Alzheimer.
Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico importa

DIA MUNDIAL DA DOENÇA DE ALZHEIMER
E DIA NACIONAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER 2026

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 28/09/2026

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O Dia Mundial da Doença de Alzheimer e o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer são lembrados em 21 de setembro. A mobilização internacional começou em 1994, enquanto a data nacional foi instituída pela Lei nº 11.736, de 2008, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a doença e destacar a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados oferecidos à pessoa que vive com Alzheimer.

Em 2026, a campanha internacional apresenta a mensagem “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico importa”. O tema chama a atenção para a identificação dos primeiros sinais e para a procura por avaliação médica. Receber o diagnóstico no momento adequado permite investigar as causas dos sintomas, iniciar o acompanhamento e planejar os cuidados com a participação da pessoa e de sua família.

O Relatório Nacional sobre a Demência estima que aproximadamente 2,7 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais vivam com alguma forma de demência. No estado de São Paulo, estima-se que cerca de 800 mil pessoas estejam nessa condição. A doença de Alzheimer é a causa mais frequente e representa entre 60% e 70% dos casos de demência. Esses números devem ser compreendidos como estimativas, pois muitas pessoas ainda não foram diagnosticadas.

O Alzheimer afeta progressivamente a memória, o raciocínio, a comunicação e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Embora seja mais frequente após os 65 anos, seus sintomas não devem ser considerados uma consequência natural do envelhecimento. Reconhecer mudanças persistentes e procurar atendimento contribui para um cuidado mais adequado, além de oferecer orientação e apoio aos familiares e cuidadores.

A DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa (que provoca a perda gradual de células do cérebro) e progressiva, pois suas alterações aumentam ao longo do tempo. Ela compromete inicialmente algumas funções cerebrais e, conforme evolui, pode afetar a memória, o raciocínio, a comunicação, o comportamento e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

No cérebro da pessoa com Alzheimer, ocorrem alterações relacionadas ao acúmulo anormal de proteínas, principalmente a beta-amiloide e a tau. Esses acúmulos dificultam a comunicação entre os neurônios (células responsáveis por receber e transmitir informações) e contribuem para sua perda progressiva.

As primeiras alterações costumam atingir regiões ligadas à formação de novas memórias. Com a evolução da doença, outras áreas do cérebro podem ser comprometidas, o que explica o aparecimento gradual de dificuldades para se orientar, encontrar palavras, tomar decisões e cuidar das tarefas diárias. A velocidade dessa evolução, entretanto, varia de uma pessoa para outra.

A idade é o principal fator associado ao Alzheimer, e a maioria dos casos ocorre depois dos 65 anos. Contudo, a doença também pode surgir mais cedo, situação conhecida como Alzheimer de início precoce. Atualmente, ainda não existe cura, mas o acompanhamento adequado pode ajudar a controlar sintomas, preservar capacidades por mais tempo e melhorar a qualidade de vida da pessoa e de quem participa de seus cuidados.

ALZHEIMER E DEMÊNCIA 

Alzheimer e demência não são exatamente a mesma coisa. Demência é o nome dado a um conjunto de alterações que comprometem a memória, o raciocínio, a linguagem, o comportamento e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Ela não é uma doença específica, mas uma condição que pode ter diferentes causas.

A doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência e representa aproximadamente 60% a 70% dos casos. Entretanto, também existem outros tipos, como a demência vascular, relacionada a problemas na circulação do sangue no cérebro; a demência com corpos de Lewy; a demência associada à doença de Parkinson; e a demência frontotemporal, que costuma afetar inicialmente o comportamento ou a linguagem.

Algumas pessoas podem apresentar sintomas parecidos com os de uma demência por outras condições, como depressão, alterações na tireoide, deficiência de vitamina B12, infecções, efeitos de medicamentos ou consumo excessivo de álcool. Parte dessas condições pode ser tratada e, em alguns casos, os sintomas podem melhorar quando a causa é identificada.

Por isso, dificuldades de memória ou mudanças de comportamento não devem ser consideradas automaticamente como Alzheimer. Somente uma avaliação realizada por profissionais de saúde pode investigar a origem das alterações e indicar o acompanhamento mais adequado.

SINAIS E SINTOMAS

O sinal mais conhecido da doença de Alzheimer é a dificuldade para guardar informações recentes. A pessoa pode esquecer conversas ou acontecimentos, repetir a mesma pergunta diversas vezes e depender cada vez mais de anotações ou da ajuda de familiares para lembrar compromissos. Diferentemente de um esquecimento ocasional, essas dificuldades tornam-se frequentes e começam a interferir na rotina.

Outras alterações podem incluir dificuldade para encontrar palavras, acompanhar uma conversa, planejar tarefas, cuidar das finanças ou realizar atividades que antes eram conhecidas. A pessoa também pode se confundir com datas e lugares, perder-se em trajetos habituais ou apresentar dificuldade para reconhecer objetos e pessoas.

Mudanças no comportamento e no estado emocional também podem ocorrer. Desânimo, perda de interesse, irritação, ansiedade, desconfiança, agitação, alterações do sono ou afastamento do convívio social podem acompanhar a doença. Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais, e a ordem em que eles aparecem também pode variar.

Segundo a Dra. Sonia Maria Dozzi Brucki, professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a demência causada pelo Alzheimer passa a ser caracterizada quando as alterações interferem nas atividades diárias e na autonomia da pessoa. Por isso, sintomas persistentes ou que estejam piorando devem ser avaliados por um profissional de saúde. Quando a confusão surge repentinamente, a procura por atendimento deve ser rápida, pois pode estar relacionada a outras condições que exigem cuidado imediato.

EVOLUÇÃO DA DOENÇA

A doença de Alzheimer evolui gradualmente, mas não ocorre da mesma maneira em todas as pessoas. Para facilitar a compreensão e o planejamento dos cuidados, sua evolução costuma ser dividida em fases leve, moderada e avançada. Essas fases não possuem limites exatos e podem apresentar características que se misturam.

Na fase leve, a pessoa ainda consegue realizar muitas atividades de forma independente, mas pode esquecer informações recentes, repetir perguntas, perder objetos e ter dificuldade para encontrar palavras, organizar compromissos ou tomar decisões. Familiares e pessoas próximas costumam perceber mudanças que vão além dos esquecimentos habituais.

Na fase moderada, as alterações tornam-se mais evidentes e aumentam a necessidade de ajuda. Podem surgir dificuldades para preparar refeições, administrar medicamentos, cuidar das finanças, escolher roupas ou manter a higiene pessoal. Também podem ocorrer desorientação, alterações no sono, agitação, irritabilidade, desconfiança e dificuldade para reconhecer algumas pessoas.

Na fase avançada, a pessoa passa a necessitar de auxílio constante para atividades como alimentação, banho, troca de roupas e movimentação. A comunicação pode ficar bastante limitada, e podem surgir dificuldades para caminhar, engolir e controlar a urina ou as fezes. Mesmo quando a capacidade de se comunicar diminui, a pessoa continua precisando de respeito, conforto, segurança e contato afetivo.

FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO

Alguns fatores associados à doença de Alzheimer não podem ser modificados. O principal é o avanço da idade, embora envelhecer não signifique necessariamente desenvolver a doença. O histórico familiar e determinadas alterações genéticas também podem aumentar o risco, especialmente nos casos que surgem antes dos 65 anos, mas ter um familiar com Alzheimer não significa que a pessoa obrigatoriamente terá a doença.

Outros fatores podem ser reduzidos ou controlados ao longo da vida. Entre eles estão pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, inatividade física e traumatismos na cabeça. Cuidar da saúde do coração também ajuda a proteger o cérebro, pois ele depende de uma circulação sanguínea adequada.

Perda auditiva ou visual sem tratamento, depressão, isolamento social, baixa estimulação intelectual e exposição frequente à poluição do ar também estão associados a um risco maior de demência. Manter vínculos sociais, continuar aprendendo, dormir adequadamente, praticar atividade física e realizar acompanhamento de saúde são medidas que contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Segundo o Ministério da Saúde, uma parcela importante dos casos de demência no Brasil poderia ser evitada ou adiada com o controle dos fatores de risco conhecidos. Entretanto, nenhuma medida oferece proteção completa contra o Alzheimer. A prevenção deve ser compreendida como uma forma de reduzir o risco, e não como uma garantia de que a doença não surgirá.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da doença de Alzheimer começa com uma avaliação clínica detalhada. O profissional de saúde conversa com a pessoa e, quando possível, com alguém que acompanhe sua rotina, para conhecer os sintomas, quando começaram e como evoluíram. Também são considerados o histórico de saúde, os medicamentos utilizados e as dificuldades apresentadas nas atividades cotidianas.

Testes de memória, atenção, linguagem, orientação e raciocínio ajudam a avaliar o funcionamento do cérebro. O médico também pode realizar exames físicos e neurológicos e solicitar exames de sangue para investigar outras possíveis causas dos sintomas, como alterações na tireoide, deficiência de vitamina B12, infecções ou efeitos de medicamentos.

Exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, podem ajudar a identificar alterações no cérebro e afastar outras condições, como tumores, derrames ou acúmulo de líquido. Em situações específicas, também podem ser utilizados exames que procuram biomarcadores (alterações biológicas relacionadas à doença), mas eles não são necessários para todas as pessoas e devem ser interpretados junto com as demais informações clínicas.

Segundo o Dr. Renato Anghinah, médico neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), os critérios de diagnóstico ajudam o médico a seguir uma avaliação organizada e evitam exames desnecessários, inclusive testes de biomarcadores que podem não trazer benefícios em determinadas situações. Portanto, não existe um único exame capaz de avaliar sozinho todos os aspectos da doença: o diagnóstico depende do conjunto de informações obtidas durante a investigação.

TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO

A doença de Alzheimer ainda não tem cura, mas o tratamento pode ajudar a controlar alguns sintomas, preservar capacidades por mais tempo e melhorar a qualidade de vida. A escolha depende da fase da doença, das condições de saúde e das necessidades de cada pessoa, devendo ser acompanhada regularmente por uma equipe de saúde.

Medicamentos como donepezila, rivastigmina, galantamina e memantina podem ser utilizados em situações específicas para auxiliar no controle das alterações de memória, raciocínio e comportamento. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento conforme os critérios estabelecidos em seu protocolo clínico. Atividade física orientada, terapia ocupacional, estimulação cognitiva, adaptação do ambiente e acompanhamento nutricional e psicológico também podem fazer parte do cuidado.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lecanemabe, primeiro medicamento autorizado no Brasil com ação sobre a beta-amiloide, proteína relacionada ao desenvolvimento da doença. Ele é indicado somente para determinados pacientes na fase inicial, após confirmação da presença dessa proteína no cérebro. O medicamento não cura o Alzheimer nem recupera capacidades já perdidas, mas pode retardar modestamente a evolução da doença em algumas pessoas.

O lecanemabe é administrado diretamente na veia e exige acompanhamento em serviço especializado, com exames antes e durante o tratamento. Entre seus possíveis efeitos adversos estão inchaços e pequenos sangramentos no cérebro. A aprovação pela Anvisa autoriza sua comercialização, mas não significa que o medicamento tenha sido automaticamente incorporado ao SUS.

Segundo o Dr. Júlio César Moriguti, médico geriatra e professor associado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), o lecanemabe representa um avanço científico, mas ainda é necessário compreender melhor quais pacientes realmente podem se beneficiar. O especialista recomenda cautela na adoção ampla desse tratamento, considerando seus benefícios limitados, possíveis riscos e a estrutura necessária para o acompanhamento. Nenhum medicamento deve ser iniciado, alterado ou interrompido sem orientação médica.

CUIDADOS COM A PESSOA QUE VIVE COM ALZHEIMER

Os cuidados devem ser adaptados à fase da doença, às capacidades preservadas e às preferências de cada pessoa. Sempre que possível, ela deve participar das decisões e continuar realizando, com segurança, as atividades que ainda consegue fazer. Oferecer ajuda somente quando necessária contribui para preservar a autonomia, a autoestima e o senso de identidade.

A comunicação deve ser tranquila, respeitosa e direta. É recomendável chamar a pessoa pelo nome, falar de frente, apresentar uma informação de cada vez e oferecer tempo suficiente para a resposta. Discussões, cobranças e perguntas repetidas para testar sua memória podem aumentar a ansiedade. Mesmo quando a comunicação estiver comprometida, não se deve falar sobre a pessoa como se ela não estivesse presente ou tratá-la como criança.

Manter uma rotina conhecida pode diminuir a confusão e facilitar tarefas como alimentação, higiene, sono e uso de medicamentos. O ambiente também pode precisar de adaptações para reduzir o risco de quedas, queimaduras, saídas sem acompanhamento ou uso incorreto de remédios. Essas mudanças devem acompanhar a evolução da doença e, sempre que possível, ser orientadas pela equipe de saúde.

Alterações repentinas no comportamento ou na capacidade de realizar tarefas não devem ser atribuídas automaticamente ao Alzheimer. Dor, infecção, desidratação, prisão de ventre, efeitos de medicamentos e outras condições podem provocar uma piora rápida. Nesses casos, é importante procurar avaliação de saúde para identificar a causa e receber orientação adequada.

ATENÇÃO À SAÚDE DO CUIDADOR

O cuidado diário de uma pessoa com Alzheimer pode envolver organização de consultas, administração de medicamentos, auxílio na alimentação, higiene e acompanhamento constante. Com a evolução da doença, essas responsabilidades podem aumentar e modificar a rotina pessoal, familiar, profissional e financeira de quem cuida.

Cansaço persistente, irritação, dificuldade para dormir, tristeza, ansiedade, isolamento e abandono dos próprios cuidados podem indicar sobrecarga. Esses sinais não significam falta de carinho ou dedicação. Eles mostram que o cuidador também precisa de atenção e apoio para preservar sua saúde física e emocional.

Sempre que possível, as responsabilidades devem ser divididas entre familiares, pessoas de confiança e profissionais. Organizar períodos de descanso, manter consultas e exames, alimentar-se adequadamente e preservar momentos de lazer e convivência são cuidados importantes. Grupos de apoio também podem oferecer informações e permitir a troca de experiências com pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Quando a sobrecarga estiver prejudicando a saúde ou a capacidade de cuidar, é recomendável procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro serviço de saúde. Pedir ajuda não representa abandono: proteger a saúde do cuidador também contribui para um cuidado mais seguro e respeitoso da pessoa que vive com Alzheimer.

ONDE BUSCAR AJUDA

Diante de alterações persistentes de memória, comportamento ou capacidade para realizar atividades cotidianas, a Unidade Básica de Saúde (UBS) deve ser procurada para a avaliação inicial. Quando necessário, a equipe poderá encaminhar a pessoa para atendimento especializado em neurologia, geriatria ou psiquiatria. Alguns serviços abaixo exigem encaminhamento prévio pelo SUS.

BRASIL

ESTADO DE SÃO PAULO

CIDADE DE SÃO PAULO

CONCLUSÃO

A doença de Alzheimer é progressiva e ainda não possui cura, mas isso não significa que nada possa ser feito. Reconhecer alterações persistentes na memória, no comportamento e na realização das atividades cotidianas permite procurar atendimento, investigar outras possíveis causas e iniciar o acompanhamento adequado.

O diagnóstico realizado no momento oportuno amplia as possibilidades de planejamento e cuidado. A pessoa pode participar das decisões sobre sua saúde e seu futuro enquanto mantém maior autonomia, e a família recebe orientações para compreender as mudanças e organizar a rede de apoio necessária.

Medicamentos, acompanhamento multiprofissional, atividade física orientada, estimulação cognitiva e adaptações no ambiente podem contribuir para a segurança e a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, familiares e cuidadores também precisam de informação, descanso e atenção à própria saúde.

Conscientizar sobre o Alzheimer é combater o preconceito e compreender que a doença não retira a dignidade, a história ou o direito de escolha de uma pessoa. Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores serão as possibilidades de oferecer cuidado, apoio e respeito durante todas as fases da doença.

REFERÊNCIAS

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VÍDEO RECOMENDADO SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER 

Alzheimer | Causas, sintomas e como tratar; Hospital Alemão Oswaldo Cruz; 25 de mar. de 2022;