Prevenção do câncer do colo do útero – 26 de março
Quando a prevenção pode salvar vidas

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 23/03/2026

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O Dia de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, celebrado em 26 de março, é dedicado à conscientização sobre uma doença que, embora altamente prevenível e tratável, ainda acomete milhares de mulheres no Brasil e no mundo. Essa mobilização integra as ações do março Lilás e tem como objetivos ampliar o acesso à informação, estimular a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), reforçar a importância do rastreamento e contribuir para a redução das desigualdades no cuidado em saúde.

No contexto internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lidera a agenda global de enfrentamento da doença e instituiu o World Cervical Cancer Elimination Day, celebrado em 17 de novembro, como marco da estratégia mundial para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública. Essa iniciativa baseia-se no reconhecimento de que a doença pode ser evitada por meio de ações integradas de vacinação, rastreamento eficaz e tratamento oportuno.

No Brasil, o câncer do colo do útero permanece entre os tipos de câncer mais incidentes na população feminina, especialmente em regiões com menor acesso aos serviços de saúde. Dessa forma, o dia 26 de março extrapola o simbolismo, constituindo-se como um chamado à informação qualificada, à prevenção contínua e ao cuidado integral ao longo da vida da mulher.

Frequentemente, o câncer do colo do útero apresenta evolução silenciosa, sem manifestações clínicas nas fases iniciais. Quando os sintomas surgem — como sangramento fora do período menstrual, dor durante a relação sexual ou corrimento vaginal persistente —, a doença pode já se encontrar em estágio avançado. Por esse motivo, a prevenção e o rastreamento regular são estratégias fundamentais para a redução da mortalidade.

A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) é responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero. Embora o HPV seja uma infecção comum e, na maioria das vezes, eliminada espontaneamente pelo organismo, em parte das mulheres o vírus pode persistir, evoluindo para lesões precursoras e, posteriormente, para o câncer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer do colo do útero figura entre as poucas neoplasias passíveis de eliminação como problema de saúde pública, desde que os países alcancem altas coberturas vacinais, assegurem rastreamento eficaz e garantam tratamento adequado.

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

O câncer do colo do útero, também denominado câncer cervical, desenvolve-se de forma lenta a partir de alterações celulares no colo uterino, quase sempre associadas à infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV. Essas alterações podem levar anos para evoluir até um câncer invasivo, o que torna essa neoplasia particularmente sensível às ações de prevenção e diagnóstico precoce.

Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais. À medida que progride, podem surgir sinais como sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a relação sexual, dor pélvica, dispareunia e corrimento persistente. A presença desses sintomas, em geral, está associada a estágios mais avançados da doença.

De acordo com o Dr. Glauco Baiocchi Neto, médico, mestre e doutor em Oncologia pela Universidade de São Paulo (USP), o câncer do colo do útero é um exemplo emblemático de doença evitável e curável quando diagnosticada precocemente. Segundo o especialista, o rastreamento organizado e o tratamento oportuno das lesões precursoras são determinantes para a redução da mortalidade e para a prevenção da progressão da doença.

Assim, a compreensão do curso natural do câncer do colo do útero reforça a importância do acesso regular aos serviços de saúde, da realização periódica dos exames preventivos e da continuidade do cuidado ao longo da vida da mulher.

PREVENÇÃO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

A prevenção do câncer do colo do útero é altamente eficaz e deve ser iniciada muito antes do surgimento da doença. Diferentemente de outras neoplasias, esse tipo de câncer dispõe de uma cadeia de prevenção bem estabelecida, fundamentada na vacinação contra o HPV, no rastreamento regular e no tratamento oportuno das lesões precursoras.

A infecção persistente pelo HPV é reconhecida como a principal causa da doença. Embora o vírus seja extremamente prevalente e, na maioria dos casos, eliminado espontaneamente pelo organismo, sua persistência pode desencadear alterações celulares progressivas no colo do útero, que evoluem lentamente ao longo dos anos e podem ser identificadas antes de se transformarem em câncer invasivo.

Segundo a Dra. Silvana Luciani, chefe da Unidade de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o câncer do colo do útero é um exemplo claro de doença evitável, desde que haja acesso universal à vacinação contra o HPV, ao rastreamento com testes de alta sensibilidade e ao tratamento adequado das lesões precursoras.

VACINAÇÃO CONTRA O HPV

A vacinação contra o HPV constitui o principal pilar da prevenção primária. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos, preferencialmente antes do início da vida sexual.

De acordo com a Dra. Vanessa Alvarenga Bezerra, ginecologista oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, a imunização contra os tipos oncogênicos do HPV, especialmente os subtipos 16 e 18, é responsável pela prevenção da maioria dos casos de câncer do colo do útero.

RASTREAMENTO REGULAR

Mesmo em populações com adequada cobertura vacinal, o rastreamento permanece essencial, sobretudo entre mulheres adultas que não tiveram acesso à vacinação na adolescência.

O Dr. Glauco Baiocchi Neto destaca que programas organizados de rastreamento são fundamentais para a redução da mortalidade. O uso do teste de DNA do HPV, mais sensível do que o exame citopatológico isolado, permite identificar o risco de progressão da doença muitos anos antes do desenvolvimento do câncer invasivo.

AUTOCOLETA PARA TESTE DE HPV

A Dra. Diama Bhadra Vale, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), ressalta que a autocoleta para o teste de HPV é uma estratégia segura e eficaz para ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente entre mulheres que enfrentam barreiras de acesso aos serviços de saúde.

TRATAMENTO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

O tratamento do câncer do colo do útero apresenta elevada eficácia quando a doença é diagnosticada precocemente, com altas taxas de cura e menor impacto físico, emocional e social para a mulher. A definição da abordagem terapêutica depende, principalmente, do estágio da doença, das condições clínicas da paciente e, em alguns casos, da possibilidade de preservação da fertilidade.

Quando identificado em fases iniciais ou na forma de lesões precursoras, o tratamento pode ser realizado por meio de procedimentos simples, frequentemente ambulatoriais, evitando a progressão da doença. Essas ações integram as estratégias preconizadas pelo SUS e exercem papel central na redução da mortalidade.

Nos casos de câncer invasivo, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou a combinação dessas modalidades, conforme os protocolos clínicos vigentes. Essas intervenções devem ser realizadas em serviços especializados de média e alta complexidade.

De acordo com especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), a condução do tratamento em centros especializados, com equipes multiprofissionais experientes e base científica sólida, é determinante para melhores desfechos clínicos e maior segurança para as pacientes.

No SUS, o tratamento do câncer do colo do útero é gratuito, integral e organizado por meio de uma linha de cuidado contínua, que articula a Atenção Básica, a Atenção Especializada Ambulatorial e a Atenção Hospitalar. Esse modelo assegura diagnóstico oportuno, início rápido do tratamento e acompanhamento adequado após o término da terapia.

Além do tratamento oncológico, o seguimento clínico constitui parte essencial do cuidado. O acompanhamento regular possibilita a identificação precoce de recidivas, o manejo de efeitos tardios do tratamento e a oferta de suporte físico, psicológico e social, contribuindo para a recuperação e a qualidade de vida das mulheres.

ONDE BUSCAR ATENDIMENTO PARA O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

O atendimento às mulheres que necessitam de prevenção, investigação diagnóstica ou tratamento do câncer do colo do útero é realizado de forma gratuita e integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS), organizado em redes de atenção nos âmbitos nacional, estadual e municipal, assegurando cuidado contínuo e regulado conforme a necessidade clínica.

ÂMBITO NACIONAL – SUS (Sistema Único de Saúde)

No âmbito nacional, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estabelecem as diretrizes, protocolos clínicos e a Linha de Cuidado do Câncer do Colo do Útero, adotadas por estados e municípios.

Ministério da Saúde / INCA

Linha de Cuidado do Câncer do Colo do Útero – SUS (Âmbito Nacional)
🔗 https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-do-colo-do-utero

Controle do Câncer do Colo do Útero – INCA
🔗 https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-do-colo-do-utero

Essas páginas reúnem informações oficiais sobre prevenção, rastreamento, diagnóstico, tratamento e organização da rede assistencial no SUS.

ÂMBITO DO ESTADO DE SÃO PAULO – Rede Estadual do SUS

O Estado de São Paulo organiza a atenção oncológica por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), integrando Atenção Primária, Atenção Especializada e Atenção Hospitalar.

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP)

Organização da Atenção Primária no Estado de São Paulo
🔗 https://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/gestor/atencao-basica

Embora executada majoritariamente pelos municípios, a Atenção Primária integra a Rede Estadual do SUS e é responsável pelo rastreamento, vacinação e encaminhamento regulado.

Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs)

Rede Estadual – SES-SP

As AMEs realizam atendimento ambulatorial especializado, incluindo ginecologia, exames diagnósticos e procedimentos necessários à investigação do câncer do colo do útero.

🔗 AMEs – Governo do Estado de São Paulo:
https://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/ambulatorio-medico-de-especialidades-ames/

Atendimento 100% SUS, mediante encaminhamento regulado a partir da Atenção Primária.

Atenção Hospitalar Especializada – Rede Estadual

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)

Centro de referência estadual para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento do câncer, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e à Universidade de São Paulo (USP).

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP
Avenida Dr. Arnaldo, nº 251 – Cerqueira César
São Paulo – SP | CEP 01246-000

📞 Telefone: (11) 3893-2000
🌐 Site institucional: https://icesp.org.br/

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP)

Complexo hospitalar universitário de referência nacional, integrante da Rede Estadual do SUS, com atendimento especializado em ginecologia oncológica.

🔗 https://www.hc.fm.usp.br/

ÂMBITO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – Rede Municipal do SUS

No município de São Paulo, a Atenção Primária e parte da Atenção Especializada são organizadas pela Secretaria Municipal da Saúde, em articulação com a Rede Estadual.

Unidades Básicas de Saúde (UBS) – Porta de Entrada

As UBS constituem a porta de entrada obrigatória para o cuidado do câncer do colo do útero no município.

Principais serviços:

  • Vacinação contra o HPV;
  • Coleta do exame preventivo (Papanicolau) ou encaminhamento para teste de HPV;
  • Avaliação clínica inicial;
  • Orientação em saúde;
  • Encaminhamento regulado para serviços especializados.

🔗 Localização das UBS – Prefeitura de São Paulo:
https://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/

CONCLUSÃO

O câncer do colo do útero representa um relevante desafio para a saúde pública; contudo, configura-se também como uma das neoplasias com maior potencial de prevenção, controle e eliminação. As evidências científicas, bem como as diretrizes nacionais e internacionais, demonstram que a integração entre vacinação contra o HPV, rastreamento regular e tratamento oportuno é capaz de reduzir significativamente a incidência e a mortalidade associadas à doença.

Nesse contexto, o Dia de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, celebrado em 26 de março, reafirma a importância da informação qualificada, do acesso equitativo aos serviços de saúde e da continuidade do cuidado ao longo da vida da mulher. Mais do que uma data simbólica, trata-se de um momento estratégico para o fortalecimento das políticas públicas, a ampliação da adesão às ações preventivas e o enfrentamento das desigualdades históricas no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), aliado à atuação de instituições de ensino, pesquisa e assistência, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), é fundamental para assegurar cuidado integral, seguro e fundamentado em evidências científicas.

Assim, investir em prevenção, garantir o rastreamento regular, assegurar tratamento oportuno e promover o acompanhamento contínuo são medidas essenciais para proteger a saúde das mulheres e avançar no objetivo de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública no Brasil.

REFERÊNCIAS

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VÍDEOS RECOMENDADOS SOBRE CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

  • Varella D. Cervical cancer | DrauzioCast [Internet]. YouTube; 2023 [citado em 1 mar 2026]. Disponível em:

  • YouTube. Vídeo educativo sobre saúde [Internet]. YouTube; [data de publicação não informada] [citado em 1 mar 2026]. Disponível em:


  • YouTube. Vídeo educativo sobre saúde [Internet]. YouTube; [data de publicação não informada] [citado em 1 mar 2026]. Disponível em:


PARA SABER MAIS

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