
25 de abril – Dia mundial da luta contra a malária.
Impulsionados para acabar com a Malária: Agora Podemos. Agora Devemos
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 20/04/2026
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O Dia Mundial da Luta contra a Malária, celebrado em 25 de abril, foi criado para chamar a atenção da sociedade e dos governos para uma doença que, apesar de ter prevenção e tratamento, ainda causa milhões de casos todos os anos. A data funciona como um alerta global para a importância de manter investimentos contínuos em saúde pública, pesquisa científica e ações de prevenção.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 foram estimados cerca de 282 milhões de casos de malária e 610 mil mortes no mundo, com maior impacto em populações vulneráveis.
Além do impacto direto na saúde, a malária provoca efeitos sociais e econômicos significativos, sobretudo em países em desenvolvimento, ao reduzir a produtividade, comprometer a frequência escolar e sobrecarregar os serviços de saúde.
Outro aspecto fundamental é a cooperação internacional, já que a malária não respeita fronteiras. Nesse contexto, o Dr. Sébastien Olivier Charneau, professor da Universidade de Brasília (UnB), destaca: “O Dia Mundial da Malária foi estabelecido como um despertador anual para destacar a necessidade de investimento político contínuo e de compromisso científico no combate a essa doença”.
Nesse cenário, olhar para a realidade do Brasil e, em seguida, para recortes locais como São Paulo, ajuda a transformar o debate global em ações concretas, conectadas ao cotidiano da população.
SITUAÇÃO DA MALÁRIA NO BRASIL EM 2026
No Brasil, a malária mantém uma distribuição desigual: a região amazônica responde por mais de 99% dos casos autóctones (com transmissão local).
O Ministério da Saúde informa que, em 2023, foram registrados 140.265 casos autóctones e 63 óbitos no país. A maior parte dos casos foi causada por Plasmodium vivax, P. vivax, (82,7%), e uma parcela menor por P. falciparum, P. falciparum, e infecções mistas (17,3%), que tendem a estar associadas a maior gravidade clínica.
Ainda que os dados nacionais consolidados de 2026 não estejam apresentados em um único número público e fechado nas páginas consultadas até o momento, há um marco recente relevante: segundo informação divulgada pela Agência Brasil com base no Ministério da Saúde, 2025 registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com queda de 15% em relação ao ano anterior e redução de óbitos de 54 para 39.
Ao passar do panorama nacional para a realidade paulista, a discussão muda: em estados fora da Amazônia, como São Paulo, a malária é menos frequente, porém o risco maior costuma ser outro — o diagnóstico tardio, justamente por a doença não estar no “radar” diário de muitos serviços.
SITUAÇÃO DA MALÁRIA NO ESTADO DE SÃO PAULO
O estado de São Paulo não é área endêmica, mas registra casos todos os anos, em grande parte importados, associados a viagens para regiões com transmissão ativa.
De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, CVE-SP, em 2025 foram confirmados 91 casos de malária no estado. O documento também mostra predominância de P. vivax no conjunto 2017–2025, além de uma proporção relevante de P. falciparum no estado ao longo da série histórica apresentada.
Mesmo com números menores do que na Amazônia, São Paulo exige atenção porque a malária pode ser confundida com outras doenças febris, o que favorece atraso na suspeita e no tratamento. Esse ponto reforça a necessidade de capacitação e fluxo de referência bem definido para diagnóstico e manejo.
Compreender o cenário epidemiológico local ajuda a responder a uma pergunta-chave: o que exatamente é a malária, por que ela pode se agravar e o que o corpo sofre durante a infecção? É isso que o próximo tópico explica, de forma simples.
O QUE É A MALÁRIA E COMO ELA AFETA O CORPO
A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos principalmente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada.
Após entrar no organismo, o parasita segue primeiro para o fígado, onde se multiplica por alguns dias. Depois, ele retorna ao sangue e passa a invadir as hemácias (glóbulos vermelhos). Essa invasão e destruição das hemácias é uma das razões pelas quais a doença pode causar fraqueza intensa e anemia, além de desencadear febre e calafrios.
Os sintomas mais comuns incluem febre, calafrios, suor, dor de cabeça e mal-estar. Como esses sinais se parecem com os de outras doenças, a testagem precoce faz diferença. A Organização Mundial da Saúde, OMS, também alerta que, sem tratamento, a malária por P. falciparum pode evoluir rapidamente para gravidade, inclusive em poucas dezenas de horas.
O Dr. Henrique Silveira, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa, Portugal, reforça o problema do diagnóstico tardio: “A malária continua a ser um problema sério de saúde pública, sobretudo porque os sintomas iniciais se confundem com os de outras doenças comuns”.
Como a transmissão ocorre quase sempre por meio da picada do mosquito infectado — e não pelo contato direto entre pessoas —, a consequência prática é clara: prevenir a picada é uma das formas mais eficazes de evitar a doença e interromper a cadeia de transmissão, o que leva naturalmente ao tema da prevenção no dia a dia.
DESAFIOS NO COMBATE À MALÁRIA
O combate à malária envolve desafios sociais, estruturais, ambientais e científicos. Um dos principais é a desigualdade no acesso aos serviços de saúde em áreas remotas, onde o diagnóstico pode demorar e o acompanhamento terapêutico pode ser interrompido.
Outro obstáculo relevante é a mobilidade humana (migração e deslocamentos por trabalho), que expõe pessoas a áreas de transmissão e pode favorecer a reintrodução do parasita em regiões não endêmicas.
Do ponto de vista científico, a resistência a medicamentos antimaláricos é apontada como ameaça ao progresso, exigindo vigilância e inovação contínuas. O Dr. Luiz Carlos Dias, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, ressalta o desafio de desenvolver medicamentos eficazes e acessíveis, reduzindo o risco de resistência.
Somam-se a isso as mudanças ambientais, como desmatamento, e a presença do vetor em grandes áreas, reforçando que o enfrentamento da malária não depende apenas de tratar casos — depende também de prevenir continuamente.
COMO PREVENIR A MALÁRIA NO DIA A DIA
A prevenção começa por reduzir o contato com mosquitos em áreas de risco. Medidas práticas incluem usar repelente, preferir roupas que cubram braços e pernas, instalar telas em portas e janelas e usar mosquiteiro ao dormir, sobretudo em regiões com transmissão.
Esses cuidados são especialmente importantes para gestantes, crianças e viajantes, que podem ter maior risco de complicações. Por isso, campanhas públicas enfatizam reconhecer sintomas e procurar atendimento rápido.
O Dr. Henrique Silveira reforça que, mesmo com avanços, não se pode “baixar a guarda” e que a prevenção básica segue essencial.
Além do cuidado individual, ações coletivas (educação em saúde, vigilância e resposta rápida) fortalecem o controle, sobretudo em áreas de maior vulnerabilidade.
TRATAMENTO E AVANÇOS RECENTES NO BRASIL
A malária tem cura, desde que o tratamento seja iniciado rapidamente após o diagnóstico e seguido corretamente até o fim. No Brasil, o tratamento é gratuito pelo SUS e varia conforme a espécie do parasita e o perfil do paciente.
Um ponto central é o diagnóstico precoce, que reduz complicações e a transmissão. A ampliação de testes rápidos e a busca ativa em áreas prioritárias são estratégias destacadas em comunicações do Ministério da Saúde
Nos últimos anos, também houve avanço na padronização de condutas e no fortalecimento do cuidado em áreas de maior risco, alinhando práticas a recomendações internacionais.
Em 2026, o Ministério da Saúde anunciou o início de um tratamento inovador no SUS com tafenoquina pediátrica, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg, com distribuição inicial de 126.120 comprimidos, visando facilitar adesão e ampliar o controle em áreas prioritárias.
ONDE BUSCAR ATENDIMENTO EM SÃO PAULO
Em São Paulo, qualquer pessoa com febre após viagem a área de risco deve buscar atendimento imediatamente e informar o histórico de deslocamento — isso ajuda a equipe de saúde a suspeitar de malária e a pedir o exame correto.
REFERÊNCIAS NA CIDADE DE SÃO PAULO
INSTITUTO DE INFECTOLOGIA EMÍLIO RIBAS (pronto-socorro 24h; SUS)
Site: https://www.emilioribas.sp.gov.br
Telefone: (11) 3896-1200 [youtube.com], [gov.br]
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FMUSP (HCFMUSP)
(incluem orientações e atendimento relacionados a saúde do viajante)
Portal: https://www.hc.fm.usp.br
Contato: https://www.hc.fm.usp.br/hc/contato
Além das referências, a porta de entrada do SUS pode ser a UBS, que realiza triagem e encaminha casos suspeitos conforme o fluxo assistencial.
REFERÊNCIAS
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