Dia nacional de alerta à insuficiência cardíaca

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 06/07/2026

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Celebrado em 9 de julho, o Dia Nacional de Alerta à Insuficiência Cardíaca tem como objetivo conscientizar a população sobre a Insuficiência Cardíaca (IC) e reforçar a importância do reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, do diagnóstico e do tratamento adequados. A data também chama atenção para a necessidade de prevenção e acompanhamento contínuo, contribuindo para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.

No Brasil, a IC representa um importante problema de saúde pública. A doença afeta cerca de 1,1% da população adulta, percentual que atinge cerca de 3,3% entre pessoas com 60 anos ou mais, e permanece entre as principais causas de internação por doenças cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS). Além dos impactos para os pacientes e seus familiares, também impõe elevados custos ao sistema de saúde e está relacionada à perda da capacidade funcional e da qualidade de vida.

No Estado de São Paulo, que concentra uma das maiores redes de assistência cardiológica do país, a IC também representa um importante desafio para os serviços de saúde. A presença de centros de referência em cardiologia e o elevado número de pacientes acompanhados reforçam a importância de ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado da doença.

Diante desse cenário, ampliar o conhecimento da população sobre a IC representa um passo importante para fortalecer a conscientização sobre a doença e contribuir para uma melhor saúde cardiovascular.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

A IC é uma doença crônica em que o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do organismo. Isso não significa que o coração deixou de funcionar, mas que ele já não consegue trabalhar com a eficiência necessária para levar sangue rico em oxigênio e nutrientes a todo o corpo.

Essa alteração pode ocorrer porque o coração perdeu parte da sua força para se contrair ou porque passou a apresentar dificuldade para relaxar e se encher de sangue entre um batimento e outro. Em ambos os casos, o funcionamento do sistema cardiovascular fica comprometido, dificultando a circulação adequada do sangue pelo organismo.

Como consequência, órgãos e tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes do que necessitam para desempenhar suas funções normalmente. Além disso, pode ocorrer acúmulo de líquidos, principalmente nos pulmões, nas pernas e nos pés, provocando sintomas que tendem a se intensificar à medida que a doença evolui.

De acordo com o Prof. Dr. Edimar Alcides Bocchi, reconhecer a IC precocemente e manter o acompanhamento adequado são medidas fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e retardar a progressão da doença. Essa orientação reforça a importância de conhecer os primeiros sinais e sintomas, tema abordado no próximo tópico.

PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS

Os sinais e sintomas da IC podem variar de acordo com a gravidade da doença e nem sempre aparecem de forma repentina. Na maioria dos casos, eles surgem lentamente e tendem a se intensificar com o passar do tempo, o que faz com que muitas pessoas atribuam essas manifestações ao envelhecimento ou ao cansaço do dia a dia.

Entre os sintomas mais frequentes estão a falta de ar, principalmente durante esforços ou ao deitar-se; o cansaço excessivo para realizar atividades rotineiras; o inchaço nas pernas, tornozelos e pés; e o ganho de peso provocado pelo acúmulo de líquidos no organismo. Esses sinais ocorrem porque o coração deixa de bombear sangue de forma eficiente, favorecendo a retenção de líquidos e reduzindo o fornecimento de oxigênio e nutrientes aos tecidos.

À medida que a doença evolui, tarefas simples, como caminhar pequenas distâncias, subir escadas ou realizar atividades domésticas, podem tornar-se cada vez mais difíceis. Diante da presença desses sintomas, especialmente quando persistentes ou progressivos, é importante procurar avaliação médica para que a causa seja identificada e o tratamento seja iniciado o mais cedo possível.

Segundo o Prof. Dr. Edimar Alcides Bocchi, “com um diagnóstico precoce, se consegue efetuar um tratamento em fase mais inicial, evitando que a pessoa evolua na doença.” Essa orientação reforça que sintomas persistentes não devem ser considerados uma consequência normal do envelhecimento e merecem avaliação médica.

PRINCIPAIS CAUSAS E FATORES DE RISCO

A IC pode ser causada por diferentes doenças que comprometem o funcionamento do coração ao longo do tempo. Em muitos casos, ela é consequência de problemas cardiovasculares que não foram prevenidos ou tratados adequadamente.

Entre as principais causas estão a hipertensão arterial, o infarto do miocárdio, as doenças das válvulas cardíacas, as doenças do músculo do coração (cardiomiopatias) e algumas alterações congênitas. Além disso, condições como diabetes, obesidade, doença renal crônica e o envelhecimento aumentam o risco de desenvolver a IC.

Alguns hábitos de vida também contribuem para o surgimento da doença. O tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a alimentação com excesso de sal e alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e o controle inadequado da pressão arterial e do diabetes favorecem a sobrecarga do coração ao longo dos anos.

De acordo com o Prof. Dr. Fernando Bacal, muitas das causas da IC podem ser prevenidas ou controladas por meio do diagnóstico precoce, do tratamento adequado das doenças cardiovasculares e da adoção de hábitos de vida saudáveis. Essa orientação reforça que cuidar da saúde do coração ao longo da vida é uma das principais formas de reduzir o risco de desenvolver a doença.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da IC começa com uma avaliação clínica detalhada. O médico analisa os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, investiga seu histórico de saúde e realiza o exame físico, buscando identificar alterações que possam indicar comprometimento da função do coração.

Para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da doença, podem ser solicitados exames complementares. Entre os principais estão o eletrocardiograma, que avalia a atividade elétrica do coração; o ecocardiograma, considerado um dos exames mais importantes para analisar a estrutura e o funcionamento do coração; exames de sangue, que auxiliam na investigação da doença; e a radiografia de tórax, utilizada para verificar alterações no tamanho do coração e a presença de líquido nos pulmões.

Em alguns casos, outros exames, como o teste ergométrico, a ressonância magnética cardíaca e a tomografia computadorizada, podem ser indicadas para complementar a investigação, dependendo das características de cada paciente.

Segundo o Prof. Dr. Edimar Alcides Bocchi, “com um diagnóstico precoce, se consegue efetuar um tratamento em fase mais inicial, evitando que a pessoa evolua na doença.” Essa orientação reforça a importância de procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes ou fatores de risco para doenças cardiovasculares.

TRATAMENTO

O tratamento da IC tem como objetivo aliviar os sintomas, retardar a progressão da doença, reduzir o risco de internações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A escolha do tratamento depende da causa da IC, da gravidade da doença e das características de cada pessoa.

Na maioria dos casos, o tratamento combina mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos. Entre as principais recomendações estão reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física sob orientação profissional, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Além disso, o uso correto dos medicamentos prescritos pelo médico é fundamental para o controle da doença.

Em situações específicas, alguns pacientes podem necessitar de dispositivos implantáveis, como marcapassos e cardiodesfibriladores, ou de procedimentos mais complexos, como cirurgias para correção de doenças cardíacas e, em casos selecionados, transplante cardíaco.

Segundo o Prof. Dr. Fernando Bacal, “hoje o avanço dos medicamentos é tremendo. Inúmeros estudos mostraram remédios que mudam o prognóstico, melhoram a sobrevida, melhoram a qualidade de vida e reduzem internações.” Essa evolução reforça que o tratamento da IC tem avançado significativamente e que o acompanhamento médico regular é essencial para que os pacientes se beneficiem desses tratamentos.

PREVENÇÃO

Embora nem todos os casos de IC possam ser evitados, a adoção de hábitos saudáveis e o controle adequado dos fatores de risco podem reduzir significativamente a probabilidade de desenvolver a doença. Cuidar da saúde do coração ao longo da vida é uma das principais estratégias para manter o coração saudável.

Entre as medidas mais importantes estão manter a pressão arterial e o diabetes sob controle, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e manter o peso corporal adequado. Além disso, realizar consultas médicas periódicas e seguir corretamente os tratamentos prescritos para outras doenças cardiovasculares também contribui para reduzir o risco de IC.

A prevenção também depende da participação ativa do paciente no cuidado com a própria saúde. Reconhecer precocemente sinais e sintomas, procurar atendimento médico diante de alterações persistentes e seguir as orientações da equipe de saúde são atitudes que favorecem o diagnóstico precoce e aumentam as chances de um tratamento bem-sucedido.

De acordo com o Prof. Dr. Bacal, a prevenção continua sendo uma das principais formas de reduzir o impacto das doenças cardiovasculares na população. Essa mensagem reforça que hábitos saudáveis, acompanhamento médico e informação de qualidade são fundamentais para proteger a saúde do coração e melhorar a qualidade de vida.

TRATAMENTO E ORIENTAÇÃO

Pessoas com sinais e sintomas sugestivos de IC devem procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em outro serviço de saúde de sua confiança. Após a avaliação inicial, quando necessário, o paciente poderá ser encaminhado para acompanhamento com um cardiologista e para a realização dos exames indicados.

Em todo o Brasil, informações sobre os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), locais de atendimento e programas de saúde podem ser consultadas no portal oficial do Ministério da Saúde.

Ministério da Saúde:

 https://www.gov.br/saude

No Estado de São Paulo, pacientes encaminhados pela rede pública podem receber atendimento em centros de referência em cardiologia, como o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia:

 https://www.idpc.org.br

Na cidade de São Paulo, pacientes atendidos pelo SUS também podem ser encaminhados ao; 

Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP):

 https://www.incor.usp.br

Hospital São Paulo (UNIFESP): 

https://hospitalsaopaulo.org.br

Ambas são instituições reconhecidas pelo diagnóstico, tratamento e pesquisa em doenças cardiovasculares.

Em situações de urgência, como falta de ar intensa, dor no peito, desmaio ou piora súbita dos sintomas, procure imediatamente o serviço de emergência mais próximo ou acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192).

SAMU 192:

 https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/samu

CONCLUSÃO

O Dia Nacional de Alerta à Insuficiência Cardíaca representa uma importante oportunidade para ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que continua sendo um grande desafio para a saúde pública. Informar, conscientizar e estimular o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas são medidas fundamentais para favorecer o diagnóstico em tempo oportuno e o início do tratamento adequado.

Os avanços da medicina têm proporcionado novas possibilidades de tratamento, permitindo melhor controle da doença, redução das internações e melhora da qualidade de vida de muitos pacientes. No entanto, esses benefícios dependem do diagnóstico precoce, da adesão ao tratamento e do acompanhamento médico regular.

Cuidar da saúde do coração é um compromisso que deve começar antes mesmo do aparecimento da doença. Controlar os fatores de risco, manter hábitos de vida saudáveis e realizar avaliações médicas periódicas são atitudes que contribuem para a prevenção da IC e de outras doenças cardiovasculares.

Neste 9 de julho, o principal convite é à conscientização. Conhecer a IC, reconhecer seus sinais e buscar atendimento médico diante dos primeiros sintomas são atitudes que podem fazer a diferença na evolução da doença e na qualidade de vida dos pacientes.

REFERÊNCIAS

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol. 2024.
  • McDonagh TA, Metra M, Adamo M, Gardner RS, Baumbach A, Böhm M, et al. 2023 Focused Update of the 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J. 2023.
  • Heidenreich PA, Bozkurt B, Aguilar D, Allen LA, Byun JJ, Colvin MM, et al. 2022 AHA/ACC/HFSA Guideline for the Management of Heart Failure. Circulation. 2022;145(18):e895-e1032.
  • Bocchi EA, Braga FGM, Ferreira SMA, Rohde LEP, Oliveira WA, Almeida DR, et al. III Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica. Arq Bras Cardiol. 2018.
  • Ministério da Saúde (BR). Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde.
  • DATASUS. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Informações em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde.
  • Agência Brasil. Prevenção é arma contra insuficiência cardíaca, diz pesquisador. Agência Brasil. 2022.
  • Bocchi EA, et al. Heart failure in South America. Current Cardiology Reviews. 2013.
  • Fernandes ADS, et al. Prevalence of heart failure in Brazil: findings from the National Health Survey. Rev Bras Epidemiol. 2025.
  • Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). São Paulo: Universidade de São Paulo.
  • DailyMotion. Entrevista com o Prof. Dr. Fernando Bacal sobre insuficiência cardíaca e avanços no tratamento. 2025.
  • Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. São Paulo: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
  • Hospital São Paulo – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo: Universidade Federal de São Paulo.

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Doenças cardíacas crônicas; Drauzio Varella; 5 de setembro de 2025;