Dia mundial de luta contra as hepatites virais.
Informação, prevenção e diagnóstico salvam vidas.

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 27/07/2026

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O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho e integra, no Brasil, as ações do Julho Amarelo, mês dedicado à prevenção e ao controle dessas infecções. A data também homenageia o médico e pesquisador Baruch Blumberg, responsável pela descoberta do vírus da hepatite B e por contribuições que possibilitaram o desenvolvimento de exames e da vacina contra a doença. Em 2026, a campanha mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) traz o tema Hepatites: Let’s Break It Down, aqui apresentado como “Hepatites: vamos derrubar as barreiras!”, chamando a atenção para os obstáculos que ainda dificultam o acesso à informação, aos testes e ao tratamento.

As hepatites virais são infecções provocadas por diferentes vírus, identificados principalmente pelas letras A, B, C, D e E. Elas causam inflamação no fígado, órgão responsável por funções essenciais, como ajudar na digestão, armazenar energia e eliminar substâncias prejudiciais ao organismo. Algumas hepatites são passageiras, enquanto outras podem permanecer por muitos anos e provocar complicações. Como nem sempre apresentam sintomas, muitas pessoas desconhecem que estão infectadas.

A dimensão do problema ajuda a compreender a importância dessa mobilização. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 287 milhões de pessoas viviam com hepatite B ou C de longa duração em 2024. No Brasil, foram registrados mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. Desse total, aproximadamente 224 mil casos ocorreram no Estado de São Paulo. Os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, à vacinação, aos testes e ao tratamento adequado.

A conscientização também deve alcançar os ambientes de trabalho. Profissionais de asseio, conservação e limpeza urbana podem encontrar agulhas, lâminas, vidros quebrados e outros objetos descartados de maneira inadequada. Quando esses materiais estão contaminados com sangue e provocam cortes ou perfurações, pode existir risco de transmissão de algumas hepatites. Por isso, informação, vacinação, condições seguras de trabalho e atendimento rápido após um acidente são medidas fundamentais para proteger a saúde desses trabalhadores.

HEPATITES VIRAIS

A palavra hepatite significa inflamação do fígado. Essa inflamação pode ter diferentes causas, como uso de determinados medicamentos, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alterações do sistema de defesa do organismo e infecções. Quando é provocada por um vírus, recebe o nome de hepatite viral. Portanto, as hepatites virais não são uma única doença, mas um grupo de infecções que atingem o mesmo órgão.

Existem cinco tipos principais, identificados pelas letras A, B, C, D e E. As hepatites A e E geralmente provocam infecções de curta duração, das quais a maioria das pessoas se recupera. No Brasil, a hepatite E é menos frequente. Apesar de normalmente serem passageiras, essas infecções também precisam de acompanhamento, pois podem apresentar formas graves em algumas situações.

As hepatites B e C podem permanecer no organismo por muitos anos e causar uma inflamação contínua no fígado. A hepatite D apresenta uma característica particular: seu vírus depende da presença do vírus da hepatite B para conseguir infectar uma pessoa. No Brasil, a hepatite D ocorre com maior frequência na Região Norte, embora possa ser identificada em outras regiões.

Embora atinjam o mesmo órgão, os vírus das hepatites apresentam diferenças importantes. Cada tipo possui características próprias quanto à forma de transmissão, ao tempo de permanência no organismo, à possibilidade de causar complicações e às medidas de prevenção e tratamento. Por isso, não é possível saber qual é o tipo de hepatite apenas pelos sintomas: a avaliação por um profissional de saúde e os exames indicados são necessários para identificar o vírus e orientar corretamente o cuidado.

Segundo a Profa. Dra. Maria Cássia Jacintho Mendes-Corrêa, médica infectologista e professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em declaração publicada pelo Jornal da USP em 2025: “A hepatite tem cura. Mas para tratar é preciso primeiro diagnosticar. Cuide do seu fígado, faça o teste e compartilhe essa informação”. A mensagem reforça a importância do diagnóstico, mas os resultados variam conforme o tipo: a hepatite C pode ser curada, enquanto a hepatite B geralmente precisa ser controlada por meio de acompanhamento e, quando indicado, tratamento.

TRANSMISSÃO

As hepatites virais não são transmitidas da mesma maneira. De forma geral, elas podem ser divididas em dois grupos: as hepatites A e E, relacionadas principalmente à contaminação por fezes, e as hepatites B, C e D, associadas sobretudo ao contato com sangue ou outros materiais biológicos contaminados. Conhecer essa diferença é importante para compreender em quais situações realmente existe risco de infecção.

As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela chamada via fecal-oral, que ocorre quando partículas microscópicas de fezes contendo o vírus chegam à boca. Isso pode acontecer pelo consumo de água ou alimentos contaminados, pela higiene inadequada das mãos ou pelo contato com ambientes sem saneamento adequado. A hepatite A também pode passar entre pessoas em situações de contato próximo que favoreçam essa forma de contaminação, enquanto a hepatite E pode ser adquirida pelo consumo de carne malcozida proveniente de animais infectados.

A hepatite B pode ser transmitida pelo contato com sangue, em relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, embora também possa ocorrer transmissão sexual ou da mãe para o bebê, com menor frequência. Já a hepatite D apresenta as mesmas formas de transmissão da hepatite B e somente consegue infectar uma pessoa que também tenha o vírus da hepatite B.

Para os trabalhadores de asseio, conservação e limpeza urbana, as situações que merecem maior atenção são os acidentes com agulhas, lâminas, vidros e outros objetos perfurocortantes que possam estar contaminados com sangue. Também pode existir exposição quando sangue contaminado atinge os olhos, a boca ou uma região da pele que esteja machucada. No caso das hepatites A e E, o risco está relacionado à possibilidade de materiais contaminados por fezes chegarem à boca, geralmente pelas mãos. O simples contato com lixo, a proximidade com uma pessoa infectada ou o toque em sangue com a pele íntegra não significam, por si só, que houve transmissão.

SINTOMAS

As hepatites virais são frequentemente chamadas de doenças silenciosas porque muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas. Isso é especialmente comum nas hepatites B e C, que podem permanecer no organismo durante anos sem causar sinais perceptíveis. Portanto, sentir-se bem não significa necessariamente que a pessoa não tenha uma hepatite viral.

Quando os sintomas aparecem no início da infecção, eles podem ser confundidos com os de outras doenças. Os mais comuns incluem cansaço, febre, mal-estar, tontura, dores musculares, perda de apetite, enjoo, vômitos e dor na região da barriga. Algumas pessoas também podem apresentar diarreia ou prisão de ventre.

Com a inflamação do fígado, podem surgir sinais mais característicos, como urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados. Essa coloração amarelada recebe o nome de icterícia. A intensidade e a duração dos sintomas variam de acordo com o tipo de vírus, a idade e as condições de saúde de cada pessoa. Nas hepatites que permanecem por muito tempo, os sinais podem aparecer somente quando o fígado já está mais comprometido.

Após um corte, uma perfuração ou o contato dos olhos, da boca ou da pele machucada com sangue ou outro material biológico, a pessoa não deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento. Como os sinais podem demorar ou nem sequer aparecer, a exposição precisa ser avaliada por um serviço de saúde o mais rapidamente possível. Da mesma forma, quem apresentar olhos ou pele amarelados, urina escura ou mal-estar persistente deve procurar atendimento para investigação.

Segundo a Profa. Dra. Maria Cássia Jacintho Mendes-Corrêa, médica infectologista e professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP): “Se você ou alguém da sua família apresentar esse quadro é importante considerar a hipótese de hepatite e procurar atendimento médico”. A orientação reforça que os sintomas precisam ser avaliados por um profissional, pois somente os exames podem confirmar a infecção e identificar o tipo de hepatite.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico das hepatites virais não pode ser feito apenas pela presença ou ausência de sintomas. A avaliação considera o estado de saúde da pessoa, situações anteriores de possível exposição e os resultados de exames específicos. Esses exames permitem confirmar se existe uma infecção, identificar o tipo de vírus e verificar se a doença está ativa.

Para as hepatites B e C, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testes rápidos, geralmente realizados com uma pequena gota de sangue retirada da ponta do dedo. O resultado fica disponível em poucos minutos. Quando o teste apresenta resultado reagente, podem ser necessários exames complementares para confirmar a infecção e avaliar a presença do vírus no organismo.

As hepatites A, D e E também são identificadas por exames de sangue específicos. A escolha do exame depende dos sintomas, do histórico da pessoa e do tipo de exposição que pode ter ocorrido. Outros exames podem ser solicitados para avaliar o funcionamento do fígado e verificar se existe alguma alteração provocada pela infecção.

O Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas realizem os testes para as hepatites B e C pelo menos uma vez na vida. A testagem pode precisar ser repetida quando houver novas situações de risco e também faz parte do acompanhamento durante a gestação. Após contato com sangue ou material biológico potencialmente contaminado, a pessoa deve procurar um serviço de saúde sem esperar pelo aparecimento de sintomas. Os testes rápidos podem ser solicitados gratuitamente nas unidades de saúde do SUS.

TRATAMENTO

O tratamento das hepatites virais depende do tipo de vírus, do tempo de infecção e das condições do fígado e da saúde geral da pessoa. Por isso, medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos ou substituídos sem orientação profissional. A automedicação também deve ser evitada, pois alguns remédios e produtos naturais podem aumentar a sobrecarga sobre o fígado.

As hepatites A e E geralmente são infecções de curta duração e não há um medicamento específico para eliminar esses vírus. O cuidado busca aliviar os sintomas, manter a hidratação e garantir uma alimentação adequada durante a recuperação. A internação pode ser necessária nos casos mais graves, enquanto o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sem orientação devem ser evitados.

A hepatite B ainda não possui um tratamento capaz de eliminar completamente o vírus na maioria dos casos. Entretanto, os medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) podem controlar a infecção e diminuir o risco de cirrose, câncer de fígado e outras complicações. Na hepatite D, o tratamento também busca controlar a multiplicação do vírus e reduzir os danos ao fígado, devendo ser realizado em um serviço especializado.

A hepatite C pode ser tratada com medicamentos chamados antivirais de ação direta, que impedem a multiplicação do vírus no organismo. Esses medicamentos promovem a cura em mais de 95% dos casos, e o tratamento costuma durar 12 ou 24 semanas, conforme a avaliação profissional. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS e deve ser realizado até o final, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas.

RISCOS E POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES

A maioria das pessoas com hepatite A ou E se recupera sem apresentar consequências permanentes. Entretanto, em situações pouco frequentes, a inflamação pode comprometer rapidamente o funcionamento do fígado e causar uma forma grave da doença, chamada hepatite fulminante. Esse quadro exige atendimento hospitalar imediato e pode levar à necessidade de transplante ou, em casos extremos, à morte.

As hepatites B, C e D apresentam maior risco de permanecer no organismo por muitos anos. A inflamação contínua pode provocar cicatrizes no fígado, processo conhecido como fibrose. Com o passar do tempo, essas cicatrizes podem se tornar extensas e causar cirrose, condição que dificulta o funcionamento do órgão e pode provocar inchaço na barriga e nas pernas, sangramentos, confusão mental e outras alterações graves.

A cirrose também aumenta o risco de insuficiência do fígado e de câncer hepático. A hepatite D merece atenção especial porque, quando associada à hepatite B, pode acelerar os danos ao órgão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites B e C causaram aproximadamente 1,3 milhão de mortes no mundo em 2024, principalmente em consequência da cirrose e do câncer de fígado.

Essas complicações não acontecem com todas as pessoas e podem ser evitadas ou reduzidas por meio do diagnóstico precoce, do acompanhamento e do tratamento adequado. Por isso, mesmo na ausência de sintomas, quem recebeu um diagnóstico de hepatite deve manter o acompanhamento recomendado. Também é importante evitar bebidas alcoólicas e não utilizar medicamentos ou produtos naturais sem orientação profissional, pois algumas substâncias podem aumentar os danos ao fígado.

PREVENÇÃO

A vacinação é uma das principais formas de prevenção. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente no SUS para todas as pessoas que ainda não completaram o esquema recomendado e também protege contra a hepatite D. A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil e pode ser indicada para adultos que apresentam determinadas condições de saúde. No Brasil, não há vacinas disponíveis contra as hepatites C e E. As indicações atualizadas podem ser consultadas no Calendário Nacional de Vacinação de 2026.

A prevenção também inclui lavar as mãos após usar o banheiro e antes de preparar ou consumir alimentos, utilizar água própria para consumo e higienizar corretamente os alimentos. Para reduzir o risco das hepatites transmitidas pelo sangue, não devem ser compartilhados agulhas, seringas, lâminas, alicates de unha, escovas de dentes ou outros objetos que possam cortar a pele ou conter pequenas quantidades de sangue. O uso de preservativo também ajuda a prevenir a transmissão sexual, principalmente da hepatite B.

No trabalho de asseio, conservação e limpeza urbana, devem ser utilizados os equipamentos de proteção indicados para cada atividade, como luvas de segurança resistentes a cortes e perfurações, calçados de segurança adequados e, quando houver possibilidade de respingos, proteção para os olhos e o rosto. Sacos de lixo não devem ser apertados contra o corpo, abertos com as mãos nem pressionados para reduzir seu volume. Agulhas, vidros ou outros objetos perfurocortantes nunca devem ser recolhidos diretamente com as mãos. É importante utilizar instrumentos apropriados e comunicar a presença desses materiais para que sejam recolhidos e descartados com segurança. Mesmo as luvas não eliminam completamente o risco de uma perfuração.

Se ocorrer corte ou perfuração com objeto possivelmente contaminado, o local deve ser lavado imediatamente com água e sabão, sem apertar a ferida nem aplicar produtos irritantes. Quando houver contato com os olhos ou a boca, a região deve ser lavada com bastante água ou soro fisiológico. O acidente precisa ser comunicado ao responsável e avaliado rapidamente em um serviço de saúde, sem esperar pelo aparecimento de sintomas. Dependendo da situação e do histórico de vacinação, podem ser indicados exames, vacina ou imunoglobulina contra a hepatite B e acompanhamento para hepatite C e outras infecções.

ONDE BUSCAR AJUDA

Quem deseja fazer testes, atualizar a vacinação ou receber orientação sobre hepatites virais pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Em caso de acidente com sangue ou objeto perfurocortante, o atendimento deve ser procurado imediatamente. Os endereços eletrônicos abaixo ajudam a localizar informações e serviços públicos.

Brasil — Ministério da Saúde: onde encontrar testes rápidos
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/testes-rapidos-1/onde-encontrar

Estado de São Paulo — Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”: Hepatites Virais B e C
https://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/areas-de-vigilancia/hepatites-virais-b-e-c/

Cidade de São Paulo — Busca Saúde: localização de unidades da rede municipal
https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/

Cidade de São Paulo — Rede Municipal Especializada em IST/Aids
https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/istaids/enderecos-ist-aids

CONCLUSÃO

As hepatites virais continuam sendo um importante problema de saúde porque muitas infecções permanecem silenciosas durante anos. Quando o diagnóstico acontece somente após o fígado estar comprometido, o tratamento pode se tornar mais difícil. Por outro lado, a vacinação, os testes e os medicamentos disponíveis permitem prevenir infecções, controlar a hepatite B e curar a grande maioria dos casos de hepatite C.

Cuidar da saúde do fígado começa com atitudes acessíveis: manter a vacinação atualizada, não compartilhar objetos que possam conter sangue, utilizar preservativo, consumir água e alimentos seguros e procurar atendimento após uma possível exposição. Fazer os testes para as hepatites B e C, mesmo sem sintomas, também é uma forma de cuidado consigo e com as outras pessoas.

Nos ambientes de trabalho, a prevenção exige organização segura das atividades, fornecimento gratuito de equipamentos adequados, treinamento, descarte correto de materiais e atendimento rápido após acidentes. Ao trabalhador, cabe utilizar os equipamentos conforme as orientações, comunicar situações de risco e informar imediatamente a ocorrência de acidentes. O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais reforça uma mensagem essencial: informação confiável, diagnóstico no momento certo e acesso ao tratamento podem evitar complicações e salvar vidas.

REFERÊNCIAS

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VIDEO RECOMENDADO SOBRE HEPATITES VIRAIS

Tipos de hepatites em 7 perguntas; Drauzio Varella; 7 de julho; de 2022;


Hepatites: Panorama brasileiro Drauzio Varella; 2 de dezembro de 2019; 


Como é o tratamento de hepatite C no SUS Drauzio Varella; 6 de março de 2019;