Salmonella
O impacto das doenças transmitidas por alimentos

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 17/11/2025

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O impacto das doenças transmitidas por alimentos é substancial: quase 1 em cada 10 pessoas adoece todos os anos e muitas vidas são perdidas. Essas doenças podem ser graves, especialmente para crianças pequenas. As doenças diarreicas são as mais comuns resultantes da contaminação por alimentos, afetando 550 milhões de pessoas anualmente, incluindo 220 milhões de crianças menores de 5 anos. A Salmonella é uma das quatro principais causas globais de doenças diarreicas.

A Organização Mundial da Saúde estimou 153 milhões de infecções por Salmonella não tifoide em todo o mundo em 2010, das quais 56.969 foram letais e quase metade foi transmitida por alimentos. 

A salmonella é uma bactéria que causa infecções gastrointestinais, mais conhecidas como salmonelose ou gastroenterite por Salmonella, um gênero de diferentes tipos de bactérias que contaminam alimentos diversos, como ovos e carnes malcozidas, e são capazes de causar problemas de saúde diversos nos seres humanos. 

TIPOS DE SALMONELLA

Existem diferentes tipos de Salmonella. A Salmonella enterica é o tipo que causa doenças como a enterocolite aguda, que provoca dores intensas e inflamações no trato do sistema digestivo, com foco nos intestinos delgado e grosso. A Salmonella enterica é, ainda, dividida em outras subespécies da bactéria, como a Salmonella spp, que, por sua vez, também tem subdivisões, resultando na Salmonella typhi

A doença é dividida em salmonella não tifoide, na qual o paciente fica doente por um determinado período e apesar dos sintomas severos, são poucas as chances de óbito, e em febre tifoide (causada pela Salmonella typhi), na qual o paciente precisa de atendimento médico urgente devido às elevadas taxas de óbito.

TRANSMISSÃO DE SALMONELLA

A salmonella é causada por bactérias do gênero salmonella, sendo contraída por meio da ingestão de alimentos que estejam contaminados com a bactéria. A salmonella nos ovos malcozidos é muito conhecida, mas poucos sabem que carnes de aves, como o frango e o pato, o leite não pasteurizado e até mesmo a água são passíveis de contaminação pela bactéria. 

Ela também é transmitida por meio da ingestão de alimentos contaminados com fezes de animais a bactéria é encontrada normalmente em animais como galinhas, porcos, répteis, anfíbios, vacas e até mesmo em animais domésticos, como cachorros e gatos. Dessa forma, qualquer alimento que venha desses animais ou que tenha entrado em contato com suas fezes podem ser consideradas vias de transmissão da Salmonella.

 A Salmonella pode causar dois tipos de doença, dependendo do sorotipo (sorotipo é um grupo de micro-organismos (como vírus ou bactérias) que compartilham antígenos (antígeno é qualquer substância, geralmente estranha ao organismo, que pode desencadear uma resposta imunológica) em comum, mas que apresentam variações entre si): salmonelose não tifoide e febre tifoide.

Os sintomas da salmonelose não tifoide podem ser bastante desagradáveis, mas a doença geralmente é autolimitada entre pessoas saudáveis (embora possa levar à morte em alguns casos). A febre tifoide é mais grave e tem uma taxa de mortalidade maior que a salmonelose não tifoide. A maioria dos casos de salmonelose não tifoide apresenta sintomas típicos de uma Doenças Transmitidas por Alimentos, como vômito, dores abdominais, febre e diarreia, que geralmente duram alguns dias e diminuem em uma semana.

SINTOMAS

Os sintomas de Salmonella não tifoide são semelhantes a outros problemas gastrointestinais, mas são confirmados por meio de exames de sangue e fezes, além da análise clínica do médico, conforme cada caso; os sintomas de salmonelose podem incluir;

  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Febre moderada;
  • Dor abdominal;
  • Mal-estar geral;
  • Cansaço;
  • Perda de apetite;
  • Calafrios.

Esses sintomas podem surgir entre 6 e 72 horas (usualmente entre 12 e 36 horas) após o consumo do alimento contaminado e costumam permanecer por cerca de 2 a 7 dias, até a completa recuperação do paciente. O contato com alguns animais infectados (incluindo animais de estimação) também pode transmitir a doença, se logo depois as mãos não forem lavadas. Os sintomas também variam de intensidade de acordo com a quantidade de alimento contaminado ingerido e o nível de contaminação do alimento.

Atenção!

As infecções mais graves acontecem em pessoas idosas e em crianças, devido à fragilidade do sistema imunológico. Pessoas com o sistema imunológico comprometido, como transplantados ou portadores da Aids/HIV, também podem apresentar quadros mais graves da infecção por Salmonella.

TRANSMISSÃO

A Salmonella está dispersa no meio ambiente e pode ser ingerida por meio de alimentos contaminados com fezes de animais, o que acontece, por exemplo, ao se comer carnes e ovos crus ou malpassado ou quando não se lava as mãos antes de cozinhar ou manipular alimentos. Também pode ser transmitida pelo contato com água contaminada. A bactéria é encontrada normalmente em animais como galinhas, porcos, répteis, anfíbios, vacas e até mesmo em animais domésticos, como cachorros e gatos. Dessa forma, qualquer alimento que venha desses animais ou que tenha entrado em contato com suas fezes, mesmo que pelas partículas do ar, são consideradas vias de transmissão da Salmonella (salmonelose não tifoide).

Embora a Salmonella comumente esteja associada a produtos de origem animal, alimentos frescos, quando contaminados, também transmite a doença. Alguns exemplos de alimentos que têm sido associados a surtos de salmonelose incluem carnes, aves, ovos, leite e produtos lácteos, pescados, temperos, molhos de salada preparados com ovos não pasteurizados, misturas de bolo e sobremesas que contêm ovo cru.

DIAGNÓSTICO

A detecção da Salmonella ocorre a partir do isolamento do agente nas fezes ou vômito ou ainda em amostras dos alimentos suspeitos consumidos. As fezes devem ser coletadas durante a fase aguda, antes do tratamento com antibióticos. Em pacientes com infecção ativa, do mesmo modo que para crianças ou indivíduos com dificuldade de obtenção de amostras, deve ser priorizada a utilização de swabs (swab, é semelhante a um cotonete, serve para coletar amostras biológicas de diferentes partes do corpo) retais.

Em pacientes com suspeita de febre tifoide, a pesquisa de Salmonella Typhi nas fezes é indicada a partir da segunda semana da doença, assim como na fase de convalescença e na detecção de portadores. Após a confirmação do diagnóstico, o médico pode indicar o tratamento mais adequado, conforme cada caso. O exame de fezes é fundamental porque ajuda o médico a identificar a bactéria que está causando a gastroenterite, permitindo selecionar o melhor antibiótico para eliminá-la.

PREVENÇÃO

A Salmonella pode ser prevenida por meio da adoção de medidas de controle em todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção agrícola até o processamento, fabricação e preparação de alimentos, tanto em estabelecimentos comerciais quanto nas residências.

Em casa, as medidas preventivas para Salmonella são semelhantes àquelas usadas contra outras doenças transmitidas por alimentos.

O contato entre bebês ou crianças pequenas com animais de estimação que podem estar transportando Salmonella (como gatos, cães e tartarugas) precisa de supervisão cuidadosa.

Algumas condutas simples podem evitar a contaminação, que incluem o manuseio correto de alimentos:

  • Lave sempre as mãos, antes, durante e depois de manipular ou consumir alimentos;
  • Lave bem os alimentos antes de consumir, especialmente frutas e verduras;
  • A carne deve ser bem cozida ou assada;
  • Os ovos devem ser bem cozidos;
  • Evite consumir alimentos em lanchonetes e restaurantes que apresentam condições precárias de higiene e conservação.

O QUE FAZER AO APRESENTAR OS SINTOMAS DE SALMONELLA

Caso apresente sintomas de salmonelose, é necessário procurar um médico clínico geral ou gastroenterologista, profissionais capacitados para diagnosticar a condição e indicar o tratamento mais adequado.

DIAGNÓSTICO DE SALMONELLA

O diagnóstico de salmonelose é realizado por meio de exames laboratoriais. Geralmente, uma amostra de fezes ou sangue do paciente é coletada para análise. O laboratório realiza um teste chamado cultura bacteriana, para identificar a presença da bactéria salmonella. 

Em alguns casos, também pode ser necessário realizar exames de imagem, como raio-x ou tomografia computadorizada. É fundamental buscar atendimento médico ao suspeitar da infecção para obter o diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado.

TRATAMENTO DA SALMONELLA

A salmonella não tifóide é uma doença autolimitada, na qual o paciente acaba superando os sintomas depois de uma semana. 

O tratamento da salmonella não tifóide é feito por meio do uso de medicamentos que aliviam a dor e os sintomas incômodos causados pela bactéria. Nos casos em que a salmonella consegue escapar do trato intestinal do paciente e se espalhar por outras partes do organismo, o tratamento engloba também antibióticos.

Atenção!

Mulheres grávidas, crianças e idosos são mais sensíveis às infecções intestinais, incluindo a Salmonella e devem ser levados ao médico logo que os primeiros sintomas forem identificados para evitar maiores complicações.