta (UV). Essa exposição prolongada é um fator de risco importante para diversas doenças cutâneas, especialmente o câncer de pele — o tipo de câncer mais incidente no país.

Segundo a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma apresenta aproximadamente 263 mil novos casos anuais, representando mais de 30% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. Embora menos frequente, o melanoma cutâneo é mais agressivo e apresenta tendência de crescimento nas projeções atuais.

Evidências científicas demonstram que o trabalho ao ar livre aumenta significativamente a probabilidade de danos cutâneos. Estudos apontam que a exposição ocupacional ao sol intensifica a ocorrência de queimaduras, irritações, manchas, ceratose actínica e queilite actínica, além de elevar o risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer de pele.

Diante desse cenário, torna-se fundamental a adoção de medidas preventivas robustas, alinhadas às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e às normas regulamentadoras brasileiras. A aplicação rigorosa dessas medidas, aliada ao uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e boas práticas de segurança, desempenha papel central na proteção da saúde dos trabalhadores expostos ao sol.

Atenção!

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a Organização Internacional do Trabalho e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a radiação ultravioleta ocupacional é uma das principais causas de morte por câncer de pele não melanoma. Estimativas indicam que mais de 1,6 bilhão de trabalhadores em todo o mundo estão expostos à radiação UV durante suas atividades laborais, reforçando a necessidade de estratégias de proteção coletiva e individual.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca ainda a importância de:

  • Evitar a exposição solar entre 10h e 16h; 
  • Utilizar barreiras físicas de proteção contra os raios UV;
  • Aplicar protetor solar com FPS ≥ 30, com reaplicação periódica.

CUIDADOS NA EXPOSIÇÃO SOLAR NO TRABALHO

A exposição solar ocupacional exige um conjunto estruturado de ações preventivas. A seguir, apresentam-se os cuidados essenciais.

USO ADEQUADO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs)

O uso correto dos EPIs é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a exposição direta à radiação UV durante o trabalho ao ar livre. EPIs específicos para proteção solar funcionam como barreiras físicas que impedem a penetração dos raios UV e ajudam a prevenir lesões cutâneas e doenças ocupacionais relacionadas à exposição solar.

Os principais EPIs recomendados incluem:

  • Chapéus de aba larga ou capacetes com proteção de nuca: reduzem a radiação incidente sobre rosto, orelhas e pescoço — áreas altamente suscetíveis a danos solares.
  • Roupas de manga longa e calças com tecidos de proteção UV: preferencialmente com FPU adequado, garantindo proteção mesmo durante longas jornadas.
  • Óculos de proteção com filtro UV: essenciais para prevenir danos oculares, como catarata, pterígio e irritações.
  • Protetor solar com FPS ≥ 30: classificado como EPI conforme normas vigentes. Deve ser aplicado de forma uniforme em todas as áreas expostas e reaplicado periodicamente, especialmente em atividades com sudorese intensa.

Essas medidas atendem à NR 15, NR 21 e diretrizes internacionais de segurança ocupacional relacionadas à radiação UV, reforçando seu papel essencial na proteção da saúde do trabalhador.

HIDRATAÇÃO ADEQUADA

A hidratação é fundamental para prevenir agravos relacionados ao calor e à exposição solar. De acordo com o Ministério da Saúde, a ingestão contínua de água é indispensável para regular a temperatura corporal e evitar danos decorrentes do calor intenso.

Evidências técnicas e científicas mostram que a perda de apenas 1% a 2% da água corporal pode reduzir a concentração, provocar tonturas e aumentar o risco de acidentes no trabalho.

Recomendações:

  • Disponibilizar água fresca em locais de fácil acesso;
  • Incentivar a ingestão de líquidos ao longo da jornada;
  • Realizar pausas em áreas sombreadas para reidratação;
  • Observar sinais precoces de desidratação;
  • Considerar bebidas com eletrólitos em situações de calor extremo.

PRECAUÇÕES GERAIS

A exposição prolongada ao sol e ao calor pode causar efeitos diretos — como desidratação, exaustão por calor e insolação — e efeitos indiretos, como queda de produtividade, redução da concentração e maior risco de acidentes. Portanto, medidas preventivas devem ser incorporadas de forma sistemática à rotina laboral.

Principais recomendações:

  • Realizar pausas frequentes em áreas sombreadas ou frescas;
  • Ajustar horários de trabalho para evitar períodos de maior calor;
  • Monitorar temperatura, umidade e radiação solar durante a jornada;
  • Identificar precocemente sinais de estresse térmico;
  • Evitar superfícies refletoras que amplificam a radiação UV.

A adoção integrada dessas práticas contribui significativamente para ambientes de trabalho mais seguros e reduz a probabilidade de agravos decorrentes da exposição solar e do calor excessivo.

PRINCIPAIS CENTROS DE REFERÊNCIA NO ATENDIMENTO A QUEIMADOS EM SÃO PAULO (CAPITAL)

Os centros listados abaixo atendem queimados, incluindo queimaduras solares quando apresentam maior gravidade ou risco clínico associado.

  1. Centro de Tratamento de Queimados – Hospital Municipal do Tatuapé (HMCC)

Referência no atendimento de queimaduras, com equipe especializada, leitos específicos e UTI para queimados. Atendimento 24h.
Endereço: Av. Celso Garcia, 4815 – Tatuapé, São Paulo – SP
Telefones: (11) 6191-7000 • (11) 3394-7243 • (11) 3237-4747

Informações oficiais:
https://sbqueimaduras.org.br/centros-de-atendimento/ctqs-do-brasil/ctq-hmcc

  1. Unidade de Tratamento de Queimaduras – Hospital São Paulo (UNIFESP)

Centro de referência nacional com forte atuação acadêmica e clínica.
Endereço: Rua Napoleão de Barros, 787 – Vila Clementino, São Paulo – SP

Informações oficiais:
https://www.hospitalpaulista.com.br/quem-somos

  1. Beneficência Portuguesa de São Paulo (Dermatologia)

Instituição privada de referência em dermatologia clínica, cirúrgica e oncológica.
Endereço: Rua Maestro Cardim, 769 – Bela Vista, São Paulo – SP
Telefone: (11) 3505-1000
Informações oficiais: https://bp.org.br/especialidade/dermatologia/

REFERÊNCIAS 

  1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil. Ministério da Saúde; 2026.
  2. Pesquisa sobre efeitos da exposição solar ocupacional e incidência de lesões cutâneas em trabalhadores ao ar livre no Brasil. Caminhar; ano não informado.
  3. Estudo nacional sobre prevalência de exposição solar entre trabalhadores brasileiros e fatores associados. Terra; ano não informado.
  4. World Health Organization (WHO); International Labour Organization (ILO). Joint estimates on occupational exposure to ultraviolet radiation and non-melanoma skin cancer burden. Genebra; ano não informado.
  5. Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Recomendações oficiais de fotoproteção e prevenção de câncer de pele. SBD; ano não informado.
  6. Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora NR 15: Atividades e Operações Insalubres. Brasília (DF); ano não informado.
    Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora NR 21: Trabalho a Céu Aberto. Brasília (DF); ano não informado.
  7. Ministério da Saúde (BR). Orientações sobre hidratação e prevenção de agravos relacionados ao calor e ao trabalho. Brasília (DF); ano não informado.
  8. Estudo técnico sobre efeitos da desidratação no desempenho físico e cognitivo de trabalhadores expostos ao calor. Ano não informado.
  9. Bernhoeft R. Exposição ao sol: perigos e estratégias de proteção no ambiente de trabalho. Bonde; ano não informado.
  10. VIG – Segurança e Saúde no Trabalho. Estresse térmico: riscos, sintomas e medidas de prevenção no ambiente laboral. Ano não informado.
  11. Tribunal Superior do Trabalho (TST). Programa Trabalho Seguro: orientações de prevenção ao calor e à exposição solar. Brasília (DF); ano não informado.
  12. European Agency for Safety and Health at Work (EU-OSHA). Orientações sobre prevenção de doenças relacionadas ao calor e sinais de alerta. Luxemburgo; ano não informado.
  13. European Agency for Safety and Health at Work (EU-OSHA). Recomendações oficiais para segurança e saúde no trabalho. Luxemburgo; ano não informado.
  14. European Agency for Safety and Health at Work (EU-OSHA). Guia prático para prevenção de riscos relacionados a altas temperaturas no trabalho. Luxemburgo; ano não informado.

VÍDEOS RECOMENDADOS SOBRE EXPOSIÇÃO AOS RAIOS SOLARES

A seguir, sugerimos dois vídeos educativos produzidos por entidades públicas e personalidades de referência na área da saúde, selecionados pela confiabilidade e relevância para a prevenção de danos causados pela radiação ultravioleta.

  • Dr. Drauzio Varella – Cuidados com o sol, calor e proteção da pele;

Conteúdo do canal oficial do Dr. Drauzio Varella, que aborda prevenção de queimaduras solares, riscos da exposição ao sol, hidratação e medidas de proteção no verão.

Disponível em:  https://www.youtube.com/drdrauziovarella/videos

  • Sociedade Brasileira de Dermatologia. Campanha Dezembro Laranja 2023 – Exposição Solar [Internet]. YouTube; 2023. 

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rjXqx8JqZas


PARA SABER MAIS