
GLAUCOMA
Uma das principais causas de cegueira no mundo
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 20/10/2025
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Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, o glaucoma é segunda principal causa de cegueira no mundo.
O Glaucoma é uma doença multifatorial complexa, com características específicas, em que ocorre um dano ao nervo óptico e perda progressiva e irreversível do campo visual. Este dano óptico geralmente é causado por um aumento da pressão dentro do olho (pressão intraocular ou PIO); pacientes com níveis normais de pressão intraocular também podem desenvolver glaucoma.
A pressão ocular (pressão interna do globo ocular ou tensão ocular) deve manter-se dentro de determinados limites, à volta dos 15 mm Hg (pressão normal do olho) embora possa oscilar entre os 10 e 22 mm Hg (valores limite), sendo uma condição essencial para garantir o correto funcionamento do olho.
Existem vários fatores que contribuem para a conservação da pressão intraocular nos valores normais, destacando-se a produção do humor aquoso; o humor aquoso é um líquido transparente, constituído por água e sais dissolvidos. Tem como função nutrir a córnea e o cristalino, além de regular a pressão interna do olho (pressão intraocular).
O glaucoma ocular é uma doença, habitualmente, assintomática nas fases iniciais e que pode provocar cegueira, ou perda de visão severa, se não for diagnosticada e tratada de forma atempada e adequada.
TIPOS DE GLAUCOMA
Entre os principais tipos de glaucoma estão:
- Glaucoma primário de ângulo aberto: é o tipo mais comum. Ele ocorre quando o sistema de drenagem do humor aquoso (líquido transparente) é ineficiente, fazendo com que esse líquido se acumule e a pressão ocular fique elevada, o que pode levar à perda gradual da visão periférica.
- Glaucoma agudo de ângulo fechado: ocorre quando o ângulo entre a íris e a córnea é bloqueado, causando um aumento rápido e doloroso da pressão ocular. Trata-se de uma emergência médica que exige tratamento imediato para evitar danos ao nervo óptico.
- Glaucoma secundário: surge após outras condições médicas ou oculares, como diabetes ou uso prolongado de corticosteroides.
ATENÇÃO!
O Glaucoma não é câncer. No entanto, alguns tratamentos para câncer, como o uso de corticosteroides, podem aumentar a pressão intraocular e agravar ou desencadear glaucoma em pacientes oncológicos.
CAUSAS DO GLAUCOMA
Os principais fatores de risco do glaucoma incluem:
- Aumento da pressão intraocular.
- Obstrução na drenagem do humor aquoso (fluido transparente que preenche as câmaras do olho).
- Idade avançada.
- Pessoas com retinopatia diabética (retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que afeta os olhos e pode causar danos irreversíveis à visão, levando até à cegueira) têm um risco aumentado de desenvolver glaucoma. A condição causa danos aos vasos sanguíneos da retina devido ao diabetes.
- Uso prolongado de corticosteroides.
SINTOMAS DE GLAUCOMA
Inicialmente, o glaucoma pode não causar sintomas, o que torna essencial o acompanhamento médico regular para prevenir a progressão da doença.
Sintomas, de acordo com o tipo de glaucoma:
GLAUCOMA PRIMÁRIO DE ÂNGULO ABERTO
Ocorre em 80% dos casos e não apresenta sintomas no início. No entanto, se não for tratado precocemente, o paciente pode perder totalmente a visão com o passar dos anos.
Geralmente não apresenta sintomas iniciais. A perda de visão periférica ocorre lentamente e pode passar despercebida até que a visão central também seja afetada.
Em estágios avançados, há perda gradual da visão periférica, que pode ficar embaçada ou deteriorada.
GLAUCOMA AGUDO DE ÂNGULO FECHADO
Em geral ocorre em pacientes hipermetropes (refere-se a pessoas com hipermetropia, uma condição que causa dificuldade para enxergar de perto e é causada por raios de luz que focam atrás da retina), com episódios de aumento de pressão intraocular, muitas vezes acompanhados de sensação de peso no olho ou borramento visual unilateral transitório. Necessitam de tratamento específico, que inclui iridotomia (procedimento oftalmológico) a laser.
Os sintomas incluem:
- Dor nos olhos intensa.
- Visão embaçada ou deteriorada.
- Olhos vermelhos e inchados.
- Náuseas e vômitos.
- Dor na testa.
- Lacrimação excessiva.
- Sensibilidade à luz
- Nebulosidade na parte frontal do olho.
GLAUCOMA SECUNDÁRIO
Glaucoma decorrente de outras doenças ou trauma ocular. Em certos casos, estão associados com cirurgia ocular ou cataratas avançadas, lesões oculares, alguns tipos de tumor ou uveíte (inflamação ocular). Da mesma forma, os corticosteroides – usados para tratar inflamações oculares e outras doenças, podem desencadear o glaucoma em algumas pessoas se usados indiscriminadamente.
Os sintomas podem variar de acordo com a causa, mas geralmente provoca:
- Perda gradual da visão periférica
- Visão embaçada ou deteriorada
- Dor nos olhos.
- Olhos vermelhos e inchados.
- Dor na testa.
DIAGNÓSTICO DO GLAUCOMA
O diagnóstico do glaucoma envolve exames oftalmológicos para avaliar a pressão intraocular, o estado do nervo óptico e a saúde geral dos olhos.
Durante a consulta, o oftalmologista coleta informações sobre sintomas, histórico familiar de glaucoma e quaisquer condições médicas pré-existentes.
Em seguida, pode-se avaliar a pressão intraocular. Podem ser solicitados os seguintes exames:
- Exame do nervo óptico para verificar se há sinais de danos ou alterações.
- Testes de campo visual para avaliar a extensão da visão periférica.
- Tomografia de coerência óptica para ter uma visão detalhada das camadas da retina e do nervo óptico, ajudando a identificar alterações estruturais precoces.
- Teste de espessura da córnea.
O glaucoma é uma doença crônica e progressiva que não tem cura. Embora não seja possível reverter os danos já causados, o controle da pressão intraocular e a intervenção precoce podem retardar a progressão da doença e preservar a visão.
TRATAMENTO PARA GLAUCOMA
Entre os tratamentos indicados para glaucoma, destacam-se:
- Medicamentos oculares, o que inclui colírios e pomadas que ajudam a reduzir a pressão intraocular.
- Tratamento a laser para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão ocular.
- Medicamentos orais para reduzir rapidamente a pressão intraocular.
- Intervenção cirúrgica.
Para diagnóstico e tratamento de glaucoma, o médico indicado é o oftalmologista. O especialista é responsável por tratar de diversas condições oculares e fornecer uma avaliação completa da saúde ocular.
Cabe a ele fazer o acompanhamento em casos de glaucoma, solicitar exames, prescrever medicamentos e realizar procedimentos, como cirurgias, quando necessários.
Referencias
https://www.sbglaucoma.org.br/medico/o-que-e-glaucoma/
https://ibap.org.br/o-que-e-glaucoma/
Para saber mais
Diagnóstico precoce pode evitar perda de visão; Drauzio Varella; 26 de julho de 2023;
Glaucoma – Causas, Sintomas e Tratamento; Sua Saúde na Rede; 2 de junho de 2014;