Deteriorização cerebral.
Cuidado com o uso excessivo da Internet.

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 08/04/2025

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“BRAIN ROT” (ou “deterioração cerebral”, na tradução do inglês para o português) é o nome dado ao processo de danificação do estado mental ou intelectual de uma pessoa, em razão do consumo excessivo de conteúdo trivial e pouco desafiador, atualmente muito associado ao uso excessivo das telas. A condição ganhou destaque nos últimos anos com a consolidação das redes sociais como parte do cotidiano da população — em 2024, foi eleita a palavra do ano pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. 

Percebido, sobretudo, entre os indivíduos mais jovens, que cresceram com acesso aos recursos digitais, o problema pode estar associado a sintomas de empobrecimento das funções cognitivas, como dificuldade de concentração, fadiga mental e desatenção. Assim, traz prejuízos à saúde física, além dos empecilhos socioemocionais. 

Conheça três pontos para entender melhor o que é esse distúrbio e quais são seus possíveis impactos. 

COMO A INTERNET AFETA O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

Por meio de imagens impactantes e sons estimulantes, as redes sociais são uma grande armadilha para o sistema de recompensa cerebral. Não à toa, as pessoas podem passar horas navegando por essas plataformas, que desencadeiam no cérebro a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. 

Essas “gratificações” imediatas reconfiguram a nossa rede neural, de modo que ela se torna menos tolerante a processos que demandam mais tempo e esforço. Dessa forma, mais do que dependente da internet, o indivíduo ainda pode ficar isolado, apático, incapaz de raciocinar criticamente ou mesmo tomar decisões por si próprio.

COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DE BRAIN ROT

A velocidade acelerada que os aplicativos promovem no mundo digital gera nas pessoas mais inquietude, impaciência e irritabilidade. Com isso, elas deixam de tolerar os momentos de tédio e têm dificuldade para lidar com frustrações. 

Além disso, considerando que informações alarmistas e conteúdo de conflito prendem mais a atenção, um possível reflexo é o aumento do estado de alerta. Isso, consequentemente, gera estresse e ansiedade. 

A arbitrariedade do que é publicado nas redes sociais, em que a maioria dos indivíduos compartilha apenas aquilo que é “positivo”, como conquistas pessoais e profissionais, viagens etc., pode levar à sensação de inadequação. E a comparação com essas vidas “perfeitas” pode desencadear um estado de baixa autoestima e depressão.

Por fim, outros sinais de alerta para o brain rot incluem a redução de atividades prazerosas no mundo offline, a baixa capacidade de socialização, a dificuldade de sono e a indisposição ao acordar. Se esse for o seu caso, o mais recomendado é buscar ajuda profissional de um psicólogo e de um psiquiatra.

COMO EVITAR O BRAIN ROT

Adotar alguns hábitos saudáveis pode ajudar a evitar o problema, bem como seus prejuízos associados: 

  • Estabeleça limites de tempo de exposição às telas;
  • Desative as notificações do seu celular;
  • Faça suas refeições sem celular na mesa;
  • Deixe os aparelhos eletrônicos de lado próximo do horário de dormir;
  • Programe atividades fora das telas, especialmente as que exijam trabalho mental, como ler um livro ou montar quebra-cabeça. 

 

Referencias

https://corp.oup.com/news/brain-rot-named-oxford-word-of-the-year-2024/ 

https://vidasaudavel.einstein.br/3-pontos-para-entender-o-que-e-brain-rot-e-como-evita-lo/


Para saber mais

“Brain Rot”: a internet está derretendo o seu cérebro? Hospital Israelita Albert Einstein; 3 de fevereiro de 2025; O Dr. Mario Peres, neurologista do Einstein, revela como o uso excessivo da internet pode impactar na concentração, memória e bem-estar emocional;


O QUE É E COMO EVITAR O BRAIN ROT
Drauzio Varella; 13 de março de 2025; Fenômeno que interfere na concentração, memória, raciocínio e muito mais, o brain rot, que pode ser traduzido para “apodrecimento cerebral” ou “deterioração mental”, é um efeito direto do vício em telas e do uso excessivo de redes sociais;