
Dia nacional de prevenção da obesidade
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 13/10/2025
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No 11 de outubro é celebrado Dia Nacional de Prevenção da Obesidade; este dia foi instituído pela Lei nº 11.721/2.008, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção da obesidade.
A obesidade é um dos maiores problemas de saúde atualmente e para o futuro. É uma doença crônica, progressiva, multifatorial, redicivante (significa que algo que foi tratado ou resolvido volta a aparecer, retornar ou ocorrer novamente) e considerada uma epidemia global de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Mais de um bilhão de adultos, em todo o mundo, está acima do peso — destes, 500 milhões são considerados obesos. São mais de 40 milhões de crianças, com idade até cinco anos, que estão acima do peso. Só no Brasil, cerca de 20% da população tem obesidade. O excesso de peso está presente em 60% dos brasileiros adultos. Essas estatísticas estão em elevação em todas as faixas etárias.
A obesidade é uma das causas evitáveis de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como: diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardíacas, apneia do sono, esteatose hepática, alterações osteomusculares – patologias que acabam reduzindo o tempo e a qualidade de vida do indivíduo.
Obesidade é o excesso de gordura corporal em quantidade que determine prejuízos à saúde. A OMS define o diagnóstico pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado utilizando a altura e o peso do indivíduo (IMC = peso (kg) / altura (m)2).
O IMC é uma das formas de avaliação corporal recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para classificação do estado antropométrico, ou seja, da composição corporal do indivíduo.
Clique no link abaixo para calcular o seu Índice de Massa Corporal (IMC)
RESULTADO DO IMC
De acordo com a OMS, a classificação do IMC é feita de acordo com o resultado do cálculo e inclui as seguintes faixas:
- IMC <18,5kg/m2: BAIXO PESO. É recomendado procurar um médico para avaliação criteriosa do resultado. Pode indicar um estado de consumo do organismo, com poucas reservas e riscos associados.
- IMC >18,5 até 24,9kg/m2: PESO ADEQUADO. Tudo indica que está tudo bem, mas é importante avaliar outros parâmetros da composição corporal, para compreender se estão dentro do recomendado. Algumas pessoas apresentam IMC dentro da normalidade, mas têm circunferência abdominal maior que a recomendada e/ou quantidade de massa gorda acima do ideal.
- IMC ≥25 até 29,9kg/m2: SOBREPESO. O sobrepeso está associado ao risco de doenças como diabetes e hipertensão. Então, atenção! Consulte um médico e reveja hábitos para reverter o quadro. Também é importante avaliar outros parâmetros, como a circunferência abdominal.
- IMC de 30,0- 34,9kg/m2: OBESIDADE GRAU I. É importante buscar orientação médica e nutricional para entender melhor o seu caso, mesmo que os exames (colesterol e glicemia, por exemplo) estejam normais.
- IMC de 35,0- 39,9kg/m2: OBESIDADE GRAU II. Indica um quadro de obesidade mais evoluído em relação à classificação anterior e, mesmo com exames laboratoriais dentro da normalidade, não se deve atrasar a busca por orientação médica e nutricional.
- IMC ≥ 40,0kg/m2: OBESIDADE GRAU III. Nesse ponto, a chance de já estarmos diante de outras doenças associadas é mais elevada. É fundamental buscar orientação médica.
A obesidade acomete pessoas de todas as idades e está associada a diversos problemas graves de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, além de estigmas e estereótipos preconceituosos relacionados ao excesso de peso, que podem desencadear problemas psicológicos, depressão, baixa autoestima e angústia.
A obesidade é o acúmulo de gordura no corpo causado quase sempre por um consumo de energia na alimentação, superior àquela usada pelo organismo para sua manutenção e realização das atividades do dia a dia. Ou seja: a ingestão alimentar é maior que o gasto energético correspondente.
Obesidade é uma doença crônica que tende a piorar com o passar dos anos, caso o paciente não seja submetido a um tratamento adequado e contínuo. Além de reduzir a qualidade de vida, pode predispor a doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, asma, gordura no fígado e até alguns tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo.
COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE OBESIDADE
A obesidade afeta um número elevado de pessoas por todo o mundo; manter uma alimentação saudável, uma rotina de exercícios e monitorar os indicadores de hipertensão, diabetes e colesterol são iniciativas importantes na rotina de qualquer pessoa; confira abaixo as 10 Coisas que Você Precisa Saber sobre a Obesidade;
- A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal e pode acarretar graves problemas de saúde. Segundo dados do IBGE, o Brasil tem cerca de 41 milhões de pessoas com obesidade. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a quase 96 milhões.
- A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada com obesidade. Essa definição é apenas para adultos, sendo inadequada para crianças e adolescentes, para os quais existem cálculos específicos.
- Conforme o IMC classifica-se o grau de obesidade do paciente em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico.
- A obesidade tem causa complexa, mas somente ocorre quando há predisposição genética. Essa vulnerabilidade biológica, que é muito comum na população, e o padrão alimentar atual da sociedade promovem a epidemia de obesidade que vemos. No entanto, raramente, algumas doenças endócrinas podem levar ao desenvolvimento da obesidade. Por isso, procure um especialista quando precisar de avaliação e tratamento.
- A obesidade desencadeia e/ou agrava uma série de doenças. A pessoa com obesidade tem maior propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, artrose, pedra na vesícula, refluxo gastroesofágico e câncer.
- A obesidade também pode levar a danos na saúde mental, acarretando diminuição da autoestima e depressão.
- O impacto da obesidade não ocorre apenas no indivíduo, reduzindo a qualidade e os anos de vida, mas em toda a sociedade. Ela eleva significativamente os custos com a saúde tanto no setor privado quanto no público.
- No cuidado de pessoas com obesidade, os médicos levam em consideração a presença de fatores de risco e outras doenças para terem a noção da gravidade da doença. Por exemplo, apneia do sono, diabetes mellitus tipo 2 e arteriosclerose são doenças que indicam a necessidade de uso de medicamentos da obesidade já em pacientes com sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2).
- A prevenção da obesidade envolve principalmente mudanças na alimentação da população. Assim, reduzir o acesso a alimentos não saudáveis, como os ultraprocessados, e aumentar a disponibilidade do que as pessoas realmente precisam comer, como frutas, verduras e legumes, envolvem medidas governamentais que vão além da área da saúde. Elas envolvem vários setores, inclusive a economia, pois as escolhas alimentares resultam de diversos fatores, que vão além do conhecimento da necessidade de consumir mais alimentos saudáveis. São atos muito mais intuitivos da natureza humana, do que da nossa consciência. A disponibilidade, o sabor, o preço, a facilidade de preparo e conservação, e a publicidade influenciam de maneira determinante a nossa escolha.
- O tratamento da obesidade tem como base uma alimentação saudável e atividade física, gerando balanço energético negativo: consumir menos energia do que se gasta. Infelizmente, apenas uma minoria dos pacientes consegue perder e manter o peso com essas medidas e alguns vão precisar de medicamentos e/ou cirurgia bariátrica. Como outras doenças crônicas, a obesidade não tem cura, mas tem controle!
Referencias
https://bvsms.saude.gov.br/11-10-dia-mundial-da-obesidade-e-dia-nacional-de-prevencao-da-obesidade/
https://www.coracao.org.br/post/dia-mundial-da-obesidade-e-dia-nacional-de-prevencao-a-obesidade
Para saber mais
Obesidade, doença ou desleixo; Drauzio Varella; 9 de julho de 2018;
Obesidade e novas opções terapêuticas; Drauzio Varella; 30 de julho de 2025;
Obesidade Infantil; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 22 de setembro de 2024;
https://institutoagf.com.br/obesidade-infantil
Dia Mundial da Obesidade; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 10 de março de 2024.