
Alcoolismo – a dependência de uma droga social
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 10/06/2025
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Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em abril de 2025, revelou que 49% dos brasileiros com 18 anos ou mais costumam consumir bebidas alcoólicas. A maior porcentagem (20%) bebê de uma a duas vezes por semana, enquanto 3% disseram consumir álcool quase diariamente. Outros 13% relataram beber com menor frequência, uma vez por mês ou menos.
Segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) o álcool, substância psicoativa com propriedades que causam dependência, tem sido amplamente utilizada em muitas culturas durante os séculos. Seu uso nocivo tem um grande peso na carga de doenças, além de um ônus social e econômico para as sociedades. O álcool afeta as pessoas e as sociedades de muitas formas e seus efeitos são determinados pelo volume consumido, pelos padrões de consumo e, em raras ocasiões, pela qualidade do álcool.
O uso nocivo do álcool também pode resultar em danos a outras pessoas, como membros da família, amigos, colegas de trabalho ou estranhos. Além disso, o uso nocivo de bebidas alcoólicas resulta em um fardo significativo em termos sociais, econômicos e de saúde.
O consumo de álcool é um fator causal em mais de 200 doenças e lesões. Está associado ao risco de desenvolvimento de problemas de saúde, tais como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência ao álcool, doenças não transmissíveis graves, como cirrose hepática, alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, bem como lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito.
Uma proporção significativa da carga de doenças atribuíveis ao consumo de álcool decorre de lesões intencionais e não intencionais, incluindo aquelas causadas por acidentes de trânsito, violência e suicídios. Lesões fatais relacionadas ao álcool tendem a ocorrer em grupos relativamente mais jovens.
As relações causais mais recentes são aquelas entre o uso nocivo de álcool e a incidência de doenças infecciosas, como a tuberculose e o HIV/aids. O consumo de álcool por mulheres grávidas pode causar síndrome fetal do álcool e complicações no parto prematuro.
PRINCIPAIS FATOS
- Em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool, representando 5,3% de todas as mortes.
- O uso nocivo de álcool é um fator causal para mais de 200 doenças e lesões.
- Em geral, 5,1% da carga mundial de doenças e lesões são atribuídas ao consumo de álcool, conforme calculado em termos de Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (DALY, sigla em inglês).
- O consumo de álcool causa morte e incapacidade relativamente cedo na vida. Na faixa etária de 20 a 39 anos, aproximadamente 13,5% do total de mortes é atribuível ao álcool.
- Existe uma relação causal entre o uso nocivo do álcool e uma série de transtornos mentais e comportamentais, além de doenças não transmissíveis e lesões.
- Foram estabelecidas recentemente relações causais entre o consumo nocivo do álcool e a incidência de doenças infecciosas, tais como tuberculose e HIV/aids.
- Além das consequências para a saúde, o uso nocivo do álcool provoca perdas sociais e econômicas significativas para os indivíduos e para a sociedade em geral.
O QUE É ALCOOLISMO
O alcoolismo é caracterizado pela vontade incontrolável de beber, falta de controle ao tentar parar a ingestão, tolerância ao álcool (doses cada vez maiores para sentir os efeitos da bebida) e dependência física, que se manifesta com sintomas físicos e psíquicos nas situações de abstinência alcoólica.
O diagnóstico de alcoolismo não tem relação com o tipo e quantidade da substância ingerida pela pessoa, mas sim à capacidade em controlar o consumo de bebida.
Além da já reconhecida predisposição genética para a dependência, outros fatores podem estar associados: ansiedade, angústia, insegurança, fácil acesso ao álcool e condições culturais. Por ser muito relacionado à socialização – os primeiros efeitos do álcool são euforia e desinibição – é comum que o hábito se inicie na adolescência, período em que começam a ser frequentes reuniões com oferta de bebidas alcoólicas.
No Brasil, 10% da população sofre com o alcoolismo. Os homens correspondem a 70% dos casos, enquanto as mulheres correspondem a 30%.
SINTOMAS
Os sinais e sintomas classicamente associados à dependência de substâncias são falta de controle sobre o uso, tolerância cada vez maior e manifestações de síndrome de abstinência. Neste último caso, a pessoa manifesta alguns sintomas quando interrompe o consumo de álcool: tremores nos lábios e extremidades (mãos, pés), náuseas, vômitos, suor excessivo, ansiedade, irritação, podendo evoluir para convulsões e estados de confusão mental, com falta de orientação no tempo e no espaço e alucinações.
DIAGNÓSTICO
Algumas questões úteis para avaliar se o indivíduo tem problemas com o álcool são:
- Você já sentiu que deveria diminuir a bebida?
- Você fica irritado quando criticam o seu hábito de beber?
- Você já se sentiu culpado por beber
- Você já ingeriu bebida alcoólica pela manhã?
Se uma das perguntas tiver a resposta SIM, é sinal de que é preciso investigar a questão de forma mais aprofundada. Procurar um médico é uma boa opção.
TRATAMENTO
O primeiro passo é o doente reconhecer que é alcoolista e querer mudar a situação. Depois, a família e/ou o dependente devem procurar um psicólogo ou psiquiatra, que avaliará as possibilidades de tratamento.
O tratamento pode envolver a desintoxicação, que é a retirada da bebida com acompanhamento profissional, a ingestão de medicamentos que auxiliam no controle do desejo de beber e aconselhamento individual ou em grupo.
O envolvimento da família é fundamental nessa etapa, pois o alcoolismo é uma doença que envolve não só o dependente, mas também todos de seu convívio.
IMPACTO
O álcool, junto com o tabagismo, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diversas doenças.
Quando utilizado por tempo prolongado, tem ação tóxica sobre diversos órgãos. O uso constante provoca danos ao sistema nervoso, podendo causar demência, bem como diminuição da sensibilidade e da força muscular nas pernas. Outras possíveis consequências são: no estômago, pode ocasionar gastrites e úlceras; no fígado, pode desencadear hepatites, acúmulo de gordura e cirrose; no pâncreas, gera pancreatite; e no sistema circulatório, aumenta o risco de miocardites, pressão alta, acidentes vasculares cerebrais e aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos).
O álcool também tem relação com o desenvolvimento de câncer no trato intestinal, na bexiga, próstata e outros órgãos.
Além disso, ficam prejudicadas as relações sociais. No excesso e na ausência dele, o dependente se torna irritado, tem tremores e crises de ansiedade, que só melhoram com o consumo cada vez maior.
Quem sofre com o problema pode procurar ajuda gratuita em qualquer Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) vinculado ao SUS ou em alguma unidade dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD); para acessar o CAPS-AD clique aqui https://cisa.org.br/encontre-ajuda
Referencias
https://media.folha.uol.com.br/datafolha/2025/05/05/dtfpncnsmbblcllca128242fasdfa.pdf
https://www.paho.org/pt/topicos/alcool
https://www.einstein.br/n/glossario-de-saude/alcoolismo
Para saber mais
Dependência de álcool: o que é, impacto na saúde e efeitos do consumo; ; Hospital Israelita Albert Einstein; 04 de julho de 2022; neste vídeo, o Dr. Luis Zoldan, psiquiatra do Einstein, aborda dados sobre a doença, efeitos e o impacto da pandemia no consumo de álcool;
Dependência de álcool: prevenção e relações com ansiedade e depressão; Hospital Israelita Albert Einstein; 11 de julho de 2022; neste vídeo, o Dr. Luis Zoldan, psiquiatra do Einstein, aborda a prevenção e a relação da dependência de álcool com quadros de ansiedade e depressão;
Dependência de álcool: diagnóstico e impactos na saúde; Hospital Israelita Albert Einstein; 18 de julho de 2022; neste vídeo, o Dr. Luis Zoldan, psiquiatra do Einstein, apresenta detalhes sobre o diagnóstico e os impactos da dependência de álcool na saúde; .