
Dia nacional de combate ao fumo
Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 31/08/2026
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Comemorado em 29 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado pela Lei Federal nº 7.488, de 1986, para conscientizar a população sobre os danos sociais, econômicos, ambientais e à saúde provocados pelo tabagismo. Em 2026, a campanha promovida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) adotou o tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.
O tabagismo é uma doença crônica causada principalmente pela dependência de nicotina, substância que atua no cérebro e pode provocar forte necessidade de continuar usando o produto. Essa dependência pode ocorrer com cigarros convencionais, cigarros eletrônicos, narguilé e outras formas de consumo de tabaco ou nicotina.
Segundo o Vigitel 2024 (Sistema do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco para doenças crônicas por meio de entrevistas telefônicas), aproximadamente 11,5% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal declararam fumar. No Estado de São Paulo, o levantamento estadual disponível estimou uma proporção próxima de 11% em 2021. Além disso, o INCA informa que 477 pessoas morrem diariamente no Brasil em consequência de problemas relacionados ao tabagismo.
A atividade física pode auxiliar quem deseja parar de fumar, pois contribui para o bem-estar, ajuda a enfrentar a ansiedade e pode diminuir temporariamente a vontade de fumar. Entretanto, fazer exercícios não protege o organismo dos danos provocados pelo tabaco e pela nicotina.
TABAGISMO E DEPENDÊNCIA DE NICOTINA
A nicotina é uma substância psicoativa, isto é, capaz de agir no cérebro e modificar sensações, emoções e comportamentos. Depois de ser inalada, ela chega rapidamente ao cérebro e estimula áreas relacionadas ao prazer e à sensação de recompensa.
Com o uso frequente, o organismo se adapta à presença da nicotina. A pessoa pode passar a precisar de quantidades maiores ou de um consumo mais frequente para obter uma sensação semelhante. Esse processo favorece o desenvolvimento da dependência física e psicológica.
O hábito também pode ficar ligado a situações do cotidiano, como tomar café, fazer uma pausa no trabalho, consumir bebida alcoólica, dirigir ou enfrentar momentos de estresse. Por isso, determinados lugares, horários e emoções podem despertar a vontade de fumar.
Quando a pessoa reduz ou interrompe o consumo, podem surgir irritação, ansiedade, dificuldade de concentração, alteração do sono, aumento do apetite e forte desejo de fumar. Essas manifestações são chamadas de sintomas de abstinência e mostram que parar de fumar não depende apenas de força de vontade. Em muitos casos, o acompanhamento de profissionais de saúde facilita o tratamento.
CIGARROS E OUTROS PRODUTOS DE TABACO E NICOTINA
O cigarro convencional é a forma mais conhecida de consumo do tabaco, mas não é a única. Charutos, cachimbos, cigarros de palha, fumo de rolo e outros produtos também liberam nicotina e substâncias prejudiciais ao organismo.
O narguilé é um tipo de cachimbo de água utilizado para fumar tabaco, geralmente aromatizado, por meio de uma mangueira. Embora a fumaça passe pela água, isso não elimina a nicotina, o monóxido de carbono e outras substâncias tóxicas. O compartilhamento da piteira também pode favorecer a transmissão de algumas infecções.
Os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarros eletrônicos, vapes ou pods, aquecem um líquido e produzem um aerossol que é inalado. Esse aerossol não é apenas “vapor de água”: pode conter nicotina, partículas finas e outras substâncias potencialmente prejudiciais. No Brasil, a fabricação, a importação, a comercialização e a propaganda desses dispositivos permanecem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo o Prof. Dr. Ubiratan de Paula Santos, doutor em Pneumologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), professor colaborador da instituição e médico do Instituto do Coração (InCor), os cigarros eletrônicos podem fornecer concentrações elevadas de nicotina e provocar inflamação nas vias respiratórias e nos vasos sanguíneos. Portanto, não devem ser considerados produtos inofensivos ou livres de riscos.
COMO O TABAGISMO PREJUDICA O ORGANISMO
Quando uma pessoa fuma, substâncias tóxicas entram pelos pulmões, alcançam a circulação sanguínea e podem atingir diferentes órgãos. Parte dos prejuízos começa antes mesmo do aparecimento de sintomas perceptíveis.
A nicotina pode aumentar os batimentos cardíacos e a pressão arterial, além de provocar o estreitamento dos vasos sanguíneos. Já o monóxido de carbono, gás tóxico formado durante a queima do tabaco, reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
Nos pulmões, a fumaça irrita e inflama as vias respiratórias. Também prejudica os cílios, pequenas estruturas que ajudam a retirar poeira, microrganismos e outras impurezas do sistema respiratório. Com essa proteção comprometida, podem surgir tosse, catarro, falta de ar e maior dificuldade para realizar esforços físicos.
A exposição repetida também causa danos progressivos às células. Mesmo quando a pessoa ainda se sente bem, alterações podem estar ocorrendo no coração, nos vasos sanguíneos, nos pulmões e em outros órgãos.
DOENÇAS RELACIONADAS AO TABAGISMO
O tabagismo está relacionado a mais de 50 doenças e representa uma das principais causas evitáveis de adoecimento e morte. Não existe uma quantidade segura de consumo: mesmo fumar ocasionalmente expõe o organismo a substâncias nocivas.
Entre as possíveis consequências estão diferentes tipos de câncer, incluindo os de pulmão, boca, garganta, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga e colo do útero. O tabagismo também pode estar relacionado à leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer que afeta as células formadoras do sangue.
O consumo de tabaco aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral — popularmente chamado de derrame — e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfermidade que dificulta progressivamente a passagem do ar pelos pulmões.
Também pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento do diabetes, doenças da boca, catarata, osteoporose — enfraquecimento dos ossos — e problemas reprodutivos. Durante a gestação, o tabagismo aumenta os riscos para a gestante e para o desenvolvimento do bebê.
TABAGISMO PASSIVO
O tabagismo passivo ocorre quando uma pessoa que não fuma respira a fumaça produzida pelo consumo de produtos derivados do tabaco. Não existe um nível considerado seguro de exposição a essa fumaça.
Em curto prazo, a exposição pode provocar irritação nos olhos, tosse, dor de cabeça, alergias e piora da asma. Quando acontece repetidamente, aumenta o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer de pulmão. Bebês, crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias precisam de atenção especial.
Dentro de casa, fumar em outro cômodo, perto da janela ou com o ventilador ligado não elimina completamente a exposição. Para proteger os familiares, especialmente as crianças, o recomendado é não fumar em ambientes fechados.
No trabalho, a legislação brasileira proíbe o consumo de produtos fumígenos em recintos coletivos fechados, públicos ou privados. A manutenção de ambientes livres de fumaça protege trabalhadores, usuários e demais pessoas que circulam pelo local.
BENEFÍCIOS DE PARAR DE FUMAR
Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade, mesmo para quem fuma há muitos anos ou já apresenta algum problema de saúde relacionado ao tabagismo. O organismo começa a reagir positivamente pouco tempo depois da interrupção.
Nas primeiras horas, a frequência cardíaca, a pressão arterial e a quantidade de monóxido de carbono no sangue começam a retornar a níveis mais adequados, melhorando o transporte de oxigênio. Com o passar dos dias, o olfato e o paladar podem se tornar mais apurados.
Ao longo das semanas e dos meses, a circulação e a função dos pulmões podem melhorar. Tosse, cansaço e falta de ar tendem a diminuir progressivamente, facilitando atividades cotidianas e exercícios físicos.
Com o passar dos anos, também diminuem os riscos de infarto, acidente vascular cerebral e diferentes tipos de câncer. Além de proteger a própria saúde, parar de fumar reduz a exposição de familiares e colegas à fumaça e diminui os gastos com produtos de tabaco.
TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DE NICOTINA
Algumas pessoas conseguem parar de fumar sozinhas, enquanto outras precisam de várias tentativas e de acompanhamento profissional. Uma recaída não significa fracasso, mas pode mostrar que o plano de tratamento precisa ser revisto.
O tratamento começa com uma avaliação das condições de saúde, do grau de dependência, dos medicamentos utilizados e das situações que despertam a vontade de fumar. A abordagem cognitivo-comportamental — acompanhamento que ajuda a reconhecer pensamentos, sentimentos e hábitos ligados ao cigarro — pode ser realizada individualmente ou em grupo.
Quando houver indicação clínica, podem ser utilizados medicamentos. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza adesivos e gomas de nicotina, além do cloridrato de bupropiona. Esses produtos não devem ser utilizados por conta própria, pois precisam de avaliação e orientação profissional.
Segundo a Dra. Telma de Cássia dos Santos Nery, médica sanitarista e do trabalho da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, qualquer pessoa que deseje parar de fumar pode procurar uma unidade do SUS para receber orientações e verificar a disponibilidade do tratamento gratuito.
ATIVIDADE FÍSICA NO COMBATE AO TABAGISMO
A atividade física pode ser uma importante aliada de quem está tentando parar de fumar. Caminhar, dançar, pedalar, nadar ou realizar outra atividade adequada às condições de saúde pode ajudar a reduzir temporariamente a vontade de fumar, aliviar o estresse e melhorar o humor.
A prática regular também auxilia na criação de uma nova rotina, pode ocupar momentos anteriormente associados ao cigarro e contribuir para o sono, o controle do peso corporal e a confiança necessária para continuar o tratamento.
Segundo o Prof. José Carlos Farah, profissional de educação física, especialista em Fisiologia do Exercício e diretor do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP), a atividade física é uma aliada importante por favorecer o bem-estar e a mudança de hábitos. Entretanto, a dependência de nicotina é complexa: o exercício complementa o tratamento, mas não substitui o acompanhamento profissional quando ele for necessário.
COMO EVITAR A DEPENDÊNCIA DE NICOTINA
A prevenção para o uso da nicotina começa antes do primeiro contato com o cigarro e outros produtos que a contêm. Crianças, adolescentes e jovens merecem atenção especial, pois sabores, embalagens, publicidade indireta e conteúdos nas redes sociais podem transmitir a falsa impressão de que determinados produtos são modernos ou menos prejudiciais.
Conversas claras dentro da família e da escola ajudam os jovens a reconhecer estratégias de atração para o consumo. O exemplo dos adultos e o acesso a informações confiáveis também são importantes para reduzir a experimentação.
Medidas públicas, como a proibição da venda de produtos de tabaco para menores de 18 anos, a restrição da propaganda, os ambientes livres de fumaça e a proibição da comercialização de cigarros eletrônicos, contribuem para proteger toda a população.
Quem já fuma deve receber informação e apoio, sem julgamentos. A dependência de nicotina é uma condição de saúde que pode exigir tratamento, e cada nova tentativa de parar representa uma oportunidade de avançar.
ONDE BUSCAR AJUDA
Quem deseja parar de fumar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe poderá fornecer orientações, realizar uma avaliação inicial e informar onde o tratamento está disponível. Os endereços eletrônicos abaixo apresentam informações oficiais:
Brasil — Instituto Nacional de Câncer: Programa Nacional de Controle do Tabagismo nos estados
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/programa-nacional-de-controle-do-tabagismo/programa-nacional-de-controle-do-tabagismo-nos-estados/
Estado de São Paulo — Secretaria de Estado da Saúde: Vida sem Nicotina
https://saudedigital.saude.sp.gov.br/servicos/poupatempo-da-saude/vida-sem-drogas/vida-sem-nicotina
Cidade de São Paulo — Secretaria Municipal da Saúde: tratamento do tabagismo
https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/tabagismo
CONCLUSÃO
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)O tabagismo é uma doença causada pela dependência de nicotina e pode comprometer diferentes órgãos, mesmo antes do aparecimento de sintomas. Seus prejuízos também alcançam pessoas que não fumam, mas convivem com a fumaça do tabaco em casa, no trabalho ou em outros ambientes.
Parar de fumar produz benefícios em qualquer idade. A atividade física pode auxiliar no controle da ansiedade, na mudança de hábitos e no enfrentamento da vontade de fumar, mas não protege contra os efeitos do tabaco nem substitui o tratamento da dependência.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Com informação confiável, acompanhamento profissional e apoio das pessoas próximas, é possível superar a dependência e construir uma rotina mais saudável, ativa e livre do tabaco.
REFERÊNCIAS
- Brasil. Lei nº 7.488, de 11 de junho de 1986. Institui o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Brasília, DF: Presidência da República; 1986. Disponível em: Planalto
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- World Health Organization. Tobacco: health benefits of smoking cessation [Internet]. Geneva: WHO; 2020. Disponível em: World Health Organization
VIDEO RECOMENDADO SOBRE O USO DO CIGARRO
Qual é o impacto do cigarro nos pulmões; Drauzio Varella; 14 de abr. de 2026;
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Males do cigarro na juventude; Drauzio Varella; 12 de mar. de 2018;
PARA SABER MAIS – Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF)
Dia mundial de combate ao câncer de pulmão; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; 3 de agos. de 2026; Disponível em: https://institutoagf.com.br/dia-mundial-de-combate-ao-cancer-de-pulmao%C2%A0-2
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; 10 de mar. de 2025; Disponível em: https://institutoagf.com.br/doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica
Cigarros Eletrônicos; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; 15 de jun de 2024; Disponível em: https://institutoagf.com.br/vipe
Fumo passivo; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes; Disponível em: https://institutoagf.com.br/fumo-passivo