
Depressão
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 24/03/2025
Ouça o conteúdo:
O Brasil lidera o ranking de país da América Latina com o maior índice de depressão entre a população, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros.
A depressão é uma doença psiquiátrica que produz mudanças no humor e provoca nos pacientes uma tristeza profunda, sem fim, com sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima, culpa e, também, distúrbios do sono e do apetite.
É uma tristeza diferente daquela que se sente quando ocorrem acontecimentos difíceis e desagradáveis, mas que aparecem na vida de todas as pessoas, como a morte de um ente querido, a perda de emprego, os desencontros amorosos, os desentendimentos familiares, as dificuldades econômicas etc.
Na depressão, a tristeza não desaparece mesmo que não haja uma causa aparente. A pessoa fica deprimida praticamente o tempo todo, sem interesse pelas atividades que antes davam satisfação e prazer. Ela sente que nada pode ser feito para melhorar.
É uma doença que traz grande sofrimento ao indivíduo, envolvendo problemas no trabalho, no meio familiar e na comunidade, bem como aumento do risco de suicídio.
CAUSAS DA DEPRESSÃO
Causas genéticas: pode haver uma tendência nos genes (DNA) de cada indivíduo que determina características pessoais, como ocorre, por exemplo, com a cor dos olhos ou do cabelo de cada um. Estudos feitos com famílias, inclusive com gêmeos, mostram que o componente genético e ou hereditário é responsável por cerca de 40% da possibilidade de desenvolver depressão.
Bioquímica cerebral: deficiência de determinadas substâncias do cérebro. Os chamados neurotransmissores estão envolvidos na regulação de atividades como o movimento, o apetite, o sono e o humor.
Eventos da vida: acontecimentos traumáticos na infância, estresse físico e psicológico, morte de entes queridos, conflitos conjugais ou familiares, mudança brusca das condições financeiras e ou desemprego, dentre outros.
Algumas condições que aumentam o risco de desenvolver depressão:
- Familiares com o problema;
- Outros transtornos psiquiátricos;
- Estresse crônico;
- Ansiedade crônica;
- Problemas hormonais;
- Dependência de álcool ou outras drogas, lícitas ou ilícitas;
- Doenças cardiovasculares, neurológicas, câncer, entre outras.
PRINCIPAIS SINAIS DE SINTOMAS PARA A DEPRESSÃO
- Humor deprimido, irritabilidade, ansiedade e angústia;
- Desânimo ou cansaço elevado;
- Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;
- Desinteresse, falta de motivação e indiferença;
- Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desamparo e vazio;
- Ideias frequentes e desproporcionais de culpa, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, fracasso e pensamentos de morte ou suicídio;
- Interpretação distorcida e negativa da realidade;
- Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;
- Diminuição do desejo sexual;
- Perda ou aumento do apetite e do peso;
- Perda ou aumento do sono, acordar muito cedo de manhã;
- Dores e outros sintomas físicos não causados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.
TRATAMENTO
A depressão é uma doença que exige acompanhamento médico e ou psicoterápico. Quando os sintomas são leves, a psicoterapia costuma resolver. Nos quadros mais graves, que refletem negativamente na vida afetiva, familiar, profissional e em sociedade, a indicação é o uso de medicamentos antidepressivos com o objetivo de tirar a pessoa da crise.
Atividade física, alimentação saudável e controle do estresse, juntamente com o uso de medicamentos e psicoterapia são recursos importantes para reverter o quadro de depressão.
Sua prevenção está relacionada a um estilo de vida saudável:
- Ter uma dieta equilibrada;
- Praticar atividade física regularmente;
- Combater o estresse;
- Incluir tempo na agenda para atividades prazerosas;
- Evitar o consumo de álcool;
- Não usar drogas ilícitas;
- Diminuir as doses diárias de cafeína;
- Rotina de sono regular;
- Não interromper tratamento sem orientação médica;
- Usar corretamente os medicamentos receitados.
ATENÇÃO!
Um estudo conduzido por pesquisadoras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados pode aumentar em até 58% o risco de desenvolver depressão persistente, caracterizada por episódios recorrentes ou contínuos por anos; alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por várias etapas de processamento e contêm muitos ingredientes artificiais; exemplos Refrigerantes, Biscoitos recheados, Macarrão instantâneo, Salgadinhos de pacote, Doces, Sorvetes, Algumas margarinas, Pizzas pré-preparadas, Nuggets de frango e peixe.
De acordo com o estudo, uma das razões pelas quais esses alimentos impactam tanto a saúde mental é a ausência de nutrientes essenciais; segundo a Dra. Naomi Vidal Ferreira, pós-doutoranda da FMUSP e autora principal da pesquisa “Se uma pessoa consome mais de 70% de sua energia diária proveniente de produtos ultraprocessados, ela acaba deixando de ingerir alimentos ricos em fibras, antioxidantes e vitaminas, que são fundamentais para o funcionamento do cérebro. Além disso, a presença de aditivos artificiais e gorduras saturadas pode desencadear processos inflamatórios, um fator associado ao desenvolvimento da depressão”,
RECOMENDAÇÕES
- Depressão é uma doença como qualquer outra. Não é sinal de loucura, nem de preguiça, nem de fraqueza e nem de irresponsabilidade. O tratamento é por longo prazo e há pessoas que precisam ser tratadas por toda a vida, para evitar recaídas.
- Depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida: na infância, adolescência, maturidade e velhice. Os sintomas podem variar conforme o caso.
- Os familiares de pacientes com depressão devem manter-se informados sobre a doença, suas características, sintomas e riscos. É importante que ofereçam um ponto de referência para certos padrões, como a alimentação equilibrada, a higiene pessoal e a necessidade de interagir com outras pessoas.
Referencias
https://www.gov.br/inss/pt-br/noticias/noticias/voce-sabia-que-depressao-e-outros-transtornos-mentais-podem-dar-direito-ao-beneficio-por-incapacidade-temporaria
https://fm.usp.br/fmusp/noticias/comer-ultraprocessados-aumenta-em-58-o-risco-de-depressao-persistente-aponta-estudo-da-faculdade-de-medicina-da-usp
Para saber mais
Como reconhecer a depressão; Drauzio Varella; 6 de outubro de 2022; Depressão é uma condição séria de saúde que atinge 11% da população brasileira, mas até pouco tempo atrás, era tratada como “frescura”. Dr. Drauzio conversa com o psiquiatra Dr.Jairo Bouer sobre o assunto.