
Dia internacional da tireoide.
Quando a informação e o diagnóstico precoce protegem a saúde.
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 25/05/2026
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O Dia Internacional da Tireoide, celebrado em 25 de maio, é dedicado à conscientização sobre a importância da tireoide para o funcionamento do organismo e sobre as principais doenças que podem afetar essa glândula. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), estima-se que cerca de 60% das pessoas com doenças da tireoide desconheçam o diagnóstico, principalmente devido à evolução silenciosa dessas alterações. Além disso, estudos nacionais indicam que aproximadamente 15% da população brasileira pode apresentar algum tipo de distúrbio tireoidiano ao longo da vida.
No Estado de São Paulo, as doenças da tireoide também representam um importante desafio para a saúde pública. Dados da Secretaria de Estado da Saúde e de instituições ligadas à endocrinologia mostram aumento progressivo na realização de exames, no diagnóstico de nódulos tireoidianos e no acompanhamento de casos de hipotireoidismo, hipertireoidismo e câncer de tireoide nos serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, o câncer de tireoide figura entre os tumores endócrinos mais frequentemente diagnosticados em centros de referência do estado.
Frequentemente, as doenças da tireoide não apresentam sintomas específicos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Quando aparecem, os sinais podem incluir cansaço excessivo, ganho ou perda de peso sem causa aparente, alterações do sono, ansiedade, palpitações, queda de cabelo e mudanças no funcionamento intestinal. A data busca, portanto, ampliar o acesso à informação, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar a importância do acompanhamento médico regular, contribuindo para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população. No cenário internacional, organizações médicas e científicas alertam para o aumento das doenças tireoidianas em diferentes países, especialmente entre mulheres e pessoas com histórico familiar dessas condições.
Diante desse cenário, especialistas em endocrinologia reforçam que a identificação precoce das alterações da tireoide, por meio da avaliação clínica associada a exames laboratoriais, é essencial para evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida. Além disso, o acompanhamento médico regular possibilita diagnóstico mais preciso, início oportuno do tratamento e maior controle das doenças, reduzindo o risco de evolução silenciosa. Nesse contexto, o Dr. AJ Mansur (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP) destaca que a integração entre avaliação clínica e exames complementares é fundamental para um manejo seguro e eficaz das doenças tireoidianas.
PRINCIPAIS DOENÇAS DA TIREOIDE
As doenças da tireoide estão entre as alterações hormonais mais frequentes na população. No Brasil, estudos populacionais indicam que essas disfunções são comuns e, muitas vezes, não são diagnosticadas precocemente, justamente por sua evolução lenta e silenciosa.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipotireoidismo pode afetar cerca de 8% a 12% dos brasileiros, sendo mais frequente em mulheres e idosos. Já o hipertireoidismo é menos comum, atingindo aproximadamente 0,5% a 1% da população, conforme dados clínicos e epidemiológicos utilizados na prática endocrinológica brasileira.
Além disso, estudos nacionais como o ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) mostram que as doenças da tireoide representam um importante problema de saúde pública, com muitos casos diagnosticados tardiamente ou desconhecidos no início da doença.
De forma geral, essas alterações acontecem quando a tireoide deixa de funcionar corretamente, produzindo hormônios em excesso ou em quantidade insuficiente. Entre as principais condições estão o hipotireoidismo, o hipertireoidismo, os nódulos tireoidianos e o câncer de tireoide.
HIPOTIREOIDISMO
O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, fazendo com que o metabolismo fique mais lento.
No Brasil, estudos clínicos indicam prevalência entre 8% e 12% da população, sendo mais comum em mulheres e aumentando com a idade, especialmente após os 40 anos (SBEM).
Os sintomas incluem cansaço, sonolência, ganho de peso, pele seca, constipação intestinal, queda de cabelo e dificuldade de concentração. Em muitos casos, o desenvolvimento é lento, o que pode atrasar o diagnóstico.
HIPERTIREOIDISMO
O hipertireoidismo acontece quando há produção excessiva de hormônios tireoidianos, acelerando o funcionamento do organismo.
Sua prevalência no Brasil varia entre 0,5% e 1% da população, sendo mais frequente em mulheres jovens e adultas (SBEM).
Os principais sintomas incluem perda de peso, ansiedade, irritabilidade, tremores, palpitações e insônia. Sem tratamento adequado, pode causar complicações cardiovasculares.
NÓDULOS DA TIREOIDE
Os nódulos tireoidianos são bastante frequentes na população. Estudos mostram que podem ser identificados em até 30% a 60% dos adultos em exames de ultrassonografia, embora a maioria seja benigna.
Na maior parte dos casos, não há sintomas e os nódulos são descobertos de forma incidental em exames de rotina. Apenas uma pequena parcela exige investigação adicional.
DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS DA TIREOIDE
O diagnóstico das doenças da tireoide é realizado por meio da avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem.
Entre os principais exames estão a dosagem de TSH e T4 livre, além da ultrassonografia da tireoide. Em situações específicas, pode ser necessária a punção aspirativa de nódulos suspeitos para investigação mais detalhada.
O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a função da tireoide e prevenir complicações.
TRATAMENTO DAS DOENÇAS DA TIREOIDE
O tratamento depende do tipo de alteração diagnosticada e das condições clínicas de cada paciente.
Pode incluir reposição hormonal, uso de medicamentos para controle da função tireoidiana, acompanhamento clínico regular, cirurgia ou outras abordagens específicas.
Quando diagnosticadas precocemente, a maioria das doenças da tireoide apresenta bom controle clínico e melhora significativa da qualidade de vida.
ONDE BUSCAR ATENDIMENTO
No Brasil, o atendimento das doenças da tireoide é realizado de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de uma rede organizada que inclui a Atenção Básica, serviços especializados e hospitais de referência.
O acesso geralmente começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde ocorre a avaliação inicial e o encaminhamento para especialistas quando necessário.
No Estado de São Paulo, o atendimento especializado é realizado por meio de ambulatórios e hospitais de referência vinculados ao SUS, com destaque para os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), que oferecem consultas com endocrinologistas e exames diagnósticos.
https://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/ambulatorio-medico-de-especialidades-ames/
Outro centro importante é o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), referência no diagnóstico e tratamento do câncer de tireoide.
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) também é referência nacional em endocrinologia e doenças da tireoide.
Na cidade de São Paulo, o primeiro atendimento ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que realizam avaliação clínica, solicitação de exames e encaminhamento para especialistas quando necessário.
https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/
IMPORTANTE
O cuidado com as doenças da tireoide no SUS é organizado em rede. Isso significa que o paciente inicia o atendimento na UBS e, quando necessário, é encaminhado para serviços especializados como AMEs, hospitais universitários e centros de referência como o ICESP e o HCFMUSP.
CONCLUSÃO
As doenças da tireoide representam uma importante questão de saúde pública, principalmente pela sua frequência e pelo impacto que podem causar na qualidade de vida. No entanto, grande parte desses casos pode ser diagnosticada e tratada de forma eficaz quando identificada precocemente.
Nesse sentido, o Dia Internacional da Tireoide reforça a importância da informação em saúde, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular. Mais do que uma data simbólica, trata-se de uma oportunidade para conscientizar a população, fortalecer ações preventivas e ampliar o acesso ao cuidado em saúde.
Assim, investir em educação em saúde, garantir acesso aos serviços médicos e incentivar o acompanhamento contínuo são medidas essenciais para promover qualidade de vida e prevenir complicações relacionadas às doenças tireoidianas.
REFERÊNCIAS
World Thyroid Federation. World Thyroid Day [Internet]. Thyroid Federation International; 2024 [cited 2026 May 24]. Available from: https://www.thyroid-fed.org
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Tireoide: doenças e informações ao público [Internet]. Rio de Janeiro: SBEM; 2024. Available from: https://www.endocrino.org.br
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de tireoide [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2024. Available from: https://www.gov.br/inca
Brasil. Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde (SUS): organização da rede de atenção à saúde [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2024. Available from: https://www.gov.br/saude
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Rede de atenção à saúde e ambulatórios especializados (AMEs) [Internet]. São Paulo: SES-SP; 2024. Available from: https://www.saude.sp.gov.br
Universidade de São Paulo. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) [Internet]. São Paulo: USP; 2024. Available from: https://www.hc.fm.usp.br
Elsa-Brasil Study Investigators. The Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil): thyroid dysfunction and metabolic outcomes [Internet]. 2023. Available from: https://elsa.cict.fiocruz.br
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