
Lipedema
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – Rafael Bombein (CREF 016866/SP) – 17/02/2025
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Um acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços é a principal característica do lipedema, doença que foi descrita pela primeira vez em 1940 e que até hoje é comumente confundida com obesidade ou excesso de gordura comum. Mas diferente da obesidade, a gordura característica do lipedema, marcada por fibrose, pelo aspecto de “casca de laranja” ou “grãos de arroz” e pelo acúmulo significativo de nódulos que se assemelham às celulites, não responde a dieta e exercícios físicos.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde reconheceu o lipedema como uma doença distinta. Em 2022, o quadro foi incluído na Classificação Internacional de Doenças, um manual amplamente utilizado como referência global para identificação e registro de condições de sáude.
O lipedema afeta cerca de 11% das mulheres cisgênero (pessoas que se identificam com o sexo biológico que lhes foi atribuído ao nascer), de acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. No entanto, a condição continua envolta em incertezas. Apesar dos avanços significativos na compreensão de sua fisiologia, diagnóstico e tratamento, mais clareza é necessária à medida que a conscientização e os diagnósticos aumentam.
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de tecido adiposo subcutâneo, especialmente nos membros inferiores, e afeta quase exclusivamente mulheres cisgênero. A razão para essa disparidade de gênero não é clara. Pode ser uma característica intrínseca da doença ou um resultado da falta de familiaridade dos médicos com o lipedema, o que frequentemente leva ao diagnóstico incorreto de obesidade. Esse diagnóstico incorreto resulta em menos homens buscando tratamento.
A pesquisa tem se concentrado predominantemente em mulheres, e as evidências sugerem que os hormônios desempenham um papel crucial na fisiopatologia da doença. O lipedema geralmente se manifesta durante períodos de mudanças hormonais, como puberdade, gravidez, menopausa e terapias de reposição hormonal, reforçando a ideia de que os hormônios influenciam significativamente o desenvolvimento e a progressão da condição.
PRINCIPAIS SINTOMAS
Segundo Jonathan Kartt, CEO da Lipedema Foundation, enfatizou que a dor intensa nas áreas de acúmulo de tecido adiposo é um sintoma característico do lipedema, diferenciando-o da obesidade. Os níveis de dor podem variar amplamente entre os pacientes, variando de moderado a grave, com picos insuportáveis em certos dias; Kartt enfatiza importância de reconhecer e abordar esse sintoma frequentemente subestimado.
O lipedema é caracterizado por um aumento bilateral e simétrico da massa em comparação com o resto do corpo. Isso é comumente distinguido pelo “sinal do manguito”, uma separação entre o tecido normal nos pés e o tecido anormal do tornozelo para cima. Outros sintomas frequentes incluem uma sensação de peso, desconforto, fadiga, hematomas frequentes e cansaço. Um sinal notável é a presença de nódulos subcutâneos com uma textura semelhante à dos grãos de arroz, que são cruciais para diferenciar o lipedema de outras condições. A palpação durante a anamnese é essencial para identificar esses nódulos e confirmar o diagnóstico.
“É crucial investigar o histórico familiar para predisposição genética. Além disso, é fundamental perguntar se, mesmo com a perda de peso, as áreas afetadas retêm gordura acumulada. Alterações hormonais, sintomas de dor e impacto na qualidade de vida também devem ser cuidadosamente avaliados”, aconselhou Kartt.
DIAGNÓSTICO
Dr. André Murad, consultor clínico do Instituto Lipedema Brasil, vem explorando novas abordagens diagnósticas para o lipedema além da anamnese tradicional. Durante sua apresentação no Congresso Internacional sobre Obesidade (ICO), 2024, ele compartilhou estudos sobre a eficácia de exames de imagem como ultrassom, tomografia e ressonância magnética no diagnóstico do aumento característico do tecido subcutâneo associado ao lipedema.
ABORDAGENS DE TRATAMENTO
Os tratamentos para lipedema ainda estão evoluindo, com debate considerável sobre a melhor abordagem. Enquanto alguns especialistas defendem exclusivamente o tratamento conservador, outros recomendam combinar esses métodos com intervenções cirúrgicas, dependendo do estágio da doença. A relativa novidade do lipedema e a escassez de estudos robustos e de longo prazo contribuem para a incerteza em torno da eficácia do tratamento.
O tratamento conservador normalmente inclui compressão, técnicas de drenagem linfática e terapia de pressão. Um estilo de vida ativo e uma dieta saudável também são recomendados. Embora essas medidas não impeçam o acúmulo de tecido adiposo, elas ajudam a reduzir a inflamação e melhorar a qualidade de vida. “Embora as causas do lipedema não sejam totalmente conhecidas, o gerenciamento do estilo de vida é essencial para controlar os sintomas, começando com uma dieta anti-inflamatória”, enfatizou Dr. Murad.
Como a insulina promove a lipogênese, uma dieta que evite picos nos níveis glicêmicos e de insulina é aconselhável. A resistência à insulina pode exacerbar a formação de edema, então uma dieta mediterrânea pode ser benéfica. Essa dieta limita carboidratos de rápida absorção, como açúcar adicionado, grãos refinados e alimentos ultraprocessados, enquanto promove carboidratos complexos de grãos integrais e leguminosas.
Referencias
https://cearaagora.com.br/lipedema-a-nova-doenca-na-lista-da-oms-que-talvez-voce-tenha-sem-saber/
https://www.lipedema.org/about
Para saber mais
Lipedema: doença crônica do tecido adiposo; Prof. Dr. Alexandre Amato;
Amato – Instituto de Medicina Avançada; 7 de dezembro de 2017;
De onde vem o lipedema; Prof. Dr. Alexandre Amato;
Amato – Instituto de Medicina Avançada; 2 de janeiro de 2020;
3 Sinais de Alerta de Lipedema Que Você Deve Conhecer Agora; Prof. Dr. Alexandre Amato;Amato – Instituto de Medicina Avançada; 16 de fevereiro de 2021;