
Dia mundial de combate ao câncer de pulmão
Diagnóstico precoce e acesso ao rastreamento podem salvar vidas
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 03/08/2026
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Celebrado em 1º de agosto, o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão chama a atenção para uma doença que ainda está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Ela começa quando algumas células do pulmão passam a crescer de maneira descontrolada, podendo atingir outras partes do organismo.
O conhecimento sobre a doença avançou especialmente a partir da década de 1950, quando importantes pesquisas demonstraram a relação entre o cigarro e o câncer de pulmão. Desde então, novos estudos permitiram identificar outros fatores de risco e desenvolver exames e tratamentos mais eficazes. Mesmo assim, muitos casos ainda são descobertos em fases avançadas.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima aproximadamente 35 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Somente no Estado de São Paulo, são esperados cerca de 8,5 mil novos casos em 2026. Esses números mostram a importância da prevenção, da atenção aos sinais do organismo e da procura por avaliação médica.
Embora o tabagismo seja o principal fator de risco, a doença também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. A exposição à fumaça de outras pessoas, à poluição e a determinadas substâncias no ambiente de trabalho também pode aumentar o risco. Por isso, informação, prevenção e diagnóstico no momento adequado são fundamentais para ampliar as possibilidades de tratamento.
CÂNCER DE PULMÃO
O câncer de pulmão começa quando algumas células desse órgão sofrem alterações e passam a se multiplicar de forma descontrolada. Com o tempo, elas podem formar um tumor, uma massa formada pelo crescimento anormal de células, capaz de prejudicar o funcionamento do órgão afetado — neste caso, o pulmão — e comprometer a respiração.
Após analisar uma pequena amostra do tumor, os médicos classificam a doença em dois grandes grupos: o câncer de pequenas células, no qual as células doentes são menores e costumam se multiplicar e se espalhar rapidamente; e o câncer de não pequenas células, que reúne diferentes tipos de tumor que não apresentam esse mesmo padrão e representa a maioria dos casos. Essa classificação ajuda a definir o tratamento mais adequado.
O câncer pode permanecer apenas no pulmão ou se espalhar para outras partes do organismo. Essa disseminação da doença recebe o nome de metástase. Entretanto, quando um câncer iniciado em outro órgão chega ao pulmão, ele continua sendo identificado pelo local onde começou.
Para escolher o tratamento, a equipe médica procura identificar o tipo do câncer, sua localização e se a doença permanece somente no pulmão ou alcançou outras partes do corpo. Também são consideradas as condições gerais de saúde do paciente, pois cada pessoa pode precisar de uma forma diferente de cuidado.
FATORES DE RISCO
Um fator de risco é uma condição ou exposição que aumenta a possibilidade de uma pessoa desenvolver determinada doença. Isso não significa que todas as pessoas expostas terão câncer de pulmão, assim como a doença também pode surgir em quem não apresenta um fator conhecido.
O tabagismo é o principal fator de risco e está relacionado a aproximadamente 85% dos casos. O perigo aumenta conforme a quantidade de cigarros consumidos e o tempo durante o qual a pessoa fumou. A exposição frequente à fumaça produzida por outras pessoas, conhecida como tabagismo passivo, também eleva o risco.
Segundo a Profa. Dra. Fernanda Maris Peria, médica oncologista e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), o câncer de pulmão “está, em grande parte, relacionado ao tabagismo, seja ele passivo ou ativo”. A especialista também esclarece que a doença pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram, inclusive em razão de alterações genéticas.
Outros fatores incluem o avanço da idade, casos da doença na família, algumas doenças pulmonares e a exposição prolongada à poluição. No trabalho, o contato frequente com amianto, poeira de sílica, fumaça de motores a diesel, fumaça de soldagem, fuligem e determinados metais também pode aumentar o risco. Trabalhar em atividades de limpeza ou manutenção não significa que a pessoa desenvolverá câncer: o risco depende da substância presente, da intensidade e duração da exposição e das medidas de proteção adotadas.
SINAIS E SINTOMAS
Nas fases iniciais, o câncer de pulmão pode não apresentar sintomas ou causar alterações leves, facilmente confundidas com problemas respiratórios comuns. Isso acontece porque um tumor pequeno pode crescer por algum tempo sem interferir de forma perceptível na respiração. Em algumas situações, a alteração é descoberta por acaso durante um exame realizado por outro motivo.
À medida que o tumor cresce, ele pode irritar ou estreitar os canais por onde o ar passa. Entre os sinais mais comuns estão tosse persistente, piora ou mudança na tosse habitual, falta de ar, chiado, rouquidão e dor ou desconforto no peito. A dor pode ficar mais intensa ao respirar profundamente, tossir ou rir. Também pode aparecer sangue no catarro eliminado durante a tosse.
O tumor também pode dificultar a passagem do ar e favorecer infecções respiratórias. Por isso, pneumonias ou bronquites que se repetem ou não melhoram como esperado precisam ser investigadas. Cansaço, fraqueza, redução do apetite e perda de peso sem motivo conhecido também podem ocorrer. Em fases mais avançadas, os sinais variam conforme as partes do organismo atingidas pela doença.
Essas manifestações não significam necessariamente que a pessoa esteja com câncer, pois podem ter muitas outras causas. Entretanto, sintomas que persistem, pioram ou aparecem sem explicação devem ser avaliados por um profissional de saúde. A presença de sangue no catarro, dor intensa no peito ou dificuldade importante para respirar exige atendimento sem demora.
DIAGNÓSTICO
A investigação geralmente começa com uma consulta médica, na qual são avaliados os sintomas, o histórico de saúde, o hábito de fumar e possíveis exposições ocorridas no trabalho ou no ambiente. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames de imagem, como radiografia do tórax ou tomografia computadorizada, para observar os pulmões com mais detalhes.
Segundo o Dr. Márcio Valente Yamada Sawamura, médico radiologista, doutor em Radiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pesquisador do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, um dos desafios do rastreamento é obter imagens suficientemente nítidas mesmo utilizando uma quantidade menor de radiação. Conforme explica o médico, “o câncer de pulmão pode começar como um nódulo muito pequeno no pulmão […] a gente precisa conseguir ver na imagem esses nódulos de dois, três milímetros”. Um nódulo é uma pequena área arredondada que aparece no pulmão, mas sua presença não significa necessariamente que exista um câncer.
Quando uma alteração suspeita é encontrada, pode ser necessário realizar uma biópsia, procedimento no qual uma pequena amostra do tumor é retirada e examinada em laboratório. Esse exame permite confirmar se existem células cancerosas e identificar o tipo da doença. Outros exames podem mostrar se o câncer permanece no pulmão ou alcançou outras partes do corpo, além de ajudar a encontrar características do tumor que orientem a escolha do tratamento.
O rastreamento é diferente da investigação de sintomas: ele procura identificar a doença em pessoas que ainda não apresentam sinais, mas possuem maior risco, especialmente devido a um histórico importante de tabagismo. O exame utilizado é a tomografia de baixa dose, feita com uma quantidade menor de radiação. Ela não é indicada para toda a população, pois também pode encontrar alterações que não são câncer e levar a exames desnecessários. A decisão deve ser tomada após avaliação médica e conversa sobre os possíveis benefícios e riscos.
TRATAMENTO
O tratamento do câncer de pulmão é planejado de forma individual. A escolha depende do tipo do tumor, de sua localização, de quanto a doença se espalhou e das condições gerais de saúde do paciente. Em muitos casos, diferentes formas de tratamento são combinadas e o acompanhamento é realizado por uma equipe com profissionais de várias áreas.
Quando a doença é descoberta em uma fase inicial e permanece localizada, a cirurgia pode ser indicada para retirar o tumor e uma parte do pulmão ao seu redor. A quantidade retirada varia de acordo com o tamanho e a posição do tumor. A radioterapia, que utiliza radiação direcionada para destruir ou impedir o crescimento das células doentes, pode ser usada antes ou depois da cirurgia ou quando a operação não é possível.
A quimioterapia utiliza medicamentos que circulam pelo organismo para destruir as células cancerosas ou reduzir seu crescimento. Alguns pacientes também podem receber terapia-alvo, composta por medicamentos desenvolvidos para agir sobre características específicas do tumor, ou imunoterapia, que ajuda o sistema de defesa do próprio organismo a reconhecer e combater as células doentes. Esses tratamentos não são indicados para todas as pessoas e dependem dos resultados dos exames.
O objetivo do tratamento pode ser eliminar o câncer, controlar seu avanço ou aliviar sintomas como dor e falta de ar. Os cuidados para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida podem ser oferecidos desde o diagnóstico, juntamente com outros tratamentos, e não apenas quando a doença está avançada. Durante todo o processo, os benefícios e os possíveis efeitos indesejados devem ser discutidos com a equipe responsável.
RISCOS E COMPLICAÇÕES
As possíveis complicações do câncer de pulmão dependem do tamanho e da localização do tumor, da fase em que a doença foi descoberta e das condições gerais de saúde do paciente. Elas não ocorrem da mesma maneira em todas as pessoas e algumas podem ser prevenidas ou controladas com acompanhamento adequado.
O crescimento do tumor pode estreitar ou bloquear a passagem do ar, provocando falta de ar e favorecendo pneumonias que se repetem. Também pode ocorrer o acúmulo de líquido no espaço ao redor do pulmão, dificultando sua expansão durante a respiração. Dor no peito, sangramento durante a tosse e piora da capacidade respiratória também podem surgir.
Quando a doença alcança outras partes do corpo, as complicações variam conforme o órgão atingido. Podem ocorrer, por exemplo, dores nos ossos, fraqueza, dores de cabeça ou alterações do equilíbrio. Entretanto, a presença desses sintomas não confirma que o câncer tenha se espalhado, pois somente a avaliação médica e os exames podem determinar sua causa.
Os tratamentos também podem provocar efeitos indesejados, como cansaço, náuseas, redução do apetite, maior possibilidade de infecções ou irritação dos pulmões e da região por onde passam os alimentos. Esses efeitos variam de acordo com o tratamento e devem ser comunicados à equipe responsável. O paciente não deve interromper medicamentos ou sessões por conta própria, pois muitas reações podem ser acompanhadas e tratadas.
PREVENÇÃO
A principal medida para prevenir o câncer de pulmão é não fumar. Não existe quantidade segura de consumo nem forma inofensiva de utilizar o tabaco. Cigarros industrializados ou de palha, charutos, cachimbos e narguilés liberam substâncias capazes de provocar alterações nas células. Respirar frequentemente a fumaça produzida por outras pessoas, situação conhecida como tabagismo passivo, também aumenta o risco.
Para quem fuma, parar é benéfico em qualquer idade e mesmo depois de muitos anos de consumo. O risco de desenvolver câncer de pulmão diminui progressivamente após a interrupção, além de ocorrerem benefícios para o coração, a circulação e a respiração. A dependência da nicotina é uma condição de saúde e não deve ser tratada como simples falta de força de vontade. Orientação profissional, acompanhamento e, quando indicados, medicamentos podem ajudar nesse processo.
Segundo o Prof. Dr. Gilberto de Castro Junior, médico oncologista, livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe do Grupo de Oncologia Clínica de Tórax, Cabeça e Pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a maioria dos casos ainda está relacionada ao tabagismo, um fator evitável que deve ser prioridade nas ações de saúde pública. Os cigarros eletrônicos, também chamados de vapes ou pods, não devem ser considerados uma alternativa segura, e sua comercialização permanece proibida no Brasil.
No ambiente de trabalho, a prevenção também exige o controle de poeiras, fuligem, fumaça de motores a diesel, amianto e outras substâncias perigosas. A empresa deve avaliar as exposições, orientar os trabalhadores e priorizar medidas que reduzam o contaminante no próprio ambiente. Quando necessário, deve fornecer o equipamento de proteção adequado para a atividade. O trabalhador deve utilizá-lo corretamente e comunicar situações de exposição não prevista.
ONDE BUSCAR AJUDA
Pessoas com sintomas persistentes, histórico importante de tabagismo ou dúvidas sobre a saúde dos pulmões devem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A unidade poderá realizar a avaliação inicial e, quando necessário, encaminhar o paciente para exames e serviços especializados. A UBS também pode orientar quem deseja parar de fumar.
Brasil
Instituto Nacional de Câncer — Onde tratar pelo SUS
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tratamento/onde-tratar-pelo-sus
Ministério da Saúde — Hospitais habilitados em oncologia no SUS
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/cgcan/hospitais-habilitados
🏥 Estado de São Paulo
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo — Centros habilitados para o tratamento do câncer
https://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage-old/outros-destaques/tratamento-de-cancer-pelo-sus/relacao-dos-centros-habilitados-para-tratamento-do-cancer.
📍 Cidade de São Paulo
Busca Saúde — localização da UBS mais próxima
http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/
Secretaria Municipal da Saúde — Unidades Básicas de Saúde
https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/estabelecimento_saude/311233
Programa Municipal de Controle do Tabagismo
https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/tabagismo
e-saúdeSP — serviços digitais de saúde
https://e-saudesp.prefeitura.sp.gov.br/#/
CONCLUSÃO
O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão reforça que conhecer os fatores de risco e reconhecer mudanças persistentes na saúde pode contribuir para a prevenção e para a procura por atendimento no momento adequado. Embora seja uma doença grave, os avanços nos exames e nos tratamentos têm ampliado as possibilidades de cuidado.
Como o tabagismo está relacionado à maioria dos casos, não começar a fumar e buscar ajuda para abandonar o cigarro são as principais medidas de prevenção. Também é necessário evitar a fumaça de outras pessoas e controlar a exposição a poeiras, fuligem, fumaça de motores e outras substâncias perigosas no ambiente de trabalho.
Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, sangue no catarro ou infecções respiratórias que se repetem não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados. Informação confiável, ambientes mais seguros e acesso à avaliação médica ajudam a reduzir riscos e favorecem a identificação da doença em fases nas quais o tratamento pode oferecer melhores resultados.
REFERÊNCIAS
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Diferença entre os 5 principais tipos de câncer; Drauzio Varella; 23 de fevereiro de 2023;
Como o cigarro provoca câncer de pulmão; Drauzio Varella; 30 de abril de 2026;
PARA SABER MAIS – Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF)
Cigarros Eletrônicos; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; 15 de julho de 2024; https://institutoagf.com.br/vipe
A nova face do câncer de pulmão; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; 4 de maio de 2026;
https://institutoagf.com.br/a-nova-face-do-cancer-de-pulmao
Câncer de pulmão – causas e sintomas; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes;
https://institutoagf.com.br/cancer-de-pulmao-causas-e-sintomas