Saiba mais sobre Pneumonia
Reconhecer os sinais e prevenir complicações faz a diferença

Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 21/09/2026

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A pneumonia é uma infecção que atinge os pulmões. Pode ocorrer em qualquer idade e ter diferentes causas, principalmente bactérias e vírus. Sua gravidade varia: algumas pessoas se recuperam com tratamento em casa, enquanto outras precisam de cuidados hospitalares.

No Brasil, a pneumonia continua sendo uma importante causa de internação, sobretudo entre crianças pequenas, idosos e pessoas com outras doenças. No estado de São Paulo, foram registrados mais de 200 mil atendimentos relacionados à pneumonia entre janeiro e agosto de 2025, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O dado se refere a atendimentos, não apenas a internações.

A atenção à doença também envolve reconhecer os sintomas e manter a vacinação indicada para cada pessoa em dia. Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a oferta da vacina pneumocócica, que ajuda a prevenir infecções causadas por determinados tipos de bactéria, mas não protege contra todas as formas de pneumonia.

PNEUMONIA

Nos pulmões existem pequenas bolsas de ar chamadas alvéolos (onde o oxigênio passa para o sangue). Durante a pneumonia, essas bolsas podem se encher de líquido e secreções, tornando a respiração mais difícil.

Isso acontece porque o organismo reage aos microrganismos que chegaram aos pulmões, provocando uma inflamação. A infecção pode ficar concentrada em uma parte do pulmão ou alcançar áreas maiores.

Bactérias e vírus são as causas mais comuns. Entre os exemplos estão o pneumococo (bactéria que pode causar pneumonia) e os vírus da gripe e da covid-19. Fungos também podem provocar a doença, embora isso seja menos frequente. Portanto, “pneumonia” não indica uma única causa.

A pneumonia pode surgir após outra infecção respiratória, como a gripe, e variar de leve a grave. Ela não deve ser entendida apenas como uma “gripe mais forte”: a infecção já compromete os pulmões, e cada pessoa precisa ser avaliada conforme seus sintomas e suas condições de saúde.

TRANSMISSÃO

A transmissão depende do microrganismo que causou a pneumonia. Vírus respiratórios, como os da gripe e da covid-19, podem passar de uma pessoa para outra por partículas liberadas ao respirar, falar, tossir ou espirrar. O contato próximo e os ambientes fechados e pouco ventilados favorecem essa transmissão.

Algumas bactérias também podem ser transmitidas. É o caso do pneumococo, que pode estar no nariz ou na garganta de uma pessoa sem causar sintomas e passar para outras por secreções respiratórias. Receber a bactéria, porém, não significa necessariamente desenvolver pneumonia.

Segundo o Prof. Dr. Ger T. Rijkers, imunologista e professor emérito de Ciências Biomédicas do University College Roosevelt, nos Países Baixos, em uma revisão publicada com colaboradores em 2024, o pneumococo pode circular entre pessoas da mesma família. Os pesquisadores destacam que crianças podem carregar a bactéria nas vias respiratórias e transmiti-la a idosos.

Assim, o contato com alguém que tem pneumonia não significa que a outra pessoa também terá a doença, mas não é correto afirmar que não existe risco de transmissão. O que pode passar de uma pessoa para outra é o microrganismo causador; desenvolver pneumonia depende também das condições de saúde de quem foi exposto.

FATORES DE RISCO

Qualquer pessoa pode ter pneumonia, mas o risco é maior em bebês, crianças pequenas e pessoas idosas. Nas crianças, as defesas do organismo ainda estão em desenvolvimento; com o envelhecimento, essas defesas podem se tornar menos eficientes. Esses grupos também têm maior chance de apresentar formas graves da doença.

Algumas condições de saúde aumentam a vulnerabilidade, entre elas doenças pulmonares, problemas cardíacos, diabetes e doenças dos rins. O risco também é maior quando o sistema imunológico (responsável pela defesa do organismo) está enfraquecido por uma doença ou por determinados tratamentos, como a quimioterapia.

O tabagismo é outro fator importante: a fumaça prejudica os mecanismos que ajudam a retirar secreções e microrganismos das vias respiratórias. O consumo excessivo de álcool também pode aumentar o risco de pneumonia.

Pessoas com dificuldade para engolir podem aspirar saliva, alimentos ou líquidos — isto é, deixar que entrem nas vias respiratórias em vez de seguirem para o estômago. Estar acamado, permanecer internado por longos períodos ou precisar de um aparelho para ajudar a respirar também pode aumentar o risco. Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá pneumonia, mas indica a necessidade de maior atenção à saúde respiratória.

SINAIS E SINTOMAS

A pneumonia pode causar tosse com ou sem catarro, febre, calafrios, cansaço e falta de ar. Algumas pessoas também sentem dor no peito ao respirar fundo ou tossir. Os sintomas não aparecem necessariamente todos juntos, nem com a mesma intensidade.

Em pessoas idosas, a doença pode ter uma apresentação menos evidente. A febre pode ser baixa ou não ocorrer, e fraqueza acentuada ou confusão mental repentina podem chamar mais atenção do que a tosse. Por isso, a ausência de febre alta não descarta pneumonia.

Em bebês e crianças pequenas, é importante observar a respiração. Ela pode ficar rápida ou difícil, e a região entre as costelas pode afundar a cada inspiração. Falta de energia, irritação e dificuldade para se alimentar também podem ocorrer.

Esses sinais podem se parecer com os de outras infecções respiratórias, inclusive a gripe. Além disso, os sintomas, por si só, não permitem identificar com segurança se a causa é uma bactéria ou um vírus. Essa distinção, quando necessária, faz parte da avaliação realizada pelo profissional de saúde.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico começa com a avaliação dos sintomas e do histórico de saúde. O profissional pergunta quando os sinais começaram, verifica as condições gerais da pessoa e examina os pulmões, inclusive ouvindo a respiração com um estetoscópio.

Quando há suspeita de pneumonia, a radiografia do tórax costuma ajudar a identificar alterações nos pulmões. Em alguns serviços, a ultrassonografia pulmonar também pode ser utilizada, desde que seja realizada e interpretada por profissionais com treinamento adequado.

Outro exame possível é a oximetria (medição da quantidade de oxigênio no sangue por um pequeno aparelho colocado no dedo). Conforme a situação, podem ser solicitados exames de sangue ou de secreção expelida pela tosse. Isso não significa que todos precisem fazer todos esses exames.

O diagnóstico reúne as informações da consulta e, quando necessários, os resultados dos exames. Nem sempre é possível descobrir exatamente qual microrganismo causou a pneumonia. A avaliação também ajuda a definir a gravidade do quadro e os cuidados mais adequados para cada pessoa.

TRATAMENTO

O tratamento da pneumonia depende da causa provável da infecção, da gravidade dos sintomas e das condições de saúde da pessoa. Muitos casos podem ser tratados em casa, com acompanhamento médico. Quando há dificuldade importante para respirar ou outras complicações, pode ser necessária a internação.

Quando a causa é bacteriana, o médico pode prescrever antibióticos. Esses medicamentos não combatem vírus; em algumas pneumonias virais, pode haver indicação de um antiviral específico. Já as pneumonias causadas por fungos exigem outro tipo de medicamento. Por isso, o tratamento não é igual para todos.

Segundo a Dra. Barbara E. Jones, médica pneumologista e professora associada de Medicina Interna da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e colaboradores, em uma diretriz publicada em 2026, a duração do tratamento com antibióticos em adultos deve considerar a gravidade da pneumonia e a melhora do paciente. Não existe um prazo único que sirva para todas as pessoas.

Além dos medicamentos, o cuidado pode incluir repouso, ingestão de líquidos e acompanhamento da evolução dos sintomas. Nos casos graves, pode ser necessário oferecer oxigênio no hospital. Quem recebe uma prescrição deve seguir as orientações do profissional e não interromper nem modificar o medicamento por conta própria.

FRIO E PNEUMONIA

Tomar chuva, sair com o cabelo molhado ou abrir a geladeira não causa pneumonia por si só. A doença é uma infecção dos pulmões, geralmente provocada por bactérias ou vírus. Portanto, não é a mudança de temperatura, isoladamente, que produz a infecção.

Nos períodos mais frios, porém, alguns microrganismos respiratórios circulam com maior frequência. As pessoas também tendem a passar mais tempo próximas umas das outras em locais fechados, o que pode facilitar a transmissão desses agentes.

Além disso, uma infecção como a gripe pode atingir os pulmões ou favorecer o aparecimento posterior de uma pneumonia bacteriana. Essa relação ajuda a entender por que casos de pneumonia podem ser observados com mais frequência em certas épocas do ano, sem atribuir a doença diretamente ao frio.

A pneumonia também pode ocorrer em dias quentes. Por isso, sintomas como tosse acompanhada de falta de ar, dor no peito ou piora do estado geral não devem ser explicados apenas como “efeito do tempo”. O importante é observar a evolução dos sintomas e buscar avaliação quando necessário.

PREVENÇÃO

Manter a vacinação em dia é uma das principais formas de reduzir o risco de algumas pneumonias e de suas complicações. A vacina pneumocócica protege contra determinados tipos de pneumococo (bactéria que pode causar pneumonia), mas nenhuma vacina previne todas as causas da doença.

Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer a vacina pneumocócica 20-valente para crianças menores de 5 anos e pessoas com 85 anos ou mais, além de grupos com condições específicas. A indicação e o número de doses dependem da idade e das vacinas já recebidas. As vacinas contra a gripe e a covid-19, quando indicadas, também ajudam a proteger contra infecções que podem atingir os pulmões.

Segundo o Dr. Rodrigo Abensur Athanazio, pneumologista e professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em orientação publicada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em 2025, cuidados como lavar as mãos, usar máscara e evitar o contato próximo com outras pessoas quando se está com sintomas respiratórios continuam importantes para prevenir pneumonias causadas por vírus.

Manter os ambientes ventilados e cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar também ajuda a reduzir a transmissão de microrganismos. Não fumar é especialmente importante, pois a fumaça prejudica as defesas naturais dos pulmões. Esses cuidados complementam a vacinação, mas não eliminam totalmente o risco de pneumonia.

PREVENÇÃO DA PNEUMONIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Os cuidados variam conforme a atividade e o local. Quem trabalha com limpeza pode circular por muitos ambientes e compartilhar veículos, vestiários ou áreas de descanso com outras pessoas. Quando esses espaços são fechados e pouco ventilados, a transmissão de vírus respiratórios pode ser facilitada.

Manter veículos e ambientes compartilhados ventilados, sempre que possível, é uma medida importante. A empresa também deve oferecer condições para a higiene das mãos e orientar as equipes sobre os procedimentos de prevenção adequados a cada atividade. Manter as vacinas indicadas em dia é outro cuidado que se estende para além do local de trabalho.

Durante a limpeza, as luvas não substituem a lavagem das mãos: é importante higienizá-las após retirar as luvas e antes de comer ou tocar o rosto. Os equipamentos de proteção devem seguir os riscos da tarefa e as orientações do local. Em serviços de saúde, por exemplo, a limpeza de áreas com pacientes sob cuidados especiais pode exigir proteção diferente da usada na limpeza de ambientes comuns.

Ao apresentar sintomas respiratórios, o trabalhador deve buscar avaliação de saúde e seguir as orientações recebidas para evitar expor outras pessoas. Se houver serviço de saúde ocupacional na empresa, ele também pode orientar sobre os cuidados necessários durante a recuperação.

QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO

Procure uma unidade de saúde se a tosse vier acompanhada de febre persistente, dor no peito ao respirar, falta de ar ou piora do estado geral. Esses sinais não confirmam, por si só, uma pneumonia, mas precisam ser avaliados para que a causa seja identificada e o cuidado adequado comece sem demora.

Busque atendimento de urgência se houver grande dificuldade para respirar, lábios ou pele arroxeados, confusão mental repentina ou dificuldade para falar por falta de ar. Não espere para ver se esses sinais passam sozinhos.

Em bebês, observe se a respiração está muito rápida ou difícil, se a região entre as costelas afunda ao respirar ou se há dificuldade para mamar. Nas pessoas idosas, fraqueza acentuada e confusão mental podem ser sinais importantes, mesmo sem febre alta. Quem tem doenças crônicas ou as defesas do organismo enfraquecidas também merece atenção especial.

Se a pneumonia já foi diagnosticada, procure uma nova avaliação caso os sintomas piorem ou não melhorem como esperado durante o tratamento. Não troque nem interrompa os medicamentos por conta própria. O profissional de saúde poderá verificar se é necessário ajustar os cuidados.

ONDE BUSCAR AJUDA

A maioria das pessoas com suspeita de pneumonia deve iniciar a avaliação em uma unidade de saúde próxima. Os centros abaixo oferecem atendimento especializado para situações que exigem investigação ou cuidados mais complexos. O acesso a consultas especializadas geralmente depende de encaminhamento pela rede de saúde; eles não substituem o atendimento imediato diante de sinais de gravidade.

📍 ESTADO DE SÃO PAULO — Interior

🏙️ CIDADE DE SÃO PAULO

Para localizar a rede ou pedir ajuda urgente

CONCLUSÃO

A pneumonia nem sempre começa de forma evidente. Uma tosse que piora, a falta de ar ou uma mudança repentina no comportamento de uma pessoa idosa podem indicar que é hora de procurar atendimento. Observar esses sinais é especialmente importante em crianças pequenas e em pessoas com maior risco de complicações.

As vacinas indicadas para cada faixa etária, o cuidado com a higiene das mãos e o abandono do tabagismo ajudam a proteger os pulmões. Essas medidas reduzem riscos, embora não impeçam todos os casos de pneumonia.

Quando a doença ocorre, a avaliação médica permite reconhecer sua gravidade e escolher o tratamento adequado. O mais importante é não ignorar a piora dos sintomas nem tentar resolver o problema por conta própria.

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