
Estresse ocupacional
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 11/08/2025
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O estresse é, hoje, um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, atingindo cerca de 70% da população ativa, segundo a International Stress Management Association (ISMA-BR). O estresse crônico não só interfere no bem-estar, mas agrava ou causa doenças, incluindo distúrbios digestivos, insônia e doenças cardíacas, além de reduzir a imunidade e aumentar o risco de ansiedade e depressão.
Atualmente observa-se que o modo de vida imposto aos trabalhadores, numa tentativa de se adequar aos constantemente mutáveis processos de trabalho, tem gerado graves desgastes físicos e emocionais. O ritmo de trabalho, por vezes, entra em contradição com os ritmos biológicos do indivíduo. O efeito dessa configuração reflete diretamente na saúde do trabalhador, invadindo muitas vezes suas relações sociais do cotidiano.
O termo estresse tem sido amplamente utilizado, por estudiosos, meios de comunicação e o senso comum; o uso corriqueiro do termo trouxe ao tema estresse uma variedade de significados. No entanto, essas noções de estresse tratam de situações da adaptação do sujeito, independentemente de serem, ou não, associadas ao trabalho. Sendo assim, nota-se o aparecimento de conceitos específicos ao ambiente laboral (ambiente laboral refere-se ao local físico e ao contexto social, psicológico e organizacional onde as atividades de trabalho são realizadas), a saber o estresse ocupacional ou profissional e a síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout.
ESTRESSE OCUPACIONAL
Os estudos sobre o estresse ocupacional começaram a surgir na década de 1970, notadamente as pesquisas sobre a influência do ambiente no estresse laboral, A partir disso, o tema se tornou recorrente nos escritos sobre saúde do trabalhador, principalmente pelo reflexo negativo na saúde e no bem-estar dos trabalhadores e nas organizações.
Segundo estudos, o estresse ocupacional, está relacionado a dois aspectos importante; o primeiro é que o estresse não se resume ao sentimento de irritabilidade e cansaço; e o segundo é que a avaliação de uma situação como sendo estressante perpassa pela subjetividade. Sendo assim, cada indivíduo avalia o ambiente de trabalho de maneira subjetiva, e responde a este a partir de suas experiências pessoais.
CAUSAS PROVÁVEIS DO ESTRESSE OCUPACIONAL
As causas do estresse ocupacional podem variar de acordo com diversos fatores presentes no ambiente de trabalho, tais como:
SOBRECARGA DE TRABALHO – Quando os funcionários são confrontados com uma quantidade excessiva de tarefas e responsabilidades em um período limitado de tempo, podem se sentir pressionados e estressados.
PRESSÃO POR METAS E RESULTADOS – Metas irrealistas ou prazos apertados podem aumentar o nível de estresse, especialmente quando a sensação de não atingi-las está presente.
FALTA DE AUTONOMIA – Se os funcionários não têm controle sobre suas tarefas ou decisões relacionadas ao trabalho, podem experimentar maior estresse e falta de satisfação profissional.
CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO – Relações interpessoais negativas, problemas de comunicação e ambiente hostil podem contribuir para o estresse ocupacional.
FALTA DE RECONHECIMENTO – A ausência de reconhecimento e recompensas pelo trabalho realizado pode gerar desmotivação e estresse.
AMBIENTE FÍSICO INADEQUADO – Condições de trabalho desconfortáveis, como ruídos excessivos, temperaturas extremas ou falta de privacidade, podem aumentar o estresse.
INSEGURANÇA NO EMPREGO – Incerteza em relação à permanência no trabalho ou ameaça de desemprego pode causar estresse significativo nos funcionários.
Para combater o estresse ocupacional, é essencial que as organizações adotem medidas de prevenção, como criar ambientes de trabalho saudáveis, oferecer apoio aos funcionários e promover programas de bem-estar e gerenciamento do estresse.
SINTOMAS DO ESTRESSE OCUPACIONAL
O estresse ocupacional pode manifestar-se por meio de uma variedade de sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas aqui estão alguns dos sintomas comuns associados ao estresse ocupacional:
SINTOMAS FÍSICOS
- Fadiga excessiva;
- Dores de cabeça frequentes;
- Tensão muscular e dores musculares;
- Problemas gastrointestinais, como dores de estômago, náuseas ou diarreia;
- Distúrbios do sono, como insônia ou dificuldade em adormecer;
- Mudanças no apetite, podendo levar a perda ou ganho de peso;
- Palpitações cardíacas ou aumento da frequência cardíaca;
- Tontura ou vertigem;
- Sudorese excessiva;
- Aumento da pressão arterial.
SINTOMAS EMOCIONAIS
- Ansiedade constante;
- Irritabilidade e alterações de humor;
- Sentimentos de tristeza ou depressão;
- Sensação de sobrecarga ou incapaz de lidar com as demandas do trabalho;
- Diminuição da motivação e interesse pelo trabalho;
- Baixa autoestima e falta de confiança;
- Dificuldade em se concentrar ou tomar decisões;
- Sensação de desesperança ou desamparo.
SINTOMAS COMPORTAMENTAIS
- Mudanças nos padrões de sono, como insônia ou aumento do sono;
- Isolamento social ou evitar interações com colegas;
- Aumento do consumo de tabaco, álcool ou outras substâncias para lidar com o estresse;
- Aumento da irritabilidade ou conflitos com colegas de trabalho;
- Queda na produtividade e desempenho no trabalho;
- Dificuldade em cumprir prazos ou completar tarefas;
- Procrastinação excessiva ou falta de motivação;
- Afastamento do trabalho, absenteísmo ou maior número de licenças médicas.
É importante observar que esses sintomas podem ser causados por vários fatores, não apenas pelo estresse ocupacional. No entanto, se você está experimentando vários desses sintomas de forma persistente e acredita que estão relacionados ao seu trabalho, pode ser necessário buscar apoio profissional, como um médico, terapeuta ou profissional de saúde mental, para avaliar sua situação e ajudá-lo a desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento do estresse no trabalho.
CONSEQUÊNCIAS DO ESTRESSE OCUPACIONAL
O estresse ocupacional pode ter várias consequências negativas para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. A seguir citamos as principais:
PROBLEMAS DE SAÚDE FÍSICA
O estresse crônico no trabalho pode contribuir para uma série de problemas de saúde física. Isso inclui doenças cardiovasculares, como pressão alta e doenças cardíacas, distúrbios do sono, dores de cabeça frequentes, problemas gastrointestinais, como úlceras e síndrome do intestino irritável, enfraquecimento do sistema imunológico e maior suscetibilidade a infecções e doenças.
QUEDA NA PRODUTIVIDADE E DESEMPENHO
O estresse ocupacional pode afetar negativamente a produtividade e o desempenho no trabalho. Quando os funcionários estão estressados, sua capacidade de concentração, tomada de decisão e memória de trabalho podem ser comprometidas. Isso pode levar a erros, baixa qualidade do trabalho e diminuição da eficiência.
CONFLITOS INTERPESSOAIS
O estresse ocupacional pode contribuir para conflitos e tensões nas relações interpessoais no ambiente de trabalho. O estresse prolongado pode aumentar a irritabilidade e diminuir a paciência, levando a conflitos com colegas, clientes ou superiores hierárquicos. Isso pode prejudicar o clima de trabalho, criar tensões e impactar negativamente o trabalho em equipe.
ABSENTEÍSMO E LICENÇAS MÉDICAS
O estresse ocupacional pode levar ao aumento do absenteísmo, com os funcionários faltando ao trabalho com mais frequência. Além disso, os trabalhadores podem precisar tirar licenças médicas para lidar com os sintomas do estresse ou para buscar tratamento para problemas de saúde relacionados ao estresse.
PREVENINDO O ESTRESSE OCUPACIONAL NO AMBIENTE DE TRABALHO
A prevenção do estresse ocupacional é fundamental para promover um ambiente de trabalho saudável e produtivo; algumas estratégias que podem ajudar na prevenção do estresse ocupacional são:
PROPORCIONAR UM AMBIENTE DE TRABALHO POSITIVO: Crie um ambiente de trabalho onde haja respeito, apoio e colaboração entre os colegas. Incentive a comunicação aberta e o trabalho em equipe. Reconheça e valorize as contribuições dos funcionários e crie oportunidades para o crescimento profissional.
DEFINIR EXPECTATIVAS CLARAS: Estabeleça expectativas claras em relação ao desempenho e às responsabilidades dos funcionários. Certifique-se de que os objetivos e metas sejam realistas e alcançáveis. Isso ajuda a reduzir a sensação de sobrecarga e pressão excessiva.
FORNECER RECURSOS ADEQUADOS: Certifique-se de que os funcionários tenham os recursos necessários para realizar seu trabalho de maneira eficaz. Isso inclui acesso a equipamentos de segurança, treinamento adequado e apoio técnico quando necessário.
PROMOVER UMA CULTURA DE APOIO E FEEDBACK CONSTRUTIVO: Crie um ambiente em que os funcionários se sintam à vontade para buscar apoio quando necessário e receber feedback construtivo. Isso pode ajudar a identificar e resolver problemas antes que se tornem fontes de estresse significativas.
É importante lembrar que a prevenção do estresse ocupacional é uma responsabilidade compartilhada entre os empregadores e os próprios funcionários. É necessário um esforço conjunto para criar um ambiente de trabalho saudável, onde o estresse seja gerenciado de forma eficaz.
É de grande importância reconhecer os sinais de estresse ocupacional e implementar estratégias eficazes para gerenciá-lo. Isso pode envolver a adoção de técnicas de gerenciamento do estresse, como a prática de exercícios físicos regulares, técnicas de relaxamento, busca de apoio social ou profissional, estabelecimento de limites saudáveis, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e busca de ajuda quando necessário. O objetivo é criar um ambiente de trabalho saudável e promover o bem-estar dos funcionários.
Ao adotar essas estratégias, tanto os empregadores como os funcionários podem contribuir para a prevenção do estresse ocupacional. É essencial reconhecer os sinais de estresse, buscar ajuda quando necessário e implementar medidas para gerenciar e reduzir o estresse no ambiente de trabalho.
Referencias
https://www.revistaabm.com.br/artigos/estresse-no-ambiente-de-trabalho
https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-82202019000100005
https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/6957
Para saber mais
Pró Reitoria de Gestão com Pessoas da Unifesp; Estresse ocupacional: consequências para o indivíduo e para a organização; 29 de outubro de 2024;
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); Síndrome de Burnout; 30 de março de 2025;