Nova classificação da pressão arterial

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 24/11/2025

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A leitura da pressão arterial de 120/80, antes vista como normal, agora é classificada como pré-hipertensão (é uma condição em que a pressão arterial está elevada, mas ainda não é classificada como hipertensão), de acordo com as novas diretrizes elaboradas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Nefrologia e Hipertensão. O documento, coordenado pelo professor Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Unidade de Hipertensão do InCor (Instituto do Coração), segue a tendência de recomendações internacionais divulgadas recentemente na Europa e busca antecipar a atenção médica para grupos de risco.

Segundo Dr. Bortolotto, o entendimento de que níveis aparentemente normais já trazem risco não é novo. Estudos mostram que a partir de 115/75 milímetros de mercúrio, cada aumento de 20 pontos na pressão sistólica (valor mais alto da pressão arterial), ou de 10 na diastólica (valor mais baixo da pressão arterial), eleva consideravelmente as chances de complicações cardiovasculares. Por isso, valores iguais ou acima de 120/80 já exigem acompanhamento e mudanças de hábito, mesmo que não representem hipertensão instalada. “A ideia é fazer um alerta e começar a prevenção logo”, explica o pesquisador.


Quadro comparativo dos níveis de Pressão Arterial referentes a classificação de 2020 e suas recomendações atuais, 2025.

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020-2025

Classificação da pressão arterial medida no consultório a partir de 18 anos de idade

Classificação 2020 Classificação 2025 PAS (mmHg) PAD (mmHg)
PA ótima PA normal <120 e <80
PA normal Pré hipertensão 120 -129 e/ou 80 -84
Pré hipertensão Pré hipertensão 130 – 139 e/ou 85 – 89
HA estágio 1 HA estágio 1 140 – 159 e/ou 90 – 99
HA estágio 2 HA estágio 2 160 – 179 e/ou 100 – 109
HA estágio 3 HA estágio 3 > 180 e/ou >110

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial; Sociedade Brasileira de Hipertensão; 6 de outubro de 2025


PREVENÇÃO É O FOCO

As novas diretrizes indicam que quem está na faixa de pré-hipertensão deve adotar mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, controlar o peso, praticar atividades físicas e gerenciar o estresse. O uso de medicamentos, no entanto, só é considerado em casos específicos — como em pessoas com pressão acima de 13/8 associada a diabetes ou doenças renais. “Esses pacientes têm risco maior e podem precisar de remédios, caso as medidas não medicamentosas não surtam efeito após três meses”, explica o especialista.

Quando a pressão ultrapassa 14/9, a hipertensão é considerada instalada, exigindo tratamento medicamentoso. Segundo o cardiologista, essa elevação indica que os vasos sanguíneos já estão sofrendo danos, o que aumenta a probabilidade de eventos graves, como infarto e AVC. Por isso, mesmo pessoas sem diagnóstico devem medir a pressão regularmente e ficar atentas a sintomas como dor de cabeça intensa, tontura, falta de ar ou sangramento nasal.

CUIDAR DA PRESSÃO É CUIDAR DO CORPO INTEIRO

Dr. Bortolotto ressalta que a hipertensão raramente aparece sozinha. Em grande parte dos casos ela vem acompanhada de obesidade, colesterol alto e glicemia elevada, o que multiplica os riscos. Por isso, a diretriz reforça a importância de observar o paciente como um todo, e não apenas o número no medidor. “Se a gente só baixar a pressão, mas não controlar o colesterol ou o açúcar, o risco continua alto”, afirma.

Para isso, os especialistas recomendam o uso de calculadoras de risco cardiovascular, que ajudam a avaliar o conjunto dos fatores e ajustar metas de tratamento. Entre elas estão a manutenção do peso, o controle rigoroso da glicemia e a redução do colesterol LDL, o chamado “colesterol ruim”.

ATENÇÃO PRIMÁRIA E CONTROLE CONTÍNUO

O professor destaca ainda que o SUS é a principal porta de entrada para o acompanhamento da hipertensão. A diretriz brasileira inclui, pela primeira vez, um capítulo dedicado à atuação das unidades básicas de saúde, reforçando o papel do clínico geral na prevenção e no tratamento inicial. Casos mais complexos, que envolvam alterações cardíacas ou renais, podem ser encaminhados a cardiologistas ou nefrologistas.

Mesmo pacientes que já fazem uso de medicamentos podem, em alguns casos, reduzir a dosagem ou suspender o tratamento, desde que sob orientação médica e com mudança comprovada de hábitos. “Há pessoas cuja pressão melhora significativamente com perda de peso, mas isso deve ser acompanhado de perto”, alerta o especialista.

Dr. Bortolotto lembra que a hipertensão não controlada é a principal causa de mortes no mundo, direta ou indiretamente. Por isso, o recado é simples: medir a pressão ao menos uma vez por ano e procurar acompanhamento médico regular. “É uma doença silenciosa, mas que pode ser prevenida com atitudes simples. O importante é não esperar os sintomas aparecerem”, conclui.

CUIDAR DA PRESSÃO É CUIDAR DO CORPO INTEIRO

Professor Bortolotto ressalta que a hipertensão raramente aparece sozinha. Em grande parte dos casos ela vem acompanhada de obesidade, colesterol alto e glicemia elevada, o que multiplica os riscos. Por isso, a diretriz reforça a importância de observar o paciente como um todo, e não apenas o número no medidor. “Se a gente só baixar a pressão, mas não controlar o colesterol ou o açúcar, o risco continua alto”, afirma.

Para isso, os especialistas recomendam o uso de calculadoras de risco cardiovascular, que ajudam a avaliar o conjunto dos fatores e ajustar metas de tratamento. Entre elas estão a manutenção do peso, o controle rigoroso da glicemia e a redução do colesterol LDL, o chamado “colesterol ruim”.

Referencias

https://jornal.usp.br/radio-usp/pressao-arterial-com-valor-de-12-8-passa-a-ser-considerada-pre-hipertensao/

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