
BRAIN ROT
Excesso de conteúdos curtos e superficiais pode afetar a sua saúde mental
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 22/12/2025
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Em 2024, o termo brain rot, que significa “apodrecimento cerebral”, foi escolhido como a palavra do ano pela Universidade de Oxford, após uma votação pública que reuniu mais de 37 mil participantes.; a palavra é definida como a deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa devido ao consumo excessivo de conteúdo online, considerado, considerado trivial ou pouco desafiador.
Segundo o Dr. Thiago Henrique Roza, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), “Não é um termo médico, mas uma expressão coloquial que descreve cansaço mental, prejuízo da atenção e comprometimento intelectual. Remete ao fenômeno do uso problemático da tecnologia e do excesso de estímulos, que desgastam cognitivamente”.
De acordo com a psicóloga hospitalar Jéssica Mazocato Cardoso, do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), “O fenômeno brain rot pode afetar a saúde mental de várias formas, tanto no curto quanto no longo prazo; a exposição constante tem um impacto psicológico e mental significativo, e pode causar uma série de efeitos, como apatia, falta de motivação e dificuldade em se engajar em tarefas desafiadoras, além de aumentar a ansiedade e o estresse devido à comparação nas redes sociais e sobrecarga de informações”.
Segundo a Dra. Mazocato outras consequências negativas são: a diminuição das capacidades de foco e atenção, prejudicando a produtividade e o bem-estar emocional; a redução da habilidade de tomar decisões e raciocinar criticamente; a desconexão com o mundo real, levando ao isolamento e à solidão; os obstáculos nos processos de memória e aprendizado, dificultando a retenção de informações complexas; e prejuízos para a regulação emocional, aumentando impulsividade e comportamentos autodestrutivos.
CAUSAS DO BRAIN ROT
Segundo o Dr. Emílio Giroldo Tazinaffo, psiquiatra do Ambulatório de Transtornos do Impulso (AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP), o Brain Rot os problemas cognitivos associados têm respaldo científico; as redes sociais adotam um design conhecido como “infinite scroll” (rolagem infinita), que recomenda vídeos e posts relacionados aos interesses do usuário para mantê-lo engajado, gerando estimulação cerebral contínua, “Isso libera dopamina, neurotransmissor relacionado à motivação e ao prazer; por exemplo, ao receber um convite para fazer algo que se gosta, o cérebro libera dopamina e registra tal atividade como prazerosa”, explica o Dr. Tazinaffo.
“O problema é que as redes sociais estão sempre dizendo: ‘Algo do seu interesse vem aí’. E são vídeos curtos e contínuos. Ao final, o cérebro fica engajado nessa busca constante por compensação e prazer”, acrescenta o psiquiatra.
Por sua vez, a hiperestimulação prejudica a capacidade de atenção, o que, como um efeito dominó, compromete a memória.
“A memória prejudicada atrapalha a produtividade do adulto e o aprendizado de crianças e adolescentes. No final, há esgotamento mental, dificuldade de tomar decisões e procrastinação, sintomas semelhantes aos observados em ansiedade e depressão”, destaca o Dr.Tazinaffo.
REDUÇÃO DE DANOS
Concentração, memória e problemas de humor – sintomas associados ao Brain Rot – podem melhorar com a redução da exposição às telas, como explica Dr. Tazinaffo.
“Como é um fenômeno recente, não sabemos quais serão os desfechos a longo prazo. Principalmente no caso de crianças e adolescentes, que são expostos a esses estímulos em um momento em que o cérebro ainda está em formação”, aponta o psiquiatra.
Sobre o tempo de tela, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que menores de dois anos não sejam expostos a telas. Entre dois e cinco anos, o uso não deve ultrapassar uma hora diária; entre seis e 10 anos, duas horas; e até três horas para o grupo entre 11 e 17 anos.
“Para todos, evite telas uma hora antes de dormir. Vale deixar o celular fora do quarto. E reduza a exposição a conteúdos tóxicos, como discursos de ódio e fake news”, aconselha Dr. Thiago Roza.
Dr. Tazinaffo indica evitar multitarefas – como trabalhar com aplicativos de mensagens ligados – e fazer pausas de 15 minutos para cada 45 minutos de uso de telas. “Mude de ambiente, coma algo, converse com alguém”.
Referencias
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11939997/
https://ipqhc.org.br/2025/04/08/o-que-e-brain-rot/
Para saber mais
“Brain Rot”: a internet está derretendo o seu cérebro; Einstein Hospital Israelita; 3 de fevereiro de 2025;
https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/3-pontos-para-entender-o-que-e-brain-rot-e-como-evita-lo
O que é e como evitar o Brain Rot; Drauzio Varella; 13 de março de 2025;