MENINGITE
Reconhecer os sinais e agir rapidamente pode salvar vidas

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 19/10/2026

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A meningite é uma inflamação das camadas que protegem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, parasitas e, menos frequentemente, por condições não infecciosas. Algumas formas são mais leves, enquanto outras podem evoluir rapidamente, provocar complicações graves e levar à morte.

Em 2025, o Brasil registrou 13.653 casos de meningite de diferentes causas, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo com base em informações do Ministério da Saúde. A doença pode ocorrer durante todo o ano e atingir pessoas de qualquer idade, embora determinados grupos apresentem maior risco.

No estado de São Paulo, o Guia de Vigilância Epidemiológica de 2025 informa que, durante a década analisada, aproximadamente três em cada dez pessoas diagnosticadas com meningite pneumocócica morreram. Esse dado não representa todas as formas da doença, mas demonstra a gravidade que algumas infecções bacterianas podem apresentar.

Parte dos casos pode ser evitada por meio da vacinação. Entretanto, não existe uma única vacina capaz de prevenir todas as formas de meningite. Por isso, além de manter a vacinação atualizada, é fundamental conhecer os sintomas e procurar atendimento médico rapidamente diante de sinais suspeitos.

MENINGITE

As meninges são camadas finas que funcionam como uma proteção ao redor do cérebro — órgão localizado dentro da cabeça e responsável por comandar o corpo — e da medula espinhal, estrutura que passa por dentro da coluna e leva informações entre o cérebro e o restante do organismo. A meningite acontece quando essas camadas ficam inflamadas.

A doença pode ser causada por diferentes agentes. As meningites virais costumam ser mais frequentes e, em muitos casos, apresentam evolução menos grave. Entretanto, alguns vírus também podem provocar complicações e exigir tratamento específico.

As meningites bacterianas geralmente apresentam maior risco de evolução rápida, sequelas permanentes e morte. Entre as bactérias relacionadas à doença estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo B. Existem ainda formas causadas por fungos e parasitas, observadas principalmente em pessoas com o sistema de defesa enfraquecido.

Não é possível identificar a causa apenas pelos sintomas. Por isso, qualquer suspeita de meningite precisa ser avaliada imediatamente por uma equipe de saúde.

TRANSMISSÃO

A forma de transmissão depende do agente causador. Portanto, nem todas as meningites são transmitidas da mesma maneira e o diagnóstico de um caso não significa, por si só, que todas as pessoas próximas estejam em risco.

Algumas bactérias, como o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo B, podem ser transmitidas por gotículas e secreções respiratórias liberadas ao falar, tossir ou espirrar. O risco é maior quando existe contato próximo ou prolongado, principalmente entre pessoas que moram no mesmo local ou compartilham objetos que entram em contato com a saliva.

Alguns vírus relacionados à meningite podem ser transmitidos pelas mãos, por objetos ou alimentos contaminados e pelo contato com secreções respiratórias. Determinados vírus também podem ser transmitidos por mosquitos. As meningites causadas por fungos geralmente estão relacionadas ao contato com agentes presentes no ambiente e não costumam passar diretamente de uma pessoa para outra.

Quando ocorre uma forma bacteriana que exige medidas de controle, o serviço de vigilância epidemiológica identifica quem realmente teve contato próximo com o paciente. Somente essas pessoas, após avaliação, podem receber medicamentos preventivos. Não se deve tomar antibiótico por conta própria.

GRUPO DE RISCO

A meningite pode atingir qualquer pessoa, mas bebês e crianças pequenas apresentam maior risco porque seu sistema de defesa ainda está em desenvolvimento. Nessa faixa etária, os sintomas também podem ser menos evidentes, o que exige atenção dos pais e responsáveis.

Adolescentes e adultos jovens também podem estar mais expostos em situações de convivência próxima, como alojamentos, dormitórios coletivos e outros ambientes com grande concentração de pessoas.

Pessoas idosas, indivíduos com o sistema de defesa enfraquecido e pessoas que vivem com algumas doenças crônicas também podem apresentar maior risco de formas graves. A retirada ou o mau funcionamento do baço, o implante coclear e determinadas alterações que permitam o vazamento do líquido que protege o cérebro e a medula são outros fatores considerados pelos profissionais de saúde.

Viagens para regiões com circulação elevada da doença, participação em grandes aglomerações e contato próximo com uma pessoa infectada também podem aumentar a exposição. Apresentar um fator de risco, entretanto, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá meningite.

SINAIS E SINTOMAS

Os sintomas mais conhecidos são febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço — dificuldade ou dor para movimentar o pescoço. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, irritabilidade, sonolência incomum e incômodo provocado pela luz.

Confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar, perda da consciência e manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele são sinais de gravidade. Nessas situações, o atendimento deve ser imediato.

Em bebês, os sinais podem ser diferentes. Choro persistente, dificuldade para mamar, vômitos, sonolência fora do habitual, corpo muito rígido ou muito mole e inchaço da moleira precisam ser avaliados rapidamente. A rigidez no pescoço pode não estar presente nessa faixa etária.

Segundo o Prof. Dr. Valdes Roberto Bollela, médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), os sintomas podem variar em intensidade e, nos casos mais graves, incluir convulsões e confusão mental. Em entrevista ao Jornal da USP, publicada em 2017, o especialista destacou a importância da avaliação médica diante da suspeita da doença.

Não se deve esperar pelo aparecimento de todos os sintomas. A meningite pode evoluir rapidamente, principalmente quando causada por bactérias.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é realizado em ambiente hospitalar. A equipe avalia quando os sintomas começaram, o estado de consciência, a movimentação do pescoço, a presença de manchas na pele ou convulsões, a idade, o histórico de saúde, os medicamentos utilizados, a situação vacinal e a possibilidade de contato com uma pessoa infectada.

Um dos principais exames é a punção lombar. Nesse procedimento, uma pequena quantidade do líquido que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal é retirada pela região inferior das costas, abaixo do ponto em que termina a medula. Antes do exame, a equipe verifica se o procedimento pode ser realizado com segurança.

O material coletado pode ser analisado para verificar alterações na quantidade de células, glicose e proteínas, além de identificar o agente causador por cultura ou por testes que procuram seu material genético. Os resultados são interpretados em conjunto com os sintomas e os demais exames.

Exames de sangue também podem ajudar na identificação da infecção. A tomografia pode ser solicitada em situações específicas, mas não substitui a análise do líquido coletado. Quando existe suspeita de meningite bacteriana, o tratamento deve começar rapidamente e não pode aguardar todos os resultados. Os exames necessários estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

TRATAMENTO

A meningite é uma emergência médica. A pessoa com suspeita da doença deve receber avaliação hospitalar e permanecer sob acompanhamento da equipe de saúde.

A meningite bacteriana é tratada com antibióticos administrados diretamente na veia. O medicamento pode ser ajustado depois da identificação da bactéria. Em algumas situações, também são utilizados medicamentos para diminuir a inflamação e o risco de complicações.

Os antibióticos não funcionam contra vírus. Nas meningites virais, o tratamento pode incluir hidratação, controle da febre, da dor e dos vômitos. Medicamentos antivirais são utilizados apenas em determinadas infecções. As meningites causadas por fungos ou parasitas exigem medicamentos específicos e podem necessitar de tratamento prolongado.

Nos casos graves, podem ser necessários oxigênio, líquidos administrados pela veia e medicamentos para controlar convulsões, pressão arterial e outras complicações. O tratamento não deve ser interrompido ou modificado sem orientação médica.

SEQUELAS E COMPLICAÇÕES RELACIONADAS A MENINGITE

A maioria das pessoas pode se recuperar, principalmente quando recebe diagnóstico e tratamento rapidamente. Entretanto, a Organização Mundial da Saúde informa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas que sobrevivem à meningite bacteriana pode apresentar complicações duradouras.

Entre as possíveis sequelas estão perda de audição, convulsões e dificuldades relacionadas à memória, concentração, aprendizagem, fala, equilíbrio e movimentação do corpo. A gravidade e a duração dessas alterações variam de uma pessoa para outra.

A infecção meningocócica também pode alcançar o sangue e provocar sepse, uma reação grave do organismo à infecção. Nesses casos, podem ocorrer lesões na pele e nos órgãos e, em situações extremas, necessidade de amputação.

Após a alta, algumas pessoas necessitam de acompanhamento com neurologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo ou outros profissionais. Avaliações da audição, do desenvolvimento infantil e do funcionamento do sistema nervoso ajudam a identificar precocemente possíveis sequelas.

PREVENÇÃO E VACINAÇÃO

A vacinação é uma das principais formas de prevenir as meningites causadas por determinadas bactérias. Como existem diferentes agentes causadores, nenhuma vacina oferece proteção contra todas as formas da doença.

No Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a vacina meningocócica C é indicada aos 3 e 5 meses de idade, seguida do reforço com a vacina meningocócica ACWY aos 12 meses. A ACWY também é indicada aos 11 anos, com possibilidade de vacinação até os 14 anos, 11 meses e 29 dias para quem ainda não recebeu a dose recomendada.

A vacina BCG, aplicada preferencialmente ao nascer, ajuda a proteger contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa. A vacina pentavalente protege contra o Haemophilus influenzae tipo B. As vacinas pneumocócicas também reduzem o risco de doenças graves causadas pelo pneumococo, incluindo meningite.

Durante a transição iniciada em 2026, o esquema infantil pode reunir doses das vacinas pneumocócicas 10-valente e 20-valente, conforme as orientações do Ministério da Saúde e a disponibilidade na rede pública. A unidade de saúde deve consultar o histórico vacinal da criança e indicar o esquema adequado.

Segundo a Dra. Ana Paula Beltran Moschione Castro, médica da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a ampliação da vacinação para os grupos A, C, W e Y aumenta as possibilidades de proteção contra o meningococo. Em entrevista ao Jornal da USP, publicada em 2025, a especialista também ressaltou que a prevenção depende da manutenção de uma elevada adesão da população à vacinação.

Lavar as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar o compartilhamento de copos, talheres, garrafas, cigarros e outros objetos que entram em contato com a saliva também ajudam a diminuir a transmissão de alguns agentes.

Para consultar as vacinas indicadas em cada idade, acesse o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde: CLIQUE AQUI.

PREVENÇÃO DA MENINGITE NO AMBIENTE DE TRABALHO

Trabalhar no mesmo local que uma pessoa diagnosticada com meningite não significa, automaticamente, que ocorreu uma exposição capaz de transmitir a doença. O risco depende do agente causador, da proximidade, do tempo de contato e da possibilidade de contato com saliva ou secreções respiratórias.

Quando o caso exige medidas preventivas, a vigilância epidemiológica identifica quem manteve contato próximo com o paciente e informa os procedimentos necessários. Antibióticos preventivos devem ser utilizados somente quando indicados e prescritos pelo serviço de saúde.

Os trabalhadores devem seguir os procedimentos habituais de higiene e segurança: lavar as mãos após retirar as luvas, utilizar corretamente os equipamentos de proteção previstos para a atividade e manter os ambientes ventilados sempre que possível. Não é necessário utilizar produtos químicos diferentes ou realizar desinfecções especiais sem orientação das autoridades de saúde.

O trabalhador que apresentar sintomas suspeitos deve procurar atendimento imediatamente. As orientações do serviço de saúde e da vigilância epidemiológica devem ser seguidas tanto pela pessoa atendida quanto pelos responsáveis pelo local de trabalho.

QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO

A pessoa deve procurar atendimento imediatamente quando apresentar febre acompanhada de dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, vômitos repetidos, incômodo provocado pela luz ou sonolência fora do habitual.

Confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar, perda da consciência, respiração acelerada ou manchas avermelhadas e arroxeadas na pele representam sinais de emergência. Nesses casos, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pelo número 192.

Bebês com febre, choro persistente, dificuldade para mamar, vômitos, pouca reação aos estímulos ou inchaço da moleira também precisam de avaliação urgente. A ausência de rigidez no pescoço não descarta a doença nessa faixa etária.

Medicamentos para dor ou febre podem diminuir temporariamente os sintomas, mas não tratam a causa da meningite. Não se deve utilizar antibióticos guardados em casa nem aguardar o aparecimento de todos os sinais.

ONDE BUSCAR AJUDA

Diante da suspeita de meningite, a pessoa deve procurar a unidade de urgência ou o pronto-socorro mais próximo. Não é necessário aguardar uma consulta com especialista. Em situações graves, deve-se acionar o SAMU pelo número 192.

Brasil

Meu SUS Digital — Ministério da Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/seidigi/meususdigital

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — SAMU 192
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/samu-192

Estado de São Paulo

Instituto de Infectologia Emílio Ribas
https://www.emilioribas.org/

Instituto de Infectologia Emílio Ribas II — Baixada Santista
https://www.saude.sp.gov.br/humanizacao/unidades-participantes/hospitais-e-outros-servicos-de-saude/instituto-de-infectologia-emilio-ribas-baixada-santista/informacoes-gerais

Cidade de São Paulo

Busca Saúde — Prefeitura de São Paulo
https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/

Unidades de Pronto Atendimento — Prefeitura de São Paulo
https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/unidades-pronto-atendimento-upa

CONCLUSÃO

A meningite pode ter diferentes causas e níveis de gravidade. Algumas formas evoluem rapidamente e podem provocar complicações permanentes ou levar à morte. Por isso, sintomas como febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, sonolência incomum, confusão mental, convulsões ou manchas avermelhadas e arroxeadas na pele exigem atendimento médico imediato.

A vacinação é uma das principais formas de prevenção, embora não proteja contra todos os tipos da doença. Manter as vacinas indicadas para cada idade em dia, adotar cuidados de higiene e seguir as orientações dos serviços de saúde ajudam a reduzir os riscos.

Conhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode fazer diferença no resultado do tratamento. Em casos graves, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pelo número 192.

REFERÊNCIAS

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Meningite. Brasília: Ministério da Saúde; 2026; https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite/
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  3. São Paulo (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo. 2ª ed. São Paulo: SES/CCD/CVE; 2025; https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/metodos/guia2025_vigilancia_metodos.pdf
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  10. Grepi G. Meningite e suas complicações. Jornal da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2017; https://jornal.usp.br/radio-usp/radioagencia-usp/meningite-e-suas-complicacoes/
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Qual a diferença da meningite viral e bacteriana; Dra. Ana Escobar; 20 de nov. de 2023;