
Vacinação contra a dengue
Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF) – por Rafael Bombein (CREF 016866/SP) 26/01/2026
Ouça o conteúdo:
O Ministério da Saúde iniciou em 17 de janeiro de 2026 a vacinação contra a dengue com o imunizante nacional de dose única, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A campanha começou em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), imunizando pessoas de 15 a 59 anos, para avaliar o impacto da vacina e subsidiar sua ampliação nacional. Os municípios foram escolhidos por terem entre 100 mil e 200 mil habitantes e rede de saúde estruturada.
A vacina Butantan-DV, primeira dose única do mundo contra a dengue, protege contra os quatro sorotipos do vírus, com eficácia global de 74%, redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização. Serão distribuídas 204,1 mil doses entre Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), parte das 1,3 milhão produzidas.
Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue disponível a vacina japonesa, em duas doses, ofertada em todo o país. A Butantan-DV será destinada à faixa de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
Com a chegada de mais doses, profissionais da Atenção Primária à Saúde serão imunizados a partir de fevereiro, com 1,1 milhão de doses destinadas a médicos, enfermeiros e agentes comunitários. A vacinação nacional será ampliada gradualmente, conforme disponibilidade, começando pela população de 59 anos e avançando até 15 anos.
CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO BRASILEIRO
Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.
Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes.
A principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras.
QUEM PODE SE VACINAR
Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos. A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros pontos de vacinação instalados pela cidade e em locais estratégicos.
A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única do mundo contra a dengue. Além de facilitar a adesão ao esquema vacinal, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização por dengue.
Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, permanece disponível a vacina japonesa, aplicada em duas doses e ofertada em todo o país. A Butantan-DV será destinada à faixa de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
Com a chegada de mais doses, profissionais da Atenção Primária à Saúde (médicos, enfermeiros e agentes comunitários) serão imunizados a partir de fevereiro, com 1,1 milhão de doses reservadas para esse público. A vacinação nacional será ampliada gradualmente, conforme a disponibilidade de doses, começando pela população de 59 anos e avançando até 15 anos.
De acordo com as campanhas nacionais de vacinação, normalmente a imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em pontos de vacinação definidos pelas prefeituras, especialmente nos municípios-piloto. Para participar, basta comparecer a um desses locais dentro da faixa etária elegível (15 a 59 anos) e apresentar documento de identificação. Profissionais da saúde serão convocados conforme o cronograma estabelecido pelas secretarias municipais.
SEGURANÇA E EFICIENCIA DA VACINA DA DENGUE DO BUTANTAN
A aprovação da Butantan-DV é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 encaminhados à Anvisa. No público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.
Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.
Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.
CONTRAINDICAÇÕES DA VACINA BUTANTAN-DV
- Pessoas que tiveram diagnóstico confirmado de dengue devem aguardar seis meses para receber a vacina.
- Quem apresenta sintomas da doença não deve ser vacinado no momento.
- O imunizante não deve ser aplicado de forma simultânea a outras vacinas.
Essas recomendações visam garantir a segurança e a eficácia da imunização. Além disso, a vacina é destinada à faixa etária de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
EFEITOS COLATERAIS DA VACINA BUTANTAN-DV
Os estudos clínicos realizados com a vacina Butantan-DV mostraram que ela é segura e eficaz, tanto em pessoas que já tiveram contato prévio com o vírus da dengue quanto naquelas que nunca foram infectadas. A maioria das reações adversas observadas foi considerada leve a moderada. Os principais efeitos colaterais relatados foram:
- Dor e vermelhidão no local da aplicação
- Dor de cabeça
- Fadiga
Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e, nos casos registrados, todas as pessoas se recuperaram completamente. Esses dados são baseados em cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, que envolveu mais de 16 mil participantes em 14 estados brasileiros.
ATENÇÃO!
O Ministério da Saúde reforça que, apesar da redução expressiva dos casos de dengue em 2025, as medidas de controle do Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional. A principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras, mas não substitui essas práticas.
Portanto, é fundamental continuar eliminando focos do mosquito, mesmo para quem já foi vacinado, pois essas ações ampliam a proteção da população contra várias doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
Referencias
Para saber mais
O perigo da dengue nos períodos de calor; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 20 de janeiro de 2025;
https://institutoagf.com.br/o-perigo-da-dengue-nos-periodos-de-calor
Conhecendo mais o Chikungunya; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 24 de março de 2024;
https://institutoagf.com.br/conhecendo-mais-o-chikungunya
Conhecendo mais o Zika Virus; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 25 de fevereiro de 2024;
https://institutoagf.com.br/conhecendo-mais-o-zika-virus
Arboviroses – Dengue, Zika, Chikungunya e Febre amarela; Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF); 18 de fevereiro de 2024;